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Uma curiosidade sobre o Manifesto Comunista

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No dia 21 de fevereiro de 1848 Marx publicou o Manifesto do Partido Comunista. Era uma encomenda feita pela Liga dos Comunistas de Londres. Marx, que vivia em Bruxelas, atrasou a entrega do texto e os tios ficaram bem bravos e deram uma intimada nele para devolver os documentos da Liga, caso não concluísse o trabalho. O fato é que o Manifesto Comunista foi publicado na Inglaterra escrito em alemão. Ou seja, quase ninguém leu. Outro fato curioso. Essa liga (originalmente chamada de Liga dos Justos) não era de trabalhadores das fábricas, isto é, do processo de mecanização pós-Revolução Industrial. Ela era composta por artesãos alemães exilados em Londres. O lema deles era: "Todos os homens são irmãos!".  Por incrível que pareça, nessa época a palavra socialismo estava mais próxima de uma doutrina burguesa "identificada com vários esquemas reformistas experimentais e utópicos", conforme afirma o historiador Osvaldo Coggiola. Já os comunistas, segundo ele, ...

Bloqueio Continental - "Quero conquistar o mar com o poder da terra"

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#pratodoslerem Pintura de Napoleão Bonaparte sentado em uma cadeira. Ele não parece nada contente. Crédito da imagem: https://www.history.com/news/napoleon-bonaparte-downfall-reasons-personality-traits Essas palavras de Napoleão Bonaparte revelam muito bem suas intenções quando impôs à toda Europa o Bloqueio Continental. Os franceses acreditavam que a derrota inglesa seria inevitável atacando sua economia. A industrialização da Inglaterra dependia de matérias-primas e de mercados consumidores para a sua manutenção e crescimento. Isolar as Ilhas Britânicas impedindo-as de fazer comércio com o resto do continente europeu conduziria a economia inglesa à destruição. Com o decreto de Berlim de 21 de novembro de 1806, Napoleão instituiu o Bloqueio Continental. O curioso é que essa tática para atacar a economia do país rival foi usada pela própria Inglaterra contra os franceses de forma bem mais atenuada. Foi por isso que Napoleão justificava no decreto: "Considero que esse abuso monstru...

Do peso à leveza - Daniel Giandoso

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Do que trata esse livro? Seria o passo a passo para uma nova dieta? Ou então, a história de um boxeador peso pesado que mudou para a categoria peso pena? Bem longe disso... Link para ler na Amazon: Do peso à leveza

A Revolução de 1932 e a micro-história

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#pracegover: cartaz com 4 jovens soldados enfileirados. Atrás deles, tremulam as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo. No cartaz está escrito: "Para completar o batalhão aliste-se M.M.D.C." Créditos da imagem: https://www.al.sp.gov.br A história dos acontecimentos problematizada e analisada em livros, nem sempre consegue revelar de que maneira pessoas simples viveram esses acontecimentos. Muitos historiadores se esforçam para recuperar essas vozes e investigar as sutilezas escondidas. Infelizmente, trata-se de uma tarefa difícil pela carência de fontes. Uma vez, a minha avó me contou suas lembranças da Revolução Constitucionalista de 1932. Ela tinha 8 anos. Toda vez que passava um avião no céu chamado por ela de vermelhinho, todas as crianças saíam correndo para se esconder debaixo da cama. Eram os aviões do governo de Getúlio. A segunda lembrança também é muito boa. A fazenda ficava a caminho da divisa entre São Paulo e o sul de Minas Gerais. Certa vez, passaram po...

Mais poesia, menos gritaria

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Poesia pronta Se chega até nós se está escondida dentro da gente se flui quando se permite se é gestada e nasce em dores se é construída por dedicado labor se vem da carne que sofre ou se chega divinamente na alma não sei dizer Está comigo enquanto a tinta pelo papel caminha Depois, ao mundo pertence Meus outros poemas na Amazon

O culto à tradição no fascismo eterno

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#pracegover: foto de Umberto Eco. Sua barba é branca. Usa chapéu e óculos. Créditos da imagem: https://brasil.estadao.com.br/blogs/macaco-eletrico/desculpe-umberto-eco/ A primeira característica do eterno fascismo apresentada por Umberto Eco em sua conferência denominada "Ur-fascismo" realizada 1995 é o culto à tradição ou o tradicionalismo. Esse tradicionalismo é comum em correntes religiosas. Por exemplo: parte do catolicismo na França adotou uma postura tradicionalista como resposta à ação revolucionária contra a Igreja durante a Revolução Francesa. No entanto, Umberto Eco ressaltou mais o tradicionalismo surgido ainda na Idade Antiga  como uma reação ao racionalismo grego. Basicamente, consistia na crença de que haveria revelações misteriosas presentes desde as origens da humanidade. Trata-se de um conhecimento místico, por muito tempo oculto, cujos adeptos seriam capazes de ler as alegorias sobre essa verdade, muitas vezes presente de forma sincrética em coisas muito dif...

A Pré-história do Direito

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John Gilissen (1912-1988) foi jurista, historiador, magistrado e professor universitário na Bélgica. Em sua monumental obra "Introdução histórica ao Direito", logo no primeiro capítulo, ele faz uma reflexão muito importante sobre o direito dos povos sem escrita. Nesse vídeo, há alguns elementos importantes sobre o Direito na Pré-história ou seria melhor dizer, sobre a Pré-história do Direito?

Brincar é importante! Os gregos e os medievais sabiam disso

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Créditos da imagem: https://www.nashvilledominican.org/prayer/litanies/litany-st-thomas-aquinas/   Brincar deixa a vida mais leve. Brincando aprendemos melhor.  Não dá para levar muito a sério quem leva tudo a sério.  Brincadeira tem hora. Quem força muito a barra pra ser engraçado acaba sendo desagradável.  Tudo isso já aconteceu conosco. É humano! É tão legal quando lemos ou escutamos alguém e imediatamente ressoa dentro de nós: "Isso é verdade!" Ocorre naquele momento uma adesão nossa à coisa lida ou ouvida. E por quê? Por que aquilo, por ser tão humano, já estava em nós. Recentemente, lendo um pequeno comentário que Tomás de Aquino fez a um trecho da Ética de Aristóteles, esse encontro mais uma vez ocorreu em mim. Disse São Tomás: "O brincar é necessário para a vida humana". Assim como o nosso corpo precisa descansar, pois não consegue trabalhar ininterruptamente, a brincadeira é um repouso para a alma. Tomás de Aquino dizia que aqueles que mais se dedicam às at...

A carta de Plínio, o jovem ao Imperador Trajano sobre os cristãos

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Plínio, o Jovem, Governador da Província de Bitínia e Ponto que ficava às margens do Mar Negro na Ásia Menor, no ano 112 d.C. escreveu ao Imperador Trajano informando-o sobre como ele estava conduzindo a perseguição aos cristãos na região.  Tudo parecia caminhar bem, mas diante de alguns acontecimentos inesperados, Plínio, hesitante, pediu orientações ao imperador. Para entender melhor como os romanos agiam contra os cristãos, acompanhe o vídeo e conheça nosso canal.  

O dilema de Antígona

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   É lícito desobedecer a lei? Costumes ancestrais prevalecem quando entram em conflito com uma lei aprovada por uma autoridade? Vejamos como Antígona (nome da peça escrita por Sófocles) responde ao seu tio Creonte, rei de Tebas: "A tua lei não é a lei dos deuses; apenas o capricho ocasional de um homem. Não acredito que tua proclamação tenha tal força que possa substituir as leis não escritas dos costumes e os estatutos infalíveis dos deuses. Porque essas não são leis de hoje, nem de ontem, mas de todos os tempos: ninguém sabe quando apareceram. Não, eu não iria arriscar o castigo dos deuses para satisfazer o orgulho de um pobre rei. Eu sei que vou morrer, não vou? Mesmo sem teu decreto. E, se morrer antes do tempo, aceito isso como uma vantagem" (Antígona, Sófocles). O teatro e os mitos gregos são sempre atuais, pois apresentam os grandes dilemas da natureza humana. Longe de querer solucioná-los, os gregos preferiam discuti-los. Afinal, eles sabiam muito bem que para as gra...

Por que os cristãos eram perseguidos? Ste Croix responde

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Durante os três primeiros séculos, os cristãos foram perseguidos pelos romanos. As narrativas dos martírios dos cristãos impressionam tanto, que fica parecendo que os cristãos eram perseguidos por toda a parte no Império. Mas afinal, do que os cristãos eram acusados? Será mesmo que eles representavam um perigo para Império Romano? Acompanhe o vídeo sobre esse intrigante assunto e conheça nosso canal.    

O povo e a ralé em Hannah Arendt

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Créditos da imagem: https://www.dhm.de/lemo/biografie/hannah-arendt A atualidade de Hannah Arendt para a compreensão da sociedade hodierna chega a ser surpreendente. Segundo a autora, o povo e a ralé não podem ser confundidos. Enquanto o povo, em todas as grandes revoluções, luta por um sistema realmente representativo, a ralé brada sempre pelo “homem forte”, pelo “grande líder” (Origens do Totalitarismo). Ainda que distintos, são facilmente confundidos, pois a ralé reúne "resíduos de todas as classes", ou seja, não se trata de um nicho social específico ligado ou pela renda, classe social, escolarização, ou pela etnia. A ralé é um "refugo de todas as classes". O que une essas pessoas no conjunto ralé é o ódio à representação política (instituições, congresso, parlamento, partidos) e o ódio à sociedade, pois se sentem excluídas de alguma forma. Sobretudo, a ralé odeia grupos específicos. Esse ódio à sociedade e à representação política, faz com que a ralé se mova pa...

Os intelectuais e a cidade medieval.

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Créditos da imagem: https://www.bbc.co.uk/programmes/b00zf384 Um assunto recorrente nos livros didáticos quando abordam a Idade Média é o renascimento comercial e urbano.  No século XII, as cidades floresceram na Europa. E com elas, a circulação de pessoas, de produtos e de ideias. Dentre as diferentes profissões típicas do espaço urbano, muitas delas organizadas em corporações de ofício, há uma curiosa e pouco falada: o intelectual. Isso mesmo! Ele pertencia a um grupo social inserido nessa divisão do trabalho urbano. Para o historiador Jacques Le Goff, o intelectual na Idade Média era um homem que ganhava a sua vida vendendo palavras, ou seja, vivia ensinando e escrevendo. Essa era a sua profissão: ser professor e sábio. Assim, o intelectual medieval nasceu junto com a cidade. Seu lugar de trabalho era a universidade.  O curioso é que sempre estudamos que os homens do Renascimento eram modernos e reverenciavam a cultura clássica. Bem, é verdade. Porém, o que não nos ensinam,...

Cândido de Voltaire

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"Que é otimismo? - disse Cacambo. Ai de mim - disse Cândido -, é a mania de afirmar que tudo está bem, quando tudo está mal" (Cândido, XIX). Minha esposa me disse que a ironia é a melhor habilidade que tenho. Claro que ela estava sendo irônica. Eu aprecio, mas não sou bom em praticá-la. Já Votaire é um mestre. A ironia por natureza incomoda, aponta o que há de ridículo numa situação, muitas vezes ocultada pela hipocrisia disfarçada de bons modos ou bons propósitos. É um jeito inteligente de trazer à luz o que ninguém quer colocar sob a luz. Mas, infelizmente, a ironia também pode ser usada de forma perversa ou agressiva. O irônico que habita em mim caminha mais para essa ironia rasteira. Já Voltaire é um mestre. Em "Cândido ou o otimismo", a ironia de Voltaire é divertida. Ao acompanhar os infortúnios de Cândido, Pangloss e Cunegundes e a leitura que esses personagens fazem de suas tragédias, vemos o quanto Voltaire dá alfinetadas na tradição aristotélica, na escolá...

Os liberais autoritários

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  #pracegover Pintura com o retrato de John Locke. Seus cabelos são brancos e cacheados. Apesar de seu nariz ser grande, Locke não era mentiroso. Em tempos malucos como os que temos vivido, encontrar coerência no mundo é tão difícil quanto topar com espécies ameaçadas de extinção. Homo sapiens ainda perambula por aí aos montes. Porém, como disse Raulzito "o homem é o exercício que faz". Então, ser humano é mais difícil de se encontrar. Há muita gente de personalidade autoritária falando de democracia e de liberdade individual. Para estes, isolamento social, uso de máscaras, responsabilização por propagar mentiras nas redes sociais são atentados a liberdade, a democracia, ao pensamento liberal. Vamos ver o que disse John Locke, o pai do liberalismo político. Locke defendia que a liberdade é uma característica presente no Estado de Natureza, cujo contrato social deve preservá-la. Esta liberdade, consiste em cada homem poder dispor sobre si e sobre seus bens, dentro dos limites...

A relação passado e presente

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Crédito da imagem: https://www.franceinter.fr/emissions/la-marche-de-l-histoire/la-marche-de-l-histoire-26-juin-2020  A compreensão sobre o tempo é um problema filosófico já presente nas "Confissões" de Santo Agostinho: O que é realmente o tempo? Quem poderia explicá-lo de modo fácil e breve? Quem poderia captar o seu conceito, para exprimi-lo em palavras? No entanto, que assunto mais familiar conhecido em nossas conversações? Sem dúvida, nós o compreendemos quando dele falamos, e compreendemos também o que nos dizem quando dele nos falam. Por conseguinte, o que é o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei ( Confissões , XI,14.17). Santo Agostinho deixa claro como que as palavras são insuficientes para explicar algumas coisas. Mesmo o tempo sendo algo tão familiar e corriqueiro, não conseguimos defini-lo muito bem. Trata-se de uma reflexão filosófica que foge da análise histórica. Marc Bloch em seu livro "...

A Revolução de 1964

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Este era o título de um pequeno texto presente na "Apostila do Atirador", um material de estudos destinado aos jovens que prestavam serviço militar obrigatório em 1996. Lá estava eu! Quando li este título, logo pensei que se tratava de um esforço para mostrar de forma positiva o golpe dado no presidente João Goulart. É claro que a palavra revolução foi utilizada para denotar uma mudança pra melhor. Hoje, os defensores da ditadura falam de movimento de 1964. Lembro-me também, que em uma das instruções um dos soldados perguntou ao sargento o que foi o atentado do Rio-Centro (?!?!?!?!?!!!!). É claro que o sargento desconversou com um certo riso, dizendo que não foi nada. Lembro-me que ele olhou para mim com o canto dos olhos... Eu com um gesto de cabeça demonstrei eu que sabia do que se tratava e que ele também. Bom, foi por isso ele me olhou com o canto dos olhos: ele sabia que eu sabia. Minha experiência no exército foi positiva. Porém, ao ser recrutado, eu não pude ingr...

O calendário da Revolução Francesa

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Créditos da imagem: http://www.scalarchives.com Há coisas bem esquisitas que acontecem no mundo, totalmente desnecessárias. Uma delas foi a adoção de um novo calendário durante a Revolução Francesa. Para demarcar o quão importante era aquele momento na história, os franceses começaram a contar o tempo novamente, deixando claro a ruptura com o momento anterior. Criaram um novo calendário para evidenciar o começo de um novo tempo na história do mundo. O calendário começou a valer em 1793. Ele possuía 12 meses de 30 dias. Cada mês tinha três semanas de 10 dias. O dia foi dividido em 10 horas de 100 minutos. Por fim, um minuto tinha 100 segundos. O ano começou no dia 22 de setembro de 1792, que além de ser o equinócio de outono no hemisfério norte, foi o dia da Proclamação da República Francesa. Os nomes dos meses também eram bem diferentes, baseados nas condições do clima, na agricultura e nas estações. Esta é a lista dos meses com a correspondência do nosso calendár...

Pra que serve a política?

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Religião, futebol e política não se discutem? Claro que sim! É possível pensar e debater sobre qualquer coisa. Aliás, é justamente pelo fato das pessoas não serem educadas desde muito cedo ao diálogo, muita agressão existe hoje nas redes sociais. Quando faltam argumentos ao redor de ideias, as pessoas se agridem. Então, vamos lá. Para que serve a política? Essa parece uma pergunta difícil de responder, pois os grupos políticos (partidos, sindicatos, associações, movimentos) têm propósitos ou intenções diferentes. Então, pensando a partir da realidade atual, a política serve pra atender interesses particulares ou de um grupo específico. Sendo múltiplos esses interesses, fica difícil achar uma resposta.   Para Aristóteles (384-322 a.C.) a política não tinha uma pluralidade de finalidades. Ela não era entendida como um espaço em disputa para dela se servir, ou seja, para atender aos fins específicos do grupo vencedor. Segundo o filósofo grego, a política procura tornar os mem...

O monopólio do uso legítimo da violência física

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Créditos da imagem: http://editoraunesp.com.br/blog   Em 1919 Max Weber realizou uma importante conferência intitulada "A Política como vocação". Nela, procurou discutir o que é vocação política e qual o seu sentido. Para Weber, a política está associada ao poder do Estado e aos meios que ele atua. Assim, o Estado se estabelece por meio de coação, de força, a tal ponto de ser a violência o instrumento específico do Estado. É nesse contexto que se insere a sua famosa frase: ao Estado compete o "monopólio do uso legítimo da violência física". Mais à frente, Weber afirma que um dos fundamentos de legitimidade é a legalidade, isto é, a legitimidade vem pelo respeito à legalidade, às regras racionalmente estabelecidas para o exercício do poder. Então, o uso legítimo da violência física por parte do Estado não se faz de qualquer maneira, sob qualquer pretexto, mas apenas sob a observância da lei. Quando analisamos a atual conjuntura brasileira, o uso ilegítimo ...

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