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A Revolução de 1932 e a micro-história

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#pracegover: cartaz com 4 jovens soldados enfileirados. Atrás deles, tremulam as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo. No cartaz está escrito: "Para completar o batalhão aliste-se M.M.D.C." Créditos da imagem: https://www.al.sp.gov.br A história dos acontecimentos problematizada e analisada em livros, nem sempre consegue revelar de que maneira pessoas simples viveram esses acontecimentos. Muitos historiadores se esforçam para recuperar essas vozes e investigar as sutilezas escondidas. Infelizmente, trata-se de uma tarefa difícil pela carência de fontes. Uma vez, a minha avó me contou suas lembranças da Revolução Constitucionalista de 1932. Ela tinha 8 anos. Toda vez que passava um avião no céu chamado por ela de vermelhinho, todas as crianças saíam correndo para se esconder debaixo da cama. Eram os aviões do governo de Getúlio. A segunda lembrança também é muito boa. A fazenda ficava a caminho da divisa entre São Paulo e o sul de Minas Gerais. Certa vez, passaram po...

A Revolução de 1964

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Este era o título de um pequeno texto presente na "Apostila do Atirador", um material de estudos destinado aos jovens que prestavam serviço militar obrigatório em 1996. Lá estava eu! Quando li este título, logo pensei que se tratava de um esforço para mostrar de forma positiva o golpe dado no presidente João Goulart. É claro que a palavra revolução foi utilizada para denotar uma mudança pra melhor. Hoje, os defensores da ditadura falam de movimento de 1964. Lembro-me também, que em uma das instruções um dos soldados perguntou ao sargento o que foi o atentado do Rio-Centro (?!?!?!?!?!!!!). É claro que o sargento desconversou com um certo riso, dizendo que não foi nada. Lembro-me que ele olhou para mim com o canto dos olhos... Eu com um gesto de cabeça demonstrei eu que sabia do que se tratava e que ele também. Bom, foi por isso ele me olhou com o canto dos olhos: ele sabia que eu sabia. Minha experiência no exército foi positiva. Porém, ao ser recrutado, eu não pude ingr...

O lado obscuro da Era Vargas

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Créditos da imagem: Toda Matéria Os dois período do governo de Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) foram marcados por grandes avanços em várias áreas. Destacam-se o grande crescimento econômico com a industrialização e os direitos trabalhistas (CLT). Créditos da imagem: Filinto Muller, 1959 - Veja - Abril.com Mas há um lado pouco conhecido na era Vargas. Durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945) a polícia política torturava a assassinada adversários do regime, desde os integralistas da Ação Integralista Brasileira (AIB) até os comunistas da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Esses crimes não eram conhecidos pela população porque havia censura à imprensa. Após a queda de Vargas em 1945, o jornalista David Nasser publicou seis reportagens na revista O Cruzeiro sob o título "Falta alguém em Nuremberg". O Tribunal de Nuremberg foi instalado na Europa depois da 2a Guerra Mundial para julgar os crimes cometidos pelos nazistas. Segundo Nasser, Filinto Muller, ch...

Debate entre Lula e Collor

Por esses dias pude assistir o segundo debate entre Lula e Collor para as eleições de 1989. Naquela época eu tinha 12 anos! Agora, nos meus 30 anos, foi tão difícil crer que aquele debate realmente tenha ocorrido daquela maneira... Revendo-o, parece mais algo fantástico, coisa criada pela imaginação humana. E, de certa forma, não foi? Pior que foi... Penso que se o Lula tivesse vencido em 1989, certamente sofreria um golpe. Mesmo assim, revisitar todo o esforço nacional (e internacional), de gente endinheirada e importante para garantir a vitória de Collor da forma mais inescrupulosa possível, fez-me pensar: "Como isso pode acontecer? Não, não posso crer que realmente foi assim..." E foi! Alguém se lembra do jornalismo de baixo nível da Rede Globo quando ela fez a edição do debate no Jornal Nacional salientando os piores momentos de Lula e os melhores momentos de Collor, dando um tempo muito maior de exposição ao colorido? Agora é possível ver o debate que a própria Rede G...

Garoto Gorfadinha em: A revolta da vacina

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#pracegover: charge de Oswaldo Cruz cavalgando sentado em uma seringa em guerra contra toda a população revoltada. Muito objetos são arremessados sobre ele. Recém moradora de rua - Mataram a Jucleide!!! Os agente do seu Osvardo mataram a Jucleide!!! Garoto Gorfadinha - O que aconteceu, minha senhora? Recém moradora de rua - Mataram a Jucleide!!! Aquela vacina marvada do seu Osvardo matou a coitada da Jucleide!!! Esses desgraçados!!! Primeiro, tiraram nossa casa e agora tão tirando a nossa vida!!! Garoto Gorfadinha - Que isso senhora! Vacina não mata ninguém não! Recém moradora de rua - Mata sim! A Jucleide tomou a vacina e morreu moço! Essa gente do governo quer matar todos os pobres da cidade! Como num fica bem dar tiro na gente, eles inventaram essa vacina mardita pra matar pobre. Isso é coisa do seu Pereira e do seu Alves. Tá todo mundo revoltado! Hoje mesmo vai ter quebradeira!!! Garoto Gorfadinha - Mas a vacina nada mais é do que um vírus enfraquecido da doença. Aí ...

Canudos e as favelas

O termo favela, da forma como nós conhecemos hoje, surgiu após a Guerra de Canudos. Os soldados cariocas que voltaram da 4a expedição que pôs fim à guerra foram responsáveis pela consolidação do termo. Favela é o nome de uma planta típica do sertão. Os militares apelidaram o morro que rodeava Canudos de "morro da favela". Ao voltarem para a capital, chamaram de favela a aglomeração de barracos que brotavam nos morros cariocas (como a planta em Canudos) por conta da reforma urbana feita por Pereira Passos. A demolição dos cortiços na região central do Rio de Janeiro expulsou a população que teve de ocupar os morros da cidade.

Canudos não se rendeu

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Em 14 março de 1897 Euclides da Cunha publicou o artigo "A nossa Vendéia" no jornal O Estado de S. Paulo (na época Província). Depois foi enviado pelo jornal como correspondente de guerra à Canudos. Este artigo dividido em duas partes faz menção à Revolta da Vendéia (departamento francês) cujos habitantes (que não aceitaram a queda da monarquia) levantaram-se contra a República instalada pela Revolução Francesa numa guerra civil que só terminaria em 1799. Muitos identificavam essa revolta a um fanatismo religioso alimentado pelo clero local. Então, Canudos nada mais era do que um bando de fanáticos incapazes de reconhecer os avanços decorrentes do governo republicano. Ao descrever a geografia e a topografia da região, Euclides da Cunha disse que o sertanejo é um produto deste meio, e que, "como na Vendéia o fanatismo religioso que domina as suas almas ingênuas e simples é habilmente aproveitado pelos propagandistas do império". Ora, o grande propagandista do Impér...

Sociedade Alternativa

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Em uma entrevista, Raul Seixas disse que em 1974 foi expulso do país quando os militares o interrogaram sobre a localização da Sociedade Alternativa. Ele disse que era apenas uma música. E era mesmo. A Sociedade Alternativa nunca existiu realmente. Na verdade, nem se tratava de um conjunto de ideias claras ou propostas objetivas. Tratava-se de um sonho. Mas o termo assustava, uma vez que ficava claro que a sociedade da época não bastava, precisava ser reformada ou substituída. A Sociedade Alternativa era uma mistura de princípios filosóficos com ocultismos e esoterismo idealizados por Raul e por Paulo Coelho. Eles foram influenciados por um ocultista inglês chamado Aleister Crowley. O princípio básico, que está presente na letra da música é: "faça o que tu queres, pois tudo é da lei". Então, a única lei é fazer o que quiser. Isto deve ser entendido dentro do contexto de ausência de liberdade imposta pelos militares na época. Embora a ideia de acabar com o governo ...

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