26 de novembro de 2012

O homem que colocou o Sol no centro

Nicolau Copérnico, é claro! Está lá no livro da escola. Ao contrário das criaturas atrasadas que viviam na Idade Média (só pra avisar, estou sendo irônico) que diziam que a Terra está no centro do Universo, Copérnico defendeu o heliocentrismo (Sol no centro).

E Aristarco de Samos? Poucos conhecem. Ele foi um astrônomo que viveu entre 310-230 a.C. Escreveu As Dimensões e as Distâncias do Sol e da Terra. Apenas com a observação, sem o auxílio de nenhum instrumento (nenhum mesmo!) ele descobriu coisas fantásticas, como:
- O Sol é uma estrela muito maior que a Terra. Não fazia sentido um astro tão grande orbitar ao redor de um muito menor que ele;
- A Terra gira ao redor do Sol que permanece imóvel;
- A Lua gira ao redor da Terra;
- A Lua é iluminada pela Sol;
- Aristarco conseguiu estimar a distância da Lua em relação a Terra;
- Ele também estimou a distância do Sol em relação a Terra.

Como ele conseguiu fazer isso?
Observando dois eventos: O eclipse lunar e os fins de tarde em que a Lua aparece no céu antes do Sol se por.

Aristarco percebeu que a Lua leva aproximadamente 1 hora para percorrer uma distância do mesmo tamanho do seu diâmetro. O eclipse da Lua ocorre quando a Terra fica entre o Sol e a Lua, certo? A sombra da Terra escurece a Lua. Em um eclipse Aristarco percebeu que a Lua ficou por volta de 2 horas na sombra da terra. Então, a largura da sombra da Terra tinha o tamanho de duas Luas. Consequentemente, Aristarco deduziu que o diâmetro da Lua é metade do diâmetro da Terra (raio).


No segundo evento ele observou a Lua no exato momento em que metade dela fica iluminada (ainda quando é dia). Assim, ele baseou seus cálculos nos ângulos formados pelas retas ligando a Lua, a Terra e o Sol no momento exato em que as retas formam um triângulo retângulo, ou seja, quando um dos ângulos mede 90 graus.

Tanto no eclipse lunar quanto no triângulo Lua, Terra e Sol, provavelmente, Aristarco usou a trigonometria para calcular a distância dos dois astros em relação à Terra. Levando em conta o diâmetro, o raio, a órbita e o tempo de percurso ele afirmou que a distância Lua-Terra é 80 x o raio da Terra. A distância Sol-Terra é 19 x a distância Lua-Terra (na verdade, não é isso). Não me atrevo a demonstrar como é esse cálculo. Mas podem ver aqui e me expliquem depois.
Seu método foi genial, apesar dos resultados não serem nada precisos. Isso porque o ângulo entre os três astros não possui o mesmo valor que Aristarco presumiu. O mesmo vale para a razão entre os diâmetros da Terra e da Lua.

Mas isso não importa! o cara mandou bem... é gênio! Será que a humanidade está embrutecendo?


16 de novembro de 2012

Os Guerreiros de Xi'an

Quando os Guerreiros de Xi'an vieram para São Paulo visitei 4 vezes a exposição na Oca do Ibira. Em uma delas, fui com a minha esposa (na época pretendente). Foi um lindo passeio romântico! Eu, a Fá e os alunos... Até chegarem em Sampa e ficarem diante dos meus olhos, houve uma longa história por detrás daqueles imensos guerreiros em terracota.
Qin Shi Huang foi o primeiro imperador da China. Com seu disciplinado exército e suas balistas poderosas, ele dominou outros reinos e unificou a China durante seu governo (221-210 a.C.). Foi ele quem iniciou a construção da muralha da China. Morreu cedo (coitado), provavelmente envenenado por mercúrio. É que Qin Shi Huang buscava desesperadamente alguma forma de não morrer nunca (o cara unificou a China e não queria de jeito nenhum largar o osso). Bom, talvez o imperador foi acometido pela síndrome do "eu sou insubstituível!!!" (muita gente ainda sofre desse mal) e quis viver eternamente. Os médicos receitavam mercúrio para o imperador viver para sempre (só se for no além, né?).


O que importa neste post é que Qin Shi Huang construiu um gigantesco mausoléu subterrâneo com 56 quilômetros quadrados na cidade de Xi'an. Esse imenso complexo, além da tumba imperial serviu para abrigar seu exército em terracota. Estima-se que mais de 8000 soldados, 520 cavalos, 150 carros além de outros 150 cavalos de guerra foram enterrados com o imperador. Para construir seu mausoléu subterrâneo e confeccionar uma quantidade tão grande de estátuas em tamanho natural, muitas vidas foram sacrificadas. Centenas de artesãos foram enterrados "vivos" para que o segredo da tumba não fosse revelado. Cada um dos 8000 mil soldados possuem feições únicas, individualizadas, como se fossem reais.

O mais impressionante é que os Guerreiros de Xi'an só foram descobertos em 1974 por camponeses que viviam na região. A maior parte das estátuas continuam embaixo da terra. Dizem que a tumba do imperador ainda não foi aberta (eu duvido. É segredo do governo comunista).

Só falta dizer que com esse passeio super romântico os Guerreiros de Xi'an testemunharam o preâmbulo do nosso namoro. E essa foi a maior de todas as façanhas destes destemidos soldados!

Foto do sítio arqueológico transformado em museu


6 de novembro de 2012

A vida beata

Calma. Pensando bem, não vamos falar sobre a vida da simpática Dona Clotilde. Este post não é sobre a vida da beata, mas sobre a vida beata. Uma vida beata todos a desejam, inclusive você. Beatitude significa Felicidade. Todas as pessoas querem ser felizes. A discordância entre elas começa quando se discute o que é a felicidade e como encontrá-la. Aí cada um fala uma coisa. Felicidade é... É feliz quem... O caminho para a felicidade é... Para ser feliz...
Há respostas lindas e até comoventes!
Mas na verdade, falar sobre Felicidade está mais pra papo filosófico do que questão de preferências. Se pensarmos bem, o que acontece mesmo é que ficamos felizes, mas não necessariamente estamos felizes. Aí vem a grande questão: A Felicidade é uma realidade ou algo que eu imagino, uma sensação que tenho. Se a Felicidade é uma realidade, ela é permanente e não depende da minha existência; eu posso participar ou não desta realidade. Agora, se a Felicidade é algo subjetivo, que eu imagino, uma sensação que tenho quando algo acontece, tenho de me entregar a uma insaciável busca por instantes de felicidade através das coisas ou das pessoas. No primeiro caso, eu estou feliz independentemente do que aconteça. No segundo caso, eu fico feliz se algumas coisas acontecem.
Um pensador cristão que viveu na Antiguidade Tardia chamado Agostinho (354-430) escreveu coisas interessantíssimas sobre a Felicidade.

Para Santo Agostinho a Felicidade é uma realidade plena a ser buscada. Todos os homens a desejam, por isso constantemente a buscamos nas coisas ou nas pessoas. O problema é que esta Felicidade plena não pode estar no que é finito. De fato, é fácil perceber o quanto estamos cercados de coisas transitórias. Do saquinho de amendoim à paixão avassaladora, tudo acaba. Para Agostinho não é racional colocar a razão de nossa Felicidade em algo que não vai durar por ser finito. Se a minha Felicidade está em algo instável e transitório, eu já sei de antemão que vou deixar de ser Feliz. Ora, como ser Feliz já sabendo que eu vou deixar de ser Feliz quando a razão de minha felicidade não mais existir? Tá vendo como não é simples? As pessoas resolvem isso simplesmente não pensando sobre. Basta curtir o momento, os instantes de felicidade, basta se sentir feliz e não ser feliz. Só que não ser feliz é ser infeliz. Para Santo Agostinho, quem vive nesta condição é mais miserável que um indigente... aliás, para ele, a infelicidade é a verdadeira indigência! Portanto, para Agostinho não dá pra se contentar em se sentir feliz. É necessário ser Feliz.
Putz... Como se revolve isso então? O que o homem deve buscar para ser Feliz? Disse Agostinho que é 
necessário que procure um bem permanente, livre das variações da sorte e das vicissitudes da vida. Ora, não podemos adquirir à nossa vontade, tampouco conservar para sempre, aquilo que é perecível e passageiro (...) se alguém quiser ser feliz, deverá procurar um bem permanente, que não lhe possa ser retirado em algum revés de sorte.
Que Bem é esse? O que é imutável por natureza? Para Santo Agostinho esse bem imutável é Deus. Deus é o próprio Ser. Ele é o Ser no qual todas as coisas subsistem. Se Deus mudasse, Ele deixaria de Ser. Isso é um paradoxo! O Ser não pode deixar de ser, já que a ausência de Ser é o Nada! Que loco heim?


2 de novembro de 2012

Francis Bacon e o método indutivo

O professor de História Antiga da faculdade dizia: "Deixem de ser empíricos! É necessário dar um salto!" Eu, calouro, caipira do interior com medo de cidade grande, não entendia... Demorou, mas depois (bem depois) entendi. O professor não queria que reproduzíssemos apenas o que constava num documento. Era o que todos costumavam fazer: dizer com outras palavras o que já estava no texto ou na imagem.
Bom, quando se trata de empirismo não dá pra não falar de Francis Bacon (1561-1626). Ele não é o criador desta prática, mas a adotou plenamente, a ponto de desenvolver todo um método científico que seria trilhado pela ciência moderna: o método indutivo.
Basicamente é assim: para conhecer as coisas é necessário um método, isto é, um procedimento que procure resolver problemas práticos. Para tanto, não há como produzir um conhecimento científico sem uma pesquisa experimental. Assim, diante de um problema real, o cientista elabora e observa experimentos que procuram responder este problema. A ciência moderna trilhou esse caminho inaugurado por Bacon. Um experimento testa uma hipótese várias vezes. Se o resultado do experimento comprova a hipótese, o problema é resolvido. A importância do método indutivo é que a partir da observação de um experimento particular se estabelece uma lei geral constante sobre aquele fenômeno ou problema. Ou seja, respeitadas as mesmas condições, o resultado tende ser o mesmo. Daí dá pra dizer que houve um conhecimento realmente científico, baseado em um método cujos resultados podem ser comprovados.

Leia também: Garoto Gorfadinha entrevista Francis Bacon

30 de outubro de 2012

Vikings: os dragões ferozes


Invasão ou expansão? Depende de que lado você está. Bom, na verdade as coisas não são tão simples...
O fato é que os Vikings deixaram muita gente em pânico. Eles eram descritos como dragões ferozes que vinham pela névoa!
Vik significa baía. Ou seja, eles eram aqueles que navegavam de baía a baía. Eles também eram conhecidos como normandos. Nordmanni significa "homens do norte". No final do século VIII, todos os anos eles faziam incursões pelos rios da Irlanda e de Inglaterra, pilhando igrejas e mosteiros. Depois, eles se estenderam para outros lugares da Europa com a mesma estratégia, que apesar de conhecida era infalível. Vinham em silêncio com seus rápidos navios chamados knorr. Como não havia barulho de deslocamento de tropas ou de cavalos, eles pegavam todos de surpresa e faziam a festa.
Mas por que esses guerreiros partiram da Escandinávia em direção ao sul da Europa?


Alguns dizem que o crescimento populacional gerou a necessidade desta empreitada. Outros dizem que houve uma centralização maior de poder na Escandinavia o que levou guerreiros a partirem para dominar outras regiões, uma busca de reputação e ascensão social. Mas o que importa mesmo é que eles não eram somente saqueadores. Na verdade, os Vikings participaram do comércio europeu, que foi estimulado em parte por uma outra expansão vinda da Arábia. Os muçulmanos com uma velocidade notável alcançaram a Pérsia, o Império Bizantino, a Ásia Central e o norte da África. Eles até entraram na Europa pela Península Ibérica e só foram barrados por Carlos Martel em 732 na Batalha de Poitiers. Esta expansão permitiu aos árabes grandes quantidades de prata e de ouro. Eles podiam comprar de tudo... É ai que entram os Vikings. Eles forneciam mercadorias, peles, armas, madeiras e escravos. Esse comércio estimulou os Vikings a navegarem pela costa e entrarem na Europa através de rios como o Danúbio, Reno, Volga, Loire... Assim, não demorou muito para os "homens do norte" marcarem sua presença na França (no norte, a Normandia), no Império Bizantino, na Rússia e há quem diga, até na América!
O Homem do Livro é um Viking disfarçado.

2 de outubro de 2012

A decadência moral da Igreja no século X

O século X é conhecido com um período de forte crise no interior da Igreja. Parte dessa crise teve sua origem ainda no século IX. As invasões normandas e húngaras deixaram várias igrejas e mosteiros em ruínas o que contribuiu para uma onda de pessimismo e de desorientação em parte do clero. Nos anos subsequentes, se intensificou o processo de feudalização no interior da Igreja. Bispos se tornam vassalos de nobres e lhes prestam Homenagem. Além disso, bispados e mosteiros passam a pertencer a Senhores Feudais. Assim, um dos fatores cruciais para compreender a decadência moral da Igreja no século X é a interferência do poder secular na Igreja e mais precisamente, no trono papal. Neste período o papado  ficou subordinado às famílias aristocráticas romanas e se transformou em uma instância de poder disputada entre elas. O assassinato era comum para eliminar os concorrentes ao trono pontifício.

Como não se bastasse, intensificam-se duas práticas no interior da Igreja: a simonia e o nicolaísmo. A simonia consistia no comércio das coisas sagradas como sacramentos, relíquias e funções consagradas. A origem do termo encontra-se nos Atos dos Apóstolos, onde o mago Simão tenta comprar de Pedro o poder da transmissão do Espírito Santo pela imposição das mãos. Já o nicolaísmo consistia na desordem dos costumes, isto é, clérigos viviam como um leigos, portavam armas e desrespeitavam o celibato. Ao que tudo indica, o termo é similar aos nicolaítas, seita citada por João no livro do Apocalipse.

Este parecia ser um quadro catastrófico, irremediável. No entanto, o século XI se afirmará como um período de reforma no interior da Igreja. Papas vindos de comunidades monásticas farão um grande esforço para moralizar o clero e separar o poder espiritual do poder temporal. O papa Gregório VII será o grande protagonista desta reforma. Em breve, veremos como!

26 de setembro de 2012

Significado da suástica

Cerâmica de Samarra (Mesopotâmia) 5000-4000 a.C.

Carolina de Uriçanga pergunta:
O que significa a suástica nazista?

Homem do Livro responde:
Após exaustiva investigação, percorrendo os 4 cantos da terra, observando as 4 fases da lua, planando nos 4 ventos do mundo, combinando os 4 elementos da natureza e finalmente, navegando nos 4 rios do Éden, descobri que a suástica é composta por duas hastes cruzadas (cada haste com 4 partes).
Meus cálculos matemáticos revelaram que 4 x 4 = 16, a totalidade da revelação ou criação material (viram que tem 4 em tudo?)

Após esta pequena introdução, devo lhe dizer que os nazistas não inventaram a suástica. É uma representação presente em vários povos do mundo inteiro (dos 4 cantos da terra).

Ela indica, antes de tudo, um movimento de rotação ao redor de um centro. É o movimento da criação e da força do universo. Significa uma ação, um ciclo perpétuo, e também uma regeneração que acompanha representações de salvadores da humanidade.

Penso que aqui entram os nazistas. A suástica como símbolo do nazismo é ideal porque representa esta dinâmica contínua que o poder nazista seria capaz de fazer. A regeneração moral de todo o mundo material seria concretizada com a instalação do III Reich.

A suástica sempre teve um sentido positivo em diferentes civilizações. Mas após Hitler, fica difícil restabelecer este símbolo, já que não há como desassociá-lo do mal que o nazismo provocou.

25 de setembro de 2012

A inocência dos muçulmanos e a liberdade de expressão

O filme A inocência dos muçulmanos, ao que tudo indica filmado na Califórnia, produzido e dirigido por Nakoula Basselet Nakoula, continua provocando protestos pacíficos e violentos em várias regiões do mundo.

Só pelo trailer dá pra perceber que o filme é tosco. Porém, mesmo se fosse bem produzido provocaria indignação igual ou maior.

Este episódio é emblemático, pois representa muito bem como é o olhar ocidental sobre os muçulmanos. E as perguntas que todos fazem: esse filme justifica tamanha violência? Esses muçulmanos não têm senso de humor? Só por que não concordam com o filme eles pensam que podem atacar as Embaixadas norteamericanas e matar gente que não possui nenhuma ligação direta com isso? E mesmo se tivessem alguma ligação, onde está a liberdade de expressão?

Particularmente, penso que as questões não são estas. A questão central é que este episódio faz parte de um conjunto de ações e de mentalidades gestadas no Ocidente contra o Islã que se prolongam por séculos e são marcadamente negativas. Não se trata de uma reação desmedida feita por um bando de desajustados. Não é um evento isolado. Ele está inserido num conjunto de ações. Os muçulmanos se opõem ao modo de como o Ocidente os vê. Se opõem a uma lógica ocidental caricaturada, perversa, degradante e sempre pejorativa presentes no modo como são retratados e na forma como a sua religião é compreendida.

Isso não é difícil de constatar. Geralmente, no Ocidente os muçulmanos só são "notícia" quando as bombas explodem. Esta é a visão que temos deles, visão fabricada em grande parte: são fanáticos, violentos, atrasados, oprimem as mulheres, são ignorantes e adoram bombas. O filme repete esteriótipos e acusações gestadas no Ocidente deste os tempos medievais. Maomé é um mulherengo pervertido. Por quê? Ora, os muçulmanos podem ter até 4 mulheres! Somos incapazes de compreender (na verdade nem nos importamos) que este costume quando surgiu foi um bem, um avanço para assistir e proteger as mulheres que ficavam sozinhas ao perderem seus maridos em constantes guerras entre tribos. Ou ainda, Maomé apresentado como um sujeito estúpido, ignorante e oportunista (afinal, ele não era analfabeto?) E vai além... Maomé apresentado como um pedófilo (ora, ele não se casou com uma criança de 6 anos! Que absurdo!) E mais. O filme até sugere homossexualismo.

Enfim, o Ocidente solapa tudo... a tradição, a cultura, a história e condena toda reação contrária sob a égide da liberdade e da democracia! O quê? Você está aprovando a violência? Claro que não! Já disse que esta não é a questão. O que critico é a nossa visão altiva e míope que não consegue perceber o quanto contribuímos para o ódio dos muçulmanos sobre nós.

Há ainda uma outra questão, uma provocação, vai... Tudo pode ser feito em nome da liberdade de expressão? Não há limites? Alguns dirão: os limites já existem e estão postos. Não se pode veicular conteúdos que fomentem a violência, a discriminação, o abuso de menores... Ora, não é estranho o fato da discriminação religiosa não fazer parte desta lista? Até faz, mas não foi aplicada neste caso. O pensamento mais inteligente que li a respeito desse evento foi dado por D. Arcipreste Vsevolod Chaplin do Patriarcado Ortodoxo Russo: "Pessoalmente creio que as contínuas ações na Catedral de Cristo Salvador, a divulgação de um filme que insulta o fundador do islamismo, os ataques contras as embaixadas estadunidenses e as suásticas nas paredes das sinagogas sejam elos da mesma corrente. (...) Quando se profana um símbolo importante para uma comunidade, se procura diminuir e desencorajar toda a comunidade".

Ora, há liberdade de expressão para isso?

24 de setembro de 2012

São Paulo: passado e presente


Houve uma época em que São Paulo era cidade pequena, bem mais acolhedora e aconchegante. O trabalho era farto. Tudo estava por construir. No lugar do asfalto e do concreto havia grandes chácaras e sítios que com o tempo foram transformados em bairros e vilas.
Houve uma época em que São Paulo tinha vida simples, nada de coisas dramáticas ou grandes tragédias anunciadas em jornais. Era a terra da garoa, terra dos estudantes de Direito, dos poetas românticos que se entregavam aos saraus e à boemia noturna iluminada inicialmente, à luz de gás.
Houve uma época em que a vida em São Paulo era calma. Os trilhos dos bondes recortavam toda a cidade. Ah o bonde... que sensação agradável passear de bonde... silencioso, ele deslizava calmamente por entre as ruas, esquina após esquina, sempre com aquela brisa suave no rosto. Nele, amigos se encontravam e desconhecidos se cumprimentavam cortesmente.
Houve uma época em que os rios de São Paulo corriam em seu curso natural serpenteando a cidade. Neles as pessoas nadavam, pescavam se divertiam em competições de barco.

Esta São Paulo já não existe mais. “São Paulo não podia parar”... e ela cresceu, cresceu tanto para limites cada vez mais distantes. O céu azul deu lugar às chaminés com fumaça negra, exaltada por todos como um sinal de progresso. A vida calma deu lugar à correria. O silêncio e a tranqüilidade deram lugar ao barulho e à poluição.

São Paulo é uma cidade que para crescer, destrói a si mesma... casas, monumentos, ruas, prédios, praças, parques, vão abaixo para dar lugar a novas construções numa velocidade assustadora. Por isso, São Paulo é um canteiro em obras, permanente...
São Paulo é terra de contrastes. A cidade é conhecida como a capital mundial da gastronomia com inúmeros restaurantes e no entanto, muita gente passa fome nas ruas e nas periferias.
São Paulo é terra de grandes negócios, fábricas e lojas de todo mundo. Mas também é terra do comércio informal, dos camelôs que todos os dias fogem dos guardas e fiscais da prefeitura.
Em São Paulo, tudo acontece primeiro. É por aqui que as grandes novidades tecnológicas e o mundo da moda entram no Brasil. E no entanto, grande parte da população não tem o que vestir, o que calçar, vive sem água encanada, sem esgoto e energia elétrica.
São Paulo é o maior pólo cultural do Brasil. Exposições, shows nacionais e internacionais, grandes espetáculos, cimenas, teatros, museus para todos os bolsos e gostos. E apesar disso, milhares estão excluídos de condições mínimas de educação.
Em São Paulo os carros e as motocicletas competem o espaço com as pessoas. Todo motorista se sente piloto. Quando o semáforo abre parece que todos estão em um grande prêmio de F1. E no entanto, os carros ficam mais tempo parados que andando...

Já o paulistano, esse é homem de trabalho. Está o tempo todo correndo, anda apressado, não é de muita paciência não... O paulistano pensa o tempo todo em sair da cidade, morar em outro lugar, fugir do trânsito. Na primeira folga ou feriado prolongado parte logo para a praia e pega um imenso engarrafamento para descer a serra. Mas nem se incomoda, já está acostumado... Contudo, quando está fora da cidade, não vê a hora de voltar. Afinal, como cantou Tom Zé: “Porém, com todo defeito, te carrego no meu peito. São, São Paulo quanta dor. São, São Paulo meu amor”.

21 de setembro de 2012

Garoto Gorfadinha em: Meu pai adora pizza de bacon

Oi pessoal! Estou em uma missão muito importante. Quero fazer uma grande surpresa para o meu pai. Vou investigar tudo sobre a origem da pizza que ele mais ama. Para isso, estou aqui na Inglaterra em pleno reinado de Vossa Majestade Jaime I. Mas vocês podem me dizer:
- Ué, mas pizza não tem mais a ver com a Itália?

E eu respondo:
- ...
Bom, deixa pra lá. Nosso entrevistado acabou de chegar.

Garoto Gorfadinha - Senhor Bacon, como o senhor se sente em ser responsável pela alegria de milhares de pessoas nos jantares de sábado ou de domingo?
Francis Bacon - Bem, ficaria muito feliz se minhas ideias fossem discutidas pelas pessoas durante seus jantares, ainda mais, nos jantares especiais de fins de semana. Porém, presumo que isso não ocorra.

Garoto Gorfadinha - Que isso, não seja tão modesto... É claro que bacon não chega a ser uma unanimidade, né. Mas é inegável que bacon combina muito bem com qualquer outra coisa! Na medida certa é muito bom!
Francis Bacon - Devo discordar de sua preciosa observação, ainda que a observação em meu método científico seja fundamental. Minhas ideais não combinam muito bem com as anteriores. Aliás, elas são muito originais!

Garoto Gorfadinha - Ah, então o senhor está me dizendo que tem todo um método de preparo? Poderia me falar mais sobre isso? Meu pai vai adorar!
Francis Bacon - O seu pai é cientista?
Garoto Gorfadinha - Sim! Ele adora investigar coisas.

Francis Bacon - Pois bem! Direi com muito gosto minhas principais ideias. Basicamente, procurei desenvolver um método para pensar e conhecer melhor as coisas. Percebi que grande parte do conhecimento produzido pelas pessoas estava mais relacionado a seus ídolos.
Garoto Gorfadinha - Não sou muito chegado em ídolos. Esse mundo de celebridades não me atrai.

Francis Bacon - Ídolos foi como chamei os pensamentos baseados em ideias preconcebidas, em crenças, em questões pessoais, em preconceitos, em suposições. O problema é que muitas dessas ideias são falsas, do ponto de vista científico. E elas são tomadas como base para a construção de novos conhecimentos. O que propus é um método científico baseado na observação de experimentos.

Garoto Gorfadinha - Confesso que estou um pouco confuso. Não pensava que bacon fosse tão complicado. Precisa mesmo de experiências em laboratório?
Francis Bacon - Calma rapaz! Não se trata de complicação, mas de rigor científico. Acredito que não se deve estudar a natureza com sentenças filosóficas, mas com experimentos científicos que resolvam problemas concretos e práticos. Quando uma experiência, após ser testada muitas vezes, consegue resolver um problema ou compreender a razão de um fenômeno, formulamos uma lei geral. Isso sim é ciência, meu garoto. Isso é ciência!

Garoto Gorfadinha - Espere!!! não vá embora, senhor Bacon! Puxa vida, ele não me disse nada sobre a massa e nem sobre o molho...

20 de setembro de 2012

Pensou que eu não vinha, mas pensou...

... cansou de esperar por mim.

Carbono 14 está de volta! Demorou, heim?
Será uma alegria recebê-los novamente.
O Carbono 14 continuará sua missão de apologia à História. É proselitismo escancarado mesmo.
Bem-vindos!