Os intelectuais e a cidade medieval.
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Créditos da imagem: https://www.bbc.co.uk/programmes/b00zf384 |
Um assunto recorrente nos livros didáticos quando abordam a Idade Média é o renascimento comercial e urbano.
No século XII, as cidades floresceram na Europa. E com elas, a circulação de pessoas, de produtos e de ideias. Dentre as diferentes profissões típicas do espaço urbano, muitas delas organizadas em corporações de ofício, há uma curiosa e pouco falada: o intelectual.
Isso mesmo! Ele pertencia a um grupo social inserido nessa divisão do trabalho urbano. Para o historiador Jacques Le Goff, o intelectual na Idade Média era um homem que ganhava a sua vida vendendo palavras, ou seja, vivia ensinando e escrevendo. Essa era a sua profissão: ser professor e sábio. Assim, o intelectual medieval nasceu junto com a cidade. Seu lugar de trabalho era a universidade.
O curioso é que sempre estudamos que os homens do Renascimento eram modernos e reverenciavam a cultura clássica. Bem, é verdade. Porém, o que não nos ensinam, é que os intelectuais medievais também se julgavam muito modernos e se recorriam ao conhecimento científico dos antigos, especialistas nas artes liberais.
Dizia Bernardo de Chartres: "Somos anões empoleirados nos ombros de gigantes. Assim, vemos melhor e mais longe do que eles, não porque nossa vista seja mais aguda ou nossa estatura mais alta, mas porque eles nos elevam até o nível de toda a sua gigantesca altura".
Logo, a diferença entre os modernos medievais e os modernos renascentistas em relação à cultura clássica é que os primeiros imitavam os antigos e os segundos, muitas vezes, os contestavam.
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