21 de dezembro de 2008

Muito obrigado!

Agradeço a todos vocês que ao longo deste ano fizeram o Carbono 14 presente em suas vidas por alguns momentos. A todos os que leram algum texto e àqueles que até se dispuseram a comentá-los, meu muito obrigado.

6 de dezembro de 2008

Papai Noel existe?

Não! Mas já existiu!!!
Segundo o professor Evaristo Eduardo de Miranda, o personagem Papai Noel foi inspirado em São Nicolau, arcebispo de Mira. Ele nasceu em 280 na cidade de Patara (Turquia). Este santo ficou conhecido por sua bondade e generosidade; ajudava pessoas com problemas financeiros e presenteava crianças pobres. Consta que ele socorreu muitos marinheiros vitimados por naufrágios. Por isso, São Nicolau é padroeiro das crianças e dos marinheiros. E foram os marinheiros que espalharam as histórias e os feitos de São Nicolau pela Europa. A história do velho bispo que dava presente às crianças ganhou o mundo. Mas, como São Nicolau virou Papai Noel? Nos primeiros séculos do cristianismo o bispo era considerado um pai, pois ele ao ministrar o sacramento do batismo fazia nascer novos cristãos. Então, o bispo é o Pai na fé. St. Nicklauss deu origem ao inglês Santa Claus. O nosso Papai Noel veio do termo em francês Père Noel. Já Noel é uma redução do hebraico imanu'el que significa Deus conosco.

É por isso que nas primeiras representações do Papai Noel, ele aparece levando presente às crianças com roupas de bispo, devido a São Nicolau.

ao lado, cartão postal austríaco

Para saber mais veja:

19 de novembro de 2008

Aprendendo na Pinacoteca

Visitar um museu pode ser algo prazeroso ou pavoroso! Quantas vezes eu vi nos museus pessoas cansadas, com cara de desespero, olhando e não vendo nada, morrendo de dores nas pernas...

Quantas vezes eu vi monitores falando para grupos de adolescentes que tem "olhos mas não vêem; ouvidos mas não ouvem"...

Quantas vezes eu ouvi grupos de alunos com perguntas inteligentíssimas sobre as obras de arte, como: "Falta muito?" "Já vamos embora?" "Quando vamos comer?"

Não se pode ver tudo em um museu. A visita deve ser preparada com objetivos muito claros e precisos. É melhor os alunos realizarem uma atividade de investigação a partir de um roteiro estabelecido pelo professor.


Não se trata de ficar falando muito aos alunos. Conhecer os artistas, as obras ou a história e a importância do museu são questões importantes, mas que podem ser trabalhadas e debatidas com os alunos antes da visita na própria escola. No dia da visita o professor faz breves e poucas intervenções deixando os alunos atuarem com autonomia a partir do roteiro proposto. Isso torna a visita mais produtiva e instigante, à medida que o aluno produz conhecimento através de sua própria observação, ao invés de ficar anotando o que ouve (quando ouve). Os resultados são surpreendentes e estimulantes! Eis um exemplo:

Antônio Parreiras (1869-1937) - Fim de romance (1912)

"Ligando o título da obra à imagem, (...) creio que o caboclo tenha se suicidado com o "fim do romance", um amor que para ele valia mais do que a própria vida. Percebo também que o cavalo, seu fiel companheiro, não o deixa (...) ele tenta "acordar" o dono morto, caído na estradinha de areia (...) Posso observar nos olhos do cavalo sofrimento, angústia, decepção e a perda irreparável de seu amigo caboclo".

Viviane Rosário dos Santos Cardoso - Senac Jabaquara.

17 de novembro de 2008

Chora que a mamãe compra

Uma das lembranças de infância de minha esposa é a de um vendedor de cocada que todos os dias passava pela porta da casa dela dizendo a todas as crianças que ele encontrava pelo caminho: "Chora que a mamãe compra!" Essa tática de venda terrorista era dita por um baiano muito simpático e engraçado. Agora que o Natal se aproxima os intervalos comercias estão repletos de táticas terroristas e nem um pouco engraçadas. Vale tudo para transformar os pequenos em cosumidores compulsivos de brinquedos. Quem não se lembra daquela famigerada propaganda da tesourinha "eu tenho, você não tem"? Hoje, ninguém diz "chora que a mamãe compra", mas o impositivo e autoritário "PEÇA JÁ O SEU!"

6 de novembro de 2008

Enfim, Obama

Parece que o mundo todo festejou a vitória de Obama. O que é muito justo. Ele é apresentado como salvador não apenas da pátria americana, mas do planeta em recessão. Expectativa perigosa essa...

Custa-me acreditar em algumas análises que ouvi por aí de gente muito entendida. Elas apontam para a grande mudança que a sociedade americana passou nos últimos tempos. A eleição de Obama representaria esse acerto de contas dos EUA com seu passado recente, marcado pelo racismo e pela segregação dos negros. Obama é a concretização dos direitos civis que tantos negros reivindicaram nos EUA. Quantos nos últimos dias retomaram Matin Luther King dando a entender que, finalmente agora, os homens nos Estados Unidos não são mais julgados pela cor da pele, mas por seu caráter. Afinal, Obama foi eleito!!!

Não sei não... Penso que se o Bush não tivesse sido essa catástrofe que foi para o mundo e para os EUA e se não houvesse crise nenhuma, Obama não seria eleito. Talvez, nem seria candidato. A esperança americana em Obama é mais fruto do desespero e da tragédia republicana-Bush que abalaram o "sonho americano".

31 de outubro de 2008

Alá e a crise americana

Recentemente, assisti novamente o filme de Michael Moore Fahrenheit 9/11. Ainda que este cineasta seja acusado de ser exagerado nas abordagens que faz (coisa que não concordo), talvez Moore seja um dos poucos americanos lúcidos do planeta (isso sim é um exagero). Numa sociedade que acredita em tudo o que é noticiado pela TV (ex. os EUA foram os campeões no quadro de medalhas nas Olimpíadas de Pequim, segundo a NBC ?!?!), Michael Moore caminha na contra-mão dessa sociedade. Parece que os americanos simplesmente não sabem o que realmente acontece nem no mundo e nem no seu próprio país (bem, nós brasileiros também não). Mas lá parece haver uma alienação, aqui é ignorância mesmo.

O que eu quero dizer é que parece existir um ufanismo tão grande que cega qualquer análise mais crítica sobre o que se passa. Afinal, o mundo não me interessa se tenho minha casa, meu carro e meu cartão de crédito que me faz consumir e "ser feliz". O acelerado crescimento econômico dos EUA no pós-guerra e a sua indiscutível supremacia em todos os setores potencializaram essa visão da sociedade americana cada vez mais voltada sobre si mesma. Ora, se somos fantásticos e não precisamos de ninguém, por que saber o que se passa no mundo? "Meu presidente cuida disso, da mesma forma como cuida de nós, bons cidadãos patriotas..."

Pois é, mas com a crise o mundo de fantasias está desmoronando. Penso na quantidade de americanos atônitos, perplexos... Se o que sempre imperou no cidadão foi a visão de mundo de um Estado poderoso, bajulado pela mídia, torna-se difícil a compreensão real dos fatos. Talvez seja por isso que Michael Moore seja tão odiado ou simplesmente ignorado por grande parte da população americana. Ele é um antipatriota!

Mas o que eu queria dizer mesmo é que, Fahrenheit 9/11 hoje prenuncia a crise, ainda que não fale dela. Nele vemos um presidente empossado sem ser eleito, preocupado em atender aos interesses das indústrias petrolíferas, armamentistas e das grandes construtoras às quais está ligado. Vemos um presidente que pensa poder resolver os problemas do mundo gastando bilhões numa guerra sem sentido atacando até hoje um falso inimigo. Hoje, Bush é um presidente sem poder e sem condições para lidar com os problemas internos, que rapidamente se tornaram problemas do mundo todo. Hoje, ele não é mais poderoso (na verdade nunca foi) e conta os dias para deixar a Casa Branca e voltar logo para o seu rancho. Dá pena...

O que me impressionou muito revendo o filme foram as palavras de uma iraniana que após um bombardeio, enquanto um homem tinha nas mãos uma criança toda ensangüentada e morta, gritar aos prantos: "ALÁ VAI DESTRUIR A CASA DE VOCÊS!!!" Ouvir isso num momento em que os americanos perdem suas casas e passam a viver nas ruas, dá até medo! Que profecia, heim?

19 de outubro de 2008

Cidadania: muito falada, pouco compreendida

Cidadania é uma daquelas palavras que sempre sai da boca de alguém com sentido já gasto. É palavra boa para discurso, embora nem sempre se saiba do que se trata... Talvez seja por isso que ela é tão usada! Ainda mais em época de eleição, cidadania aparece em todas as mídias, em discursos de políticos, em aulas e em conversas decomprometidas. Mas afinal, o que podemos entender por cidadania?

Bom, cidadania não é algo simplesmente; mas é uma coisa que acontece (ou deve acontecer). Trata-se de um exercício, de uma prática do indivíduo em sociedade. Mas não de qualquer prática! É a prática dos direitos mínimos tidos como essenciais para a sociedade, cujo resultado é a melhoria da própria sociedade e, conseqüentemente, do indivíduo que é parte dela. Assim, exercer a cidadania é gozar de alguns direitos que, no caso da sociedade brasileira, estão contemplados na Constituição Federal de 1988. Que direitos são esses? Cito alguns a partir dos artigos da Constituição:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; (segue uma série de outros)
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Então, a cidadania acontece quando todos esses direitos são garantidos pelo Estado a todos os brasileiros. Como isso não acontece (já que não temos saúde e educação pública decente, por exemplo), não podemos dizer que a cidadania é plenamente vivida na sociedade brasileira. Aliás, a maioria esmagadora da população está excluída da cidadania.

3 de setembro de 2008

American way of life


Imagine uma mulher toda sorridente em sua cozinha utilizando todos os seus eletrodomésticos para fazer uma torta. Seu marido acabou de chegar com seu novo carro conversível feliz da vida. Ele, apesar de ter trabalhado o dia todo, chama o seu filho e ambos, sorrindo sem parar, manobram o cortador de gramas elétrico no jardim da casa. Ao ouvir o papai, a filha mais nova sai correndo ao seu encontro mostrando o seu mais novo brinquedo. A mamãe chama e todos sorrindo felizes da vida sentam-se para comer a torta. Depois, todos felizes da vida, vão para a frente da TV. E assim, com o consumo de modernas e práticas tecnologias, reina a harmonia e a felicidade plena. Eis o Amerian way of life. Pelo menos essa é a sua representação em meados do século XX quando ainda havia a família tradicional. Hoje essa cena ganhou novos contornos, mas o espírito do American way of life permanece.

Esse modo de vida americano se espalhou pelo mundo e é imitado por diferentes sociedades. Ser como os americanos é ser considerado moderno. Até mesmo nas culturas mais tradicionais como a japonesa ou chinesa percebe-se o deslumbre pelo jeito americano de ser.

A sociedade de consumo se apresenta como sinônimo de felicidade. Eis o lema: "Compre para ser feliz!" Essa idéia de bem-estar, sucesso e felicidade associado à venda de um produto convence! Assim, somos impelidos a consumir coisas completamente dispensáveis para vida. Precisamos do celular de última geração ainda que o anterior cumpra plenamente a função para qual foi fabricado.

A sociedade de consumo valoriza as pessoas pelo que elas possuem e não pelo que elas são. Certamente, o grande ícone desta sociedade continua sendo o automóvel. Este, desde quando foi inventado nunca foi pensado simplesmente como algo que serve para levar pessoas de um lugar para outro. Ele é uma forma de ostentação e de poder, símbolo de ascensão social e de prestígio. É por isso que não se pode ter qualquer carro.

O resultado prático desse estilo de vida é a propagação cada vez maior de um jeito vazio de ser (um outro nome para o American way of life?) cujos valores éticos são deixados de lado em nome do dinheirinho que me faz comprar e "ser alguém".


31 de agosto de 2008

28 de agosto de 2008

A Revista Veja e o professor

Eu não queria falar sobre isso, mas não agüento. A tendência elitista da Veja em tratar os acontecimentos beira o terrorismo. E se ela é a maior revista formadora de opinião do Brasil, estamos perdidos...
Dizer que o professor deve ser neutro é tão ingênuo como acreditar na neutralidade da ciência. Esse discurso, a meu ver equivocado, opõe NEUTRALIDADE x DOUTRINAÇÃO. Doutrinação em aula é inaceitável. De fato, nenhum professor deve fazer proselitismo em sala de aula ou qualquer tipo de cooptação político-partidária. Um professor sério de História não faz juízo de valor sobre os acontecimentos passados ou presentes. Ele se esforça para compreender as ações humanas em todas as suas dimensões, matizes, motivações e implicações... Procura problematizar os fatos, questionar com responsabilidade uma dada realidade, seja ela passada ou presente. Ora, tudo isso impede qualquer neutralidade! Esse discurso elitista da neutralidade, a meu ver suprime a crítica. Na verdade, a tal neutralidade pretendida pela Veja consiste em transformar o professor num sujeito que deve apenas ensinar a matéria, assim como um trabalhador deve operar uma máquina. A Veja argumenta que essa é a vontade popular e que a educação democrática e cidadã deve atender a vontade do povo! Que argumento comovente, não?

Se o meu ofício consistir em apenas ensinar as causas da Primeira Guerra Mundial não vejo razão em ser professor. Não que eu não deva falar sobre elas, mas, para saber isso, basta ser alfabetizado e abrir o livro na página certa. Meus alunos não precisam de mim para isso. Minhas ambições são bem maiores e fazem parte da minha ideologia, pois ao contrário do que a Veja insinua, discurso ideológico não é apenas discurso de esquerda, mas todo e qualquer discurso. Não há ser no mundo que não comungue de uma ideologia, desde que ele exercite sua mente e não seja NEUTRO. Ideologia não pode ser uma palavra demonizada tanto por esquerdistas como por elitistas. Ideologia está presente em todo ser que pensa.
Mas a Veja insiste em falar sobre educação e continuar prestando o seu tão costumeiro (des) serviço jornalístico.

26 de agosto de 2008

O analfabeto político: nada melhor em época de eleição

Bertold Brecht (1898-1956)

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo".

22 de agosto de 2008

Pesquisa da Revista Veja

A pesquisa publicada pela revista Veja (20 agosto 2008) não reflete o pensamento de professores, pais e alunos das escolas públicas paulistas. Sinceramente, no ambiente em que eu convivo é muito difícil encontrar alguém satisfeito com o atual ensino e com a escola.
Segundo a Veja:
60% dos professores da escola pública consideram o ensino ótimo/bom
63% dos pais e 68% dos alunos pensam a mesma coisa.
Nossa! Será que a pesquisa foi feita na Suiça?

20 de agosto de 2008

Propaganda Eleitoral Gratuita

Começou o melhor programa de humor da TV brasileira! A Propaganda Eleitoral Gratuita promete. Aqui em São Paulo tem de tudo: doente mental, ex-presidiário, lutador, travesti, tang, jogador de futebol, pastor, cantor, cara de anjo, cara de objeto não identificado, ventríluco... e tem alguns políticos também!
Há propagandas que comovem pelo baixo orçamento: tecnologia da cartolina e pincel atômico como cenário e ausência de uma iluminação decente... o candidato desaparece na tela.
Há também aquelas músicas bem ridículas como "eu não nasci para viver engarrafado" sem contar com as soluções mirabolantes para resolver todos os nossos problemas.
Pena que trabalho à noite... ficarei sem dar boas gargalhadas.

6 de agosto de 2008

Olimpíada de Pequim

Toda Olimpíada é apresentada como a melhor de todos os tempos... Com a de Pequim, não é diferente. Particularmente, esta Olimpíada tem tudo para ser sem graça para mim. Não consigo nutrir simpatia pela China recente, pós Mao. A China Imperial sempre me encantou mais. A China atual me deixa triste. E não é uma impressão isolada. Parece que reina um mal estar geral depois de tantos protestos pelo mundo com a passagem da tocha.

Na verdade, tudo é mais complexo. A China incomoda de diferentes formas seja por questões políticas, econômicas ou sociais. Mas ela não pode ser simplesmente condenada. Afinal, não é ela o atual sonho e o paraíso dos capitalistas? Opor-se aos crimes contra os direitos humanos na China, que é algo muito louvável e correto, faz sentido se as multinacionais presentes naquele país agem sem humanidade? Que sentido há no fato dos atletas norte-americanos descerem no aeroporto de Pequim usando máscaras em forma de protesto contra a poluição se os EUA (ao lado da China) são os maiores responsáveis pela tragédia ambiental planetária?

Muito se tem falado sobre a intenção do governo chinês em utilizar a olimpíada como propaganda política. Bom, até aí nada de novo. Hitler fez o mesmo em Berlim, os americanos em Los Angeles, os russos em Moscou... Contudo, promover uma boa imagem da China para todo planeta, mais do que nunca, é essencial para um governo cada vez mais "queimado" pela opinião pública.

Na abertura dos jogos os chineses mostrarão sua história milenar. Mas o que resta na China deste passado? O que os comunistas não destruíram os capitalistas estão destruindo agora...



1 de agosto de 2008

Provocações: Existem outros planetas?

Não deixe de ver "Vozes da Rua" do programa Provocações da TV Cultura. Fantástico! Que bom saber que ainda há pessoas que pensam por conta própria!

Clique aqui: Existem outros planetas?

Por que ele insiste?

O senhor Paulo Maluf (não sei como ele ainda consegue aparecer na TV) terminou o debate dos candidatos a prefeito de São Paulo que ocorreu ontem na Bandeirantes dizendo que os melhores prefeitos da cidade foram engenheiros. Então, caberia ao povo escolher o que é melhor para a cidade: uma psicóloga (Marta), um anestesista (Alckmin) ou um engenheiro (o próprio)? Ai, ai... pelo menos nessas horas a gente solta umas gargalhadas...

"Se não fosse o Brasil, Barack Obama não teria nascido"

Foi o que disse o escritor Fernando Jorge no programa Provocações (31/7). A explicação é simples. Segundo ele, a mãe de Obama (uma americana branca), quando jovem, assistiu o filme "Orfeu Negro" baseado na obra Orfeu da Conceição de Vinícius de Moraes. Ela ficou encantada com o que viu. Depois, no Havaí, ela conheceu o queniano Barack Obama (muito parecido com o ator) e se entregou apaixonadamente a ele. E assim, nasceu Obama. Então, para Fernando Jorge, o candidato norte-americano existe graças a Vinícius de Moraes. Genial, não?

30 de julho de 2008

A conversão de Constantino

Veja só que intrigante. Diz a tradição que Constantino se converteu ao cristianismo após avistar nos céus da Gália uma cruz e uma inscrição que dizia: "Neste sinal, conquistai". Ele estava em luta com seu oponente Maxêncio. Constantino mandou fazer estandartes com o sinal da visão, além de pintá-lo nos escudos de seus soldados. Maxêncio foi derrotado na Ponte Mílvia, o que motivou a conversão de Constantino em 312.

Mas a sua conversão foi realmente sincera ou foi mais uma manobra política para atrair os cristãos para o seu lado? Ele foi um cristão convicto ou um oportunista?

É claro que é muito difícil saber... Constantino foi batizado no seu leito de morte em 337. Isso seria um argumento para questionar suas convicções a respeito da fé cristã. Porém, isso era muito comum nos primeiros séculos do cristianismo. Muitas pessoas adiavam o batismo para não correr o risco de cometer um grande pecado mortal e perder a vida eterna. Adiar o batismo significava, num certo sentido, não se comprometer totalmente com as palavras do Evangelho usufluindo dos prazeres do mundo.
Também não dá para acreditar que desde 312 Constantino tenha se aderido ao cristianismo com sincera convicção. Alguns estudos dizem que de 312 até 324 (um ano antes do Concílio de Nicéia) ocorreu uma evolução religiosa do imperador. Ele foi muito prudente em não negar de imediato o paganismo adotando fórmulas religiosas que pudessem ser aceitas tanto pelos cristãos, quanto pelos seguidores da religião romana. Também é possível dizer que Constantino, ao contrário de seus antecessores, percebeu que em meio às crises de um Império desacreditado pelos seus súditos, seria muito oportuno aproximar-se de uma instituição cujos líderes gozavam de grande prestígio e inspiravam confiança.
Então, é muito difícil avaliar as motivações interiores de Constantino em relação ao cristianismo. Porém, é bem provável que ele aceitou definitivamente uma nova fé após um lento processo de evolução religiosa, não desprezando de imediato as vantagem políticas e sociais que o acolhimento dos cristãos à vida civil do Império traria.

16 de julho de 2008

A sociedade do fone de ouvido

Trata-se de um mundo bem estranho. Nesta sociedade cada um ouve apenas o que lhe interessa, razão do fone. As pessoas ficam profundamente aborrecidas quando alguém tenta falar com elas, pois precisam tirar o fone do ouvido, ouvir novamente e responder ao que foi dito. Geralmente, respondem bem rapidamente e voltam a pôr o fone. Somente falam com alguém quando precisam de alguma coisa que não podem resolver sozinhas. Ninguém compartilha nada... nem alegrias, nem sonhos, nem tristezas, nem angústias. Nessa sociedade os pais desconhecem os filhos (não falam com eles, que sempre estão com o fone no ouvido). Já os filhos não possuem amigos (somente virtuais). Muitos vivem à base de antidepressivos e acham normal, como chupar bala.

Na sociedade do fone de ouvido muitos já desaprenderam a conversar, perderam a prática, não estão mais acostumados. Ficam com o fone o dia todo, e alguns, precisam do fone tocando alguma coisa para conseguir dormir.

Na sociedade do fone de ouvido muitos desconhecem o silêncio tão salutar para refletir e conhecer. Todos nesta sociedade pensam saber muito, mas desconhecem a si mesmos.

13 de julho de 2008

Debate entre Lula e Collor

Por esses dias pude assistir o segundo debate entre Lula e Collor para as eleições de 1989. Naquela época eu tinha 12 anos! Agora, nos meus 30 anos, foi tão difícil crer que aquele debate realmente tenha ocorrido daquela maneira... Revendo-o, parece mais algo fantástico, coisa criada pela imaginação humana. E, de certa forma, não foi? Pior que foi...
Penso que se o Lula tivesse vencido em 1989, certamente sofreria um golpe. Mesmo assim, revisitar todo o esforço nacional (e internacional), de gente endinheirada e importante para garantir a vitória de Collor da forma mais inescrupulosa possível, fez-me pensar: "Como isso pode acontecer? Não, não posso crer que realmente foi assim..." E foi! Alguém se lembra do jornalismo de baixo nível da Rede Globo quando ela fez a edição do debate no Jornal Nacional salientando os piores momentos de Lula e os melhores momentos de Collor, dando um tempo muito maior de exposição ao colorido?

Agora é possível ver o debate que a própria Rede Globo disponibilizou na íntegra. Muito interessante o empenho dos jornalistas em associar a queda do muro de Berlim com a eleição do Lula, que seria o representante do socialismo que caiu com o muro.
E o Collor? Parecia bem "sabedor" do que seria perguntado. Discurso pronto, impecável... E nem por isso sua argumentação não deixou de ser patética e apelativa (suficiente para assustar o povão e para tranqüilizar a elite). Disse que Lula defendia a luta armada, a invasão de terras produtivas, a invasão de casas e apartamentos (meu Deus, ele disse isso). Disse que para Lula, todos aqueles que não concordam com suas teses devem ser condenados (!!!) Lula iria se apropriar dos bens privados. Ops!!! No entanto, foi Collor que confiscou a caderneta de poupança.

Pois é... O Brasil elegeu o presidente bonitinho (quantas mulheres não votaram nele por isso?) ao invés do barbudo. E como Collor não possuía competência administrativa e muito menos um projeto político consistente e eficaz, para desviar a atenção da mídia e do povão, se portou como super-presidente. Imitava o Tarzan, lutava karatê, andava de jet-sky, fazia ginástica, pilotava caça da FAB, corria pra lá e pra cá com mensagens na camisa... Que patético... Enquanto isso a lambança e a corrupção corria solta. E quando a coisa complicou pra valer, passaram fogo no PC Farias (que sabia demais) e forjaram um crime passional!?!?!?
Hoje, nada disso parece verdadeiro... Lembra mais um roteiro de filme americano de quinta categoria com aqueles atores que ninguém conhece (tipo Super Cine).

Ah! Se alguém quiser acompanhar o debate é só CLICAR AQUI

7 de julho de 2008

Mulheres modernas e o ponto cruz

Minha esposa me fez observar um coisa interessante que parece acontecer cada vez mais, embora não seja uma lei geral. O mundo ainda é dos homens. Porém, o século XX é marcado por grandes conquistas femininas, apesar de muitas mulheres ainda não serem tratadas com a dignidade que merecem.

Penso em um caso específico: a conquista das mulheres no mercado de trabalho. É bem verdade que isso ocorreu para substituir os homens que foram para guerra. Além disso, as mulheres que sempre trabalharam mais (em casa), diante das dificuldades econômicas, tiveram de sair cumprindo jornada dupla. Estas mulheres, que sempre foram mais exploradas que os homens, podem ser exemplos de vida para muita gente.

Porém, penso naquelas poucas mulheres, de número cada vez mais crescente, que estudam, se formam, escolhem sua profissão e tentam se realizar nela. Conseguem um bom emprego e até assumem cargos de direção com salários que nenhum professor vai ganhar na vida. Elas ocupam funções que antes eram restritas ao universo masculino, provando que podem fazer tudo que os homens fazem e, não raro, melhor que eles.

Até aqui nenhuma novidade. Pois bem. Muitas dessas mulheres modernas, sinônimas de vida "bem sucedida", sonham com a vida de mulher normal!!! Muitas não suportam o trabalho que fazem e se queixam por não conseguir ficar mais em casa cuidando dos filhos. Querem mais tempo para comprar panos, costurar, bordar, fazer roupas para bonecas...

Que coisa!!! As filhas e as netas daquelas que queimaram soutiens adoram bordado e máquina de costura, como suas tataravós no século XIX!!!

4 de julho de 2008

Professor: profissão perigo

Esta postagem não é sobre o Magaiver.
Hoje, uma professora que eu conheço foi ameaçada de morte por uma mãe de aluno. O que ela fez? Humilhou a criança? Bateu no pobre aluno num surto de descontrole? Nada disso... Ela apenas ligou para a mãe pedindo para que ela comparecesse as 17:30 para conversar sobre o filho. A digníssima respondeu assim: "Eu vô na hora que eu querê!!!" - ou seja, ninguém manda em mim, certo?

As 18:20 a finíssima senhora compareceu e, evidentemente, não foi atendida prontamente, pois a professora cuidava da saída dos alunos. Ela pediu para a mãe esperar, que interpretou o fato como uma grande afronta. Então, com toda a delicadeza, a senhora partiu para cima da professora que teve de se trancar dentro da sala para não apanhar. Do lado de fora, a cidadã berrava os piores impropérios do mundo chutando a porta. Não podia faltar o clássico "vô te pega lá fora" (ah, os alunos da 1a série acompanhavam tudo de camarote... que privilégio, heim?)

A professora precisou sair escoltada pela polícia até a delegacia. Lá, apareceu um outro filho para levar os documentos da mãe (ambos com uma bela ficha). É claro que o cidadão, que comanda o pedaço, encarou a professora deixando claro qual seria sua sentença.

Agora, ela não pode trabalhar. Em uma atitude muito solidária o diretor da escola disse: "Você tinha que retirar a queixa. Quem mandou você não ter paciência com a mãe? Agora, todo mundo corre risco".

Você gosta de aventura? Emoções fortes? Então, seja professor!!!

3 de julho de 2008

As termas romanas e o banho nosso de cada dia

Minha professora de Paleografia dizia que quando era estudante na França, o aluguel que ela pagava na pensão era bem maior que o cobrado das moças de outros países. A dona da pensão dizia – horrorizada - que os estudantes brasileiros tomavam banho todos os dias!!! Portanto, gastavam mais.
Sabemos que o hábito do prazeroso chuveirinho quente diário foi herdado dos índios que se banhavam muitas vezes nos rios. Imaginem a inhaca que os indígenas sentiram quando Cabral desembarcou no litoral brasileiro...
Talvez isso seja explicado pelo fato de morarmos “num país tropical abençoado por Deus”. Já o clima lá na Europa... Então, banhar-se não parece um costume muito caro para eles.
Mas, e os banhos públicos nas termas romanas? Os romanos eram mais higiênicos que os seus sucessores?
Na verdade, os banhos faziam parte de um dos muitos prazeres públicos que os romanos jamais abriam mão. Segundo o historiador Paul Veyne, “o banho não era uma prática de higiene, e sim um prazer complexo”. As termas eram instalações grandiosas com água fria, quente, vapores, espaço para esporte e jogos. Todos podiam desfrutar, inclusive os pobres, pois se pagava muito pouco. Geralmente, os homens e as mulheres ficavam em salas separadas. Em síntese, uma terma era um estabelecimento para o prazer. Ela representava um estilo de vida desejado por todos. As termas de Caracala eram climatizadas. As pessoas buscavam calor num espaço, cuja arquitetura, segundo Veyne, lembrava um “palácio de sonhos”. Nela qualquer pessoa podia se sentir em um ambiente real, desfrutando da boa vida. Era um espaço para encontrar pessoas, fofocar e se exibir.
Já aqui em casa, quando se fala em banho, o Francesco grita e sai correndo...

25 de junho de 2008

Barack Obama vai levar mesmo?

A crise econômica lá nos Estados Unidos está tão séria que Barack Obama pode vencer as eleições!!!! Que coisa, heim? Americanos votando em um negro com nome de terrorista!!!!! Se ele ganhar, por quanto tempo o deixarão viver?

24 de junho de 2008

Não era DOMINGO e não teve FRANGO ASSADO. Mas o papo foi bom

Eu, Bernardo, Francesco, Federico, Lucia e Maikulan

Neste mês recebemos em casa meu ex-aluno e ator de cinema Maikulan, Federico Mutti e sua namorada Lucia. Federico dirigiu Maikulan no curta Domingo Frango Assado. Numa tarde fria, tomamos juntos um café!!! Fato admirável, pois este encontro era pouco provável há alguns meses atrás... Tudo começou com uma conversa informal em sala de aula que eu tive com Maikulan.

Vejam como essa história começou. CLIQUE AQUI.

Pude ouvir a grande aventura de Federico na Bahia e muitas histórias engraçadas que aconteceram na produção do filme. Maikulan, hoje estuda no 1 ano do Ensino Médio e estou a procura de um curso de teatro para ele.

Saiba mais sobre o curta Domingo Frango Assado:
http://www.myspace.com/jacarefilm

23 de junho de 2008

Capitão São Paulo


O Capitão São Paulo luta contra o vilão Barão Moóca que deseja dominar toda a Zona Leste, o Cambuci e o Ipiranga. Os outros episódios também são muito bons. Pena que são poucos. Eles retratam o cotidiano pouco racional da Cidade de São Paulo que tanto amo e o jeitão inconfundível de seus habitantes. Muito engraçado, pelo menos para quem vive aqui em Sampa. Não deixe de conferir.



21 de junho de 2008

Versalhes: Tratado de Paz ou Tratado de Guerra?

Um Tratado de Paz que provoca uma guerra... Pode isso? Coisas do homo sapiens sapiens (muito de homo, pouco de sapiens).
É o que foi o Tratado de Versalhes que pôs fim à 1ª Guerra Mundial. Ele obrigou a Alemanha a se reconhecer como responsável pelo conflito, além de impor pesadas indenizações ao país. Assim, a paz pretendida teve efeito contrário!

É claro que nos 6 meses de elaboração do tratado franceses e ingleses sabiam que tais imposições não promoveriam um paz duradora.

Diante dos efeitos da guerra, os franceses queriam se assegurar de que não seriam mais prejudicados pelos alemães por perdas humanas (1,5 milhão de mortos) e materiais. Julgavam que os alemães deveriam arcar com a destruição das fábricas, das minas e da infra-estrutura das cidades. Seria injusto os franceses bancarem com a reconstrução do país sem que os alemães tivessem parcela nisso. O problema é que exageraram na dose.

Já os ingleses ficaram com toda a frota de guerra da Alemanha e garantiram que com o tratado os alemães perdessem todas as suas colônias.

Mas é certo dizer que as imposições humilhantes direcionadas aos alemães no Tratado de Versalhes eram estimuladas mais pelos franceses que pelos ingleses.

Dentre outros aspectos, o Tratado de Versalhes previa:

  • A devolução da Alsácia e Lorena para a França;
  • A entrega de minas alemãs aos franceses;
  • A divisão do território alemão formando um corredor para que a recém Polônia tivesse uma saída para o Mar do Norte;
  • A redução do exército alemão para 100 mil homens;
  • A limitação de armamentos e munições;
  • A Alemanha deveria entregar aos vencedores todos os acusados de cometerem crimes de guerra;
  • Os alemães teriam de restituir animais e qualquer objeto perdido durante a guerra;
  • A Alemanha teria de fornecer à França 7 toneladas anuais de carvão mineral durante 10 anos;
  • Os alemães teriam de pagar um indenização de 20 milhões de marcos aos vencedores até 1921.

É claro que o povo alemão ficou profundamente indignado com todas estas condições. O tratado foi imposto sem que eles tivessem qualquer participação durante os 6 meses em que foi elaborado. As humilhações foram um terreno fértil para os discursos ultra nacionalistas de Adolf Hitler, o que explica a rápida ascensão do Partido Nazista no período entre guerras.

16 de junho de 2008

O problema é o calção

Foi o tempo em que eu era alucinado por futebol... Não sei a escalação do corinthians há muitos anos... Ontem, quando o Brasil perdeu para o Paraguai por 2 x 0, lembrei-me das palavras do meu tio Juarez, já morto: "Brasil com calção branco e camisa amarela, dá azar, só perde...."
De fato não é uma boa combinação. Mas, se o Brasil perder na quarta para a Argentina, fico imaginando o que o meu tio diria... Ah, um PALAVRÃO.

13 de junho de 2008

O rato Jeremias

Aluno vive pedindo aula diferente. Porém, no Estado, as aulas diferentes são impraticáveis por uma série de razões que eu não vou ficar lamentando agora. Mas hoje, aconteceu uma aula bem diferente! Apareceu um rato no telhado do primeiro andar no lado de fora da sala. Todos foram para a janela e deram até o nome de Jeremias para o ratão. Na escola pública é assim: os ratos tornam as aulas diferentes.

2 de junho de 2008

Virando picolé

Meu Deus!!! Que frio é este? Aqui em Sampa está demais!!! Para onde foi o aquecimento global???

23 de maio de 2008

Garoto Gorfadinha em: vacina marvada


Recém moradora de rua - Mataram a Jucleide!!! Os agente do seu Osvardo mataram a Jucleide!!!
Garoto Gorfadinha - O que aconteceu, minha senhora?
Recém moradora de rua - Mataram a Jucleide!!! Aquela vacina marvada do seu Osvardo matou a coitada da Jucleide!!! Esses desgraçados!!! Primeiro, tiraram nossa casa e agora tão tirando a nossa vida!!!
Garoto Gorfadinha - Que isso senhora! Vacina não mata ninguém não!
Recém moradora de rua - Mata sim! A Jucleide tomou a vacina e morreu moço! Essa gente do governo quer matar todos os pobres da cidade! Como num fica bem dar tiro na gente, eles inventaram essa vacina mardita pra matar pobre. Isso é coisa do seu Pereira e do seu Alves. Tá todo mundo revoltado! Hoje mesmo vai ter quebradeira!!!
Garoto Gorfadinha - Mas a vacina nada mais é do que um vírus enfraquecido da doença. Aí o corpo fica fortalecido e não pega o vírus de verdade!!!
Recém moradora de rua - Olha moço, disso eu não entendo não... Eu só sei que não é certo ficar colocando coisa de vaca dentro de nóis. Gente é gente, bicho é bicho. Hoje mesmo vacinaram minha filha à força. Ela tá esperando nenê moço. Se a coitada não morrer como a Jucleide a criança vai nascer com cara de bezerro!!! É isso que o povo tá dizendo!!!
Garoto Gorfadinha - A senhora sabe como é, né? O povo diz muitas coisas... Mas isso de quebradeira não é bom não! Muita gente pode se ferir ou morrer! Eu vou falar com o senhor Pereira Passos, pode deixar.
...
Senhor prefeito! Algo muito sério está prestes a acontecer! Se o senhor não agir imediatamente o Rio de Janeiro vai explodir em revolta!!!
Pereira Passos - Que isso rapaz. Há meses falam de uma tal revolta... Aqui é a Capital Federal! Aqui impera a "Ordem e o Progresso"! Aliás, de progresso eu entendo. Você viu como estamos modernizando o Rio de Janeiro? Em breve o Rio será a Paris Tropical! E sem falsa modéstia, eu me orgulho muito em ser responsável por tamanha façanha!!!
Garoto Gorfadinha - Mas seu prefeito, o povo não está gostando nada nada de tudo isso que o senhor anda fazendo; demolindo as casas das pessoas e vacinando todo mundo com violência e brutalidade, qualquer um se revolta mesmo!!!
Pereira Passos - O povo é ignorante... é incapaz de perceber os benefícios que a República pode oferecer! Eu não apenas estou modernizando e embelezando a cidade, rapaz. A exemplo de Haussmann, estamos saneando todo o espaço urbano. Isso é bom para o povo, além de melhorar a imagem da cidade no âmbito internacional. Os estrangeiros temem passar pelo Rio devido a quantidade de doenças contagiosas letais que temos por aqui. Mas o senhor Oswaldo Cruz, o maior sanitarista brasileiro, está resolvendo este grave problema. Ele tem competência e liberdade de atuação. Criticam a vacinação obrigatória contra a varíola? Pois eu lhe digo que são críticas descabidas. Facultativamente ninguém se vacina meu jovem. Estamos diante de um grave caso de saúde pública. E por isso, as medidas devem ser drásticas!
Garoto Gorfadinha - Mas por que o senhor não construiu novas moradias antes de demolir as casas das pessoas?
Pereira Passos - Nós não tiramos a casa de ninguém! Esses inúmeros cortiços no centro da cidade são ocupações irregulares! O povo nem deveria estar ali. Pois, então, arranjem um novo lugar para viver. Não temos dinheiro para construir casas para todos os pobres desta cidade...
Garoto Gorfadinha - E por que o governo não esclareceu a população sobre os benefícios da vacinação ao invés de agir com violência?
Pereira Passos - Esclarecer? Ora rapaz... infelizmente aqui não é a Europa. De que adianta fazer panfletos e distribuir ao povo se todos são analfabetos? A ignorância nada sabe, somente reconhece a força de quem fala mais alto.
Funcionário - Senhor prefeito, senhor prefeito!!! A revolta estourou!!! Viraram bondes e estão quebrando toda a cidade. Há até barricadas!!! Garoto Gorfadinha - Senhor prefeito, o Rio de Janeiro está em guerra...

20 de maio de 2008

Segredos da 25 de março

Dar aula para o Ensino de Jovens e Adultos é apalpar a realidade social e as vicissitudes humanas. Um grande aprendizado.

Um dos meus alunos trabalha duro como camelô na 25 de março.

Ele falou de como é seu cotidiano, de como é correr do rapa, da relação entre os comerciantes e os camelôs e dos camelôs entre si.

Disse também algo que eu não esperava: os camelôs vendem mais caro que os lojistas. Qualquer produto que está na rua é mais caro do que aquele que está na loja. A explicação é simples: os camelôs compram seus produtos nas lojas da própria 25 de março e revendem.

Segredinhos da 25...

19 de maio de 2008

Professores de Serra...

- É Serra... alguma coisa...
- Serra Leoa?
- Não, é outro bicho... mas vou me lembrar. É que os professores deste lugar possuem um sonho comum.
- Qual é?
- Todos sonham em se exonerar! Os que podem e conseguem saem pulando de alegria quando vêem o nome no D.O. Dão um grito, um tchau coletivo e saem correndo da escola como loucos deixando para traz todos os objetos da infelicidade dentro daquele armário enferrujado... Jamais voltam, nem passam pela rua. Tornam-se livres...
- Nossa! Que lugar é esse?
- Serra Macaco, Serra Girafa... Não, não... é nome de pássaro.
- Serra Papagaio?
- Não... mas vou me lembrar. Esses professores ganham pouco e por isso trabalham em várias escolas... mal conhece o nome dos alunos... Eles não têm tempo, dinheiro e nem tranqüilidade para investir na sua formação ou no preparo das aulas. Geralmente, não possuem material diversificado e atualizado para trabalhar. E quando aparece alguma coisa na escola ou é escasso ou nem é analisado pelo professor que vive correndo de um lado para o outro.
- Não é possível! Esse lugar não existe!!!
- Existe sim! É Serra... Tico-Tico, Sabiá...
- Urubu?
- Não... mas vou me lembrar. Todos os dias eles são desrespeitados. Sofrem violência moral e violência física por parte dos alunos. Então, nestas condições, ou deixam de lutar e se acomodam (pra não morrer ou pra não ficar louco) ou então, deixam de ser professores (se ainda possuem o mínimo de dignidade e de amor próprio) e vão fazer outra coisa na vida (os que podem, evidentemente).
- E assim realizam o sonho da exoneração?
- Sim! Mas esse é um número seleto de privilegiados... A maioria permanece! Estes, (na melhor das hipóteses) ficam sem ânimo trabalhando no limite físico e emocional, contando quantos dias faltam para o próximo feriado. (Na pior das hipóteses) os que permanecem nestas condições são afastados com problemas de saúde, são readaptados, ficam realmente doentes, estressados, com diagnóstico de depressão e de síndrome do pânico. Não podem ver alunos que começam a tremer, coitados...
- Nossa! Dar aula adoece?
- E como... Ah! Lembrei!!! O nome desse lugar é SERRA TUCANO!!! Fica bem próximo... É quase alí...

18 de maio de 2008

Ô desespero

Elas ficam ali no canto
Eu passo e sigo
Que desespero me dá esse monte de provas e diários...
Sempre ficam maiores!
Quanto mais corrige, mais cresce...
Se alimentam de canetas, de ar, de sangue.
É apavorante...
Olha aí! Tirando um barato da minha cara?!?!
"Não adianta fugir não..."
Fim de bimestre: que pesadelo.

12 de maio de 2008

Quadrados e triângulos por toda a parte

Agora o Francesco está de encontrar "cadados" e "angus" em todos os lugares: na TV, no encosto da cadeira, andando pela rua, nos objetos da casa... Essas crianças dão cada susto na gente! "Você é muito novo para estas coisas menino!"

9 de maio de 2008

Canudos e as favelas

O termo favela, da forma como nós conhecemos hoje, surgiu após a Guerra de Canudos. Os soldados cariocas que voltaram da 4a expedição que pôs fim à guerra foram responsáveis pela consolidação do termo. Favela é o nome de uma planta típica do sertão. Os militares apelidaram o morro que rodeava Canudos de "morro da favela". Ao voltarem para a capital, chamaram de favela a aglomeração de barracos que brotavam nos morros cariocas (como a planta em Canudos) por conta da reforma urbana feita por Pereira Passos. A demolição dos cortiços na região central do Rio de Janeiro expulsou a população que teve de ocupar os morros da cidade.

2 de maio de 2008

Acabaram as promoções

Certa vez comentei isso de mandar mensagem de texto (SMS) para participar de promoções e sorteios. Vejam lá!
Eu sou do tempo em que a promoções eram feitas para aumentar a venda do produto.
Hoje elas são feitas para ganhar dinheiro só com elas e nada mais...
Antes, era tão legal juntar tampinhas, selos, embalagens... e depois, era só trocar pelo prêmio ou enviar uma carta para aquela caixa postal e ficar torcendo no dia do sorteio.
Agora, além de não enviar carta pra lugar nenhum (só SMS), tem de juntar sei lá o que anexando um dinheirinho para "trocar" pelo prêmio?!?!? Até o prêmio eles vendem!!! Pode???

30 de abril de 2008

2 anos de Carbono 14


No final de abril e início de maio de 2006 nasceu o Carbono 14.
Lembro-me que na época escrevi sobre o 1º de Maio, uma teoria furada para mudar o nome do feriado. Tá curioso? Clique aqui.

Este blog nada mais é do que a continuação de uma idéia que eu e um amigo, o historiador Leandro Villela de Azevedo, tivemos lá pelos anos 1998 na FFLCH-USP. Fizemos jornal online Presente do Passado. Nosso objetivo era apresentar a História de um jeito diferente, indo além dos livros didáticos. Escrever sobre o que pouco se fala aos alunos do Ensino Fundamental e Médio. Esperávamos ser decodificadores da linguagem acadênica apresentando-a de uma forma descontraída e cativante para despertar o interesse pela História.

Este Blog ainda procura seguir estes princípios, embora sem grande êxito.
Agradeço muito aos poucos e fiéis leitores do Carbono 14, razão deste blog.

29 de abril de 2008

Haussmann e a reforma urbana de Paris

O barão Haussmann foi prefeito de Paris entre 1853-1870. Ele empreendeu uma profunda e polêmica reforma urbana que inspirou intervenções em várias outras cidades do mundo. O objetivo principal era modernizar Paris que em pleno século XIX mantinha muito de sua estrutura medieval, cujo centro era composto de muitos quarteirões insalubres. Seu projeto consistia em redesenhar o traçado urbano compondo uma “nova cidade” mais racional, organizada e harmônica. Para realizar esta tarefa foram necessárias várias demolições. Isso fez com que muitos estudiosos criticassem duramente essa haussmanização. As críticas não eram contrárias à reforma em si, mas sim à maneira como ela foi realizada.
Neste período a França era governada por Luis Bonaparte (sobrinho de Napoleão) que implantou um governo imperial assumindo o nome de Napoleão III. Então, a reforma teria sido uma demonstração desse autoritarismo, uma expressão de um governo imperial ditatorial. Outras críticas apontam o objetivo de cercear e controlar as manifestações populares. Assim, a ampliação e o alargamento das avenidas facilitava a atuação da repressão policial. Além disso, todo o embelezamento da cidade, os parques, os novos edifícios e monumentos atendiam muito mais à burguesia do que ao resto da população. Segundo essa crítica, o centro urbano de Paris foi transformado num espaço burguês e a população pobre que antes vivia ali foi alijada para a periferia.

Contudo, nos últimos anos os estudos apontam para uma revisão mais objetiva e menos ideológica a respeito da atuação de Haussmann. Havia dois problemas muito concretos que precisavam ser resolvidos: o da insalubridade (foco de doenças) e o da circulação.

Para sanar o primeiro problema era necessário arejar e iluminar os espaços e promover a higiene. Mas, sobretudo, também era preciso um conjunto de obras de infra-estrutura de impacto negativo (água, esgoto, gás, árvores), pois se demolia e revirava-se o terreno, causando grandes transtornos.

Por outro lado, para dar conta do problema da circulação (de pessoas e de coisas) era preciso remodelar o traçado urbano para que funcionasse uma lógica racional dos diferentes fluxos. Foram construídos três tipos de boulevards : os de cruzamento, os de ligação norte-sul e leste-oeste e os periféricos que delimitavam o espaço urbano (por onde entravam as mercadorias necessárias à cidade). Este último era o limite com o subúrbio de Paris. Ele ligava todas as entradas para a região central sendo uma espécie de contorno externo.

A haussmanização aliou urbanismo com arquitetura. A cidade de Paris foi pensada como sendo um só monumento em que todas as partes se articulavam. Todas as construções formavam um único monumento urbano interligado por jardins, praças e parques.

É por tudo isso que o Barão Haussmann foi considerado o primeiro urbanista moderno, o que não o exime de críticas.

28 de abril de 2008

Canudos não se rendeu


Em 14 março de 1897 Euclides da Cunha publicou o artigo "A nossa Vendéia" no jornal O Estado de S. Paulo (na época Província). Depois foi enviado pelo jornal como correspondente de guerra à Canudos. Este artigo dividido em duas partes faz menção à Revolta da Vendéia (departamento francês) cujos habitantes (que não aceitaram a queda da monarquia) levantaram-se contra a República instalada pela Revolução Francesa numa guerra civil que só terminaria em 1799. Muitos identificavam essa revolta a um fanatismo religioso alimentado pelo clero local.

Então, Canudos nada mais era do que um bando de fanáticos incapazes de reconhecer os avanços decorrentes do governo republicano. Ao descrever a geografia e a topografia da região, Euclides da Cunha disse que o sertanejo é um produto deste meio, e que, "como na Vendéia o fanatismo religioso que domina as suas almas ingênuas e simples é habilmente aproveitado pelos propagandistas do império". Ora, o grande propagandista do Império seria Antônio Conselheiro, que na visão do escritor era "o mais sério inimigo das forças republicanas".

Republicano convicto, Euclides da Cunha sintetizou o pensamento corrente entre as elites do sul: Canudos representava uma grande ameaça para a soberania da República. Esta visão de quem estava distante, mudaria completamente ao chegar em Canudos no final da 4a expedição para cobrir a guerra. Em "Os Sertões", sob a atmosfera do horror dos conflitos, Euclides da Cunha reformulará sua posição inicial: "Aquela Campanha de Canudos lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo".

Ciente da ação criminosa do governo republicano contra uma população desvalida e carente, Euclides da Cunha percebeu que Canudos não se tratava de um problema político, mas de um problema social. Canudos foi resultado de um descaso secular do governo brasileiro, alimentada pela exploração dos chefes locais, os chamados coronéis. Seguir Antônio Conselheiro, não era seguir uma tendência política, mas alcançar concretamente uma forma de vida melhor, ainda que austera.

Se em "A nossa Vendéia" Euclides nutria uma profunda admiração pelo Exército Brasileiro exaltando a bravura e a persistência dos soldados diante de um clima e de uma geografia hostil, como vemos em suas palavras "A marcha do exército nacional, a partir de Geremoabo e Monte Santo até Canudos, já constitui por isto um fato proeminente na nossa história militar. É uma pagina vibrante de abnegação e heroísmo", em "Os Sertões", Euclides denuncia o fanatismo e a violência desmedida dos soldados, além da covardia.

"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento (...) quando caíram seus últimos defensores, quando todos morreram. Eram apenas quatro: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados. (...)"


Leia também


27 de abril de 2008

Estou perdendo meu filho

Hoje apareceu o primeiro dentinho do Bernardo. Meu Deus! Logo, logo ele já está saindo de casa!!!

23 de abril de 2008

O Homem do Livro e a origem dos bebês

Batman pergunta:
De onde vem os bebês? Esta pergunta sempre me pega.
Batman com 4 anos de idade.
Homem do livro responde:
Os bebês vêm da barriga das mamães. Vamos jogar bola?

Batman com 6 anos de idade que pergunta: Como o bebê foi parar dentro da barriga da mamãe?
Homem do livro responde:
É assim. Quando o papai ama muito a mamãe e fica bem pertinho dela o bebê começa a crescer dentro da barriga da mamãe. Agora, vamos tomar um sorvete!!! Eba!!!

Batman com 9 anos de idade que pergunta: Como o bebê sai da barriga da mamãe?
Homem do livro responde:
Bem, quando a barriga da mamãe está muito grande, o bebê fica tão apertadinho, mas tão apertadinho lá dentro que procura um buraquinho pra sair. Ah, esse desenho tá muito chato! Vamos mudar de canal? Olha que engraçado!!!

Batman adolescente que já não pergunta mais estas coisas.
Homem do livro orienta:
Preciso te dizer uma coisa muito importante. Sexo é algo muito belo! E esta beleza que o sexo possui não depende tanto da beleza do homem e da mulher. Quando nos sentimos atraídos por alguém admiramos a beleza do corpo da pessoa e ficamos encatados! Mas até mesmo duas pessoas muito bonitas podem ficar muito tempo juntas e não existir beleza entre elas. Duas pessoas muito bonitas podem até namorar por um bom tempo e não haver beleza neste relacionamento. O que torna a união de um homem com uma mulher bela é o Amor. E o Amor não é uma comédia romântica hollywoodiana ou uma coisa sentimental açucarada. Amar é desejar o bem do outro de tal forma que nem nos importamos mais com os nossos interesses. Quando somos jovens temos uma sede muito grande de amar e ser de amado. Naturalmente, vamos buscando isso e, às vezes, queremos forçar que isso aconteça logo... e acabamos por mendigar o afeto das pessoas, ou estabelecer uma relação de posse sobre elas... Então, quando tentamos forçar à barra, a experiência "amorosa" sempre é decepcionante. Mas sabe de uma coisa? O Amor, quando realmente verdadeiro, não precisa ser buscado nos outros. É estranho, mas é ele que chega até nós! Somos surpreendidos por ele! É o Amor que nos procura em situações que não esperamos, com pessoas que nem imaginávamos! E quando isso acontece, entre essas duas pessoas passa a existir uma união que ultrapassa a compreensão, os sentidos, as sensações, as emoções... É um vínculo tão grande e forte, algo de espiritual que nos move ao absoluto, ao humanamente impossível e improvável... E quando o sexo se realiza neste contexto é muito belo, pois não se busca o prazer em si, mas uma doação de si ao outro. A união dos corpos só tem significado e valor quando antecedida por uma profunda união livre e sincera entre duas almas... Ah!!! Isso você já sabe. Mas é assim que surgem os bebês!
Mas agora me ensina aquele truque no video game.

19 de abril de 2008

A páscoa judaica


Hoje os judeus comemoram a Páscoa. Em uma celebração familiar acontece o Seder (em hebr. ordem), "uma refeição ritual que testemunha tudo o que é relatado na cerimônia com uma ordem pré estabelecida na seqüência da narração e no uso dos símbolos". Esta seqüência encontra-se na Haggadá de Pessach (narrativa da páscoa). Nesta cerimônia os judeus atualizam os acontecimentos da noite em que Deus, através de Moisés, libertou o povo de Israel da escravidão no Egito conduzindo-os à Terra Prometida.

A palavra hebraica pessach significa passagem, referência à passagem de Deus sobre às casas dos hebreus, quando exterminou os primogênitos dos egípcios, poupando e libertando seu povo.
No dia da páscoa, a leitura da haggadá é feita por toda a família num contexto celebrativo de oração, onde é realizada a refeição ritual (seder).
Fazem parte da refeição:

- Um cálice de vinho para cada conviva do qual se bebe 4 vezes:
1a como cálice do êxodo ou da santificação;
2a como cálice da libertação;
3a como cálice da salvação ou da benção;
4a como cálice da eleição.
- Um cálice para o profeta Elias.
- Três matzôt (pão ázimo) devido as três famílias judaicas (Cohen, Levi e Israel) que representam a salvação operada por Deus ao povo.
- Um osso tostado (representando o cordeiro).
- Um ovo cozido que simboliza que a vida do homem muda como o ovo vira, e que portanto, os que estão aflitos receberão consolo.
- Água salgada que simboliza as lágrimas derramadas no Egito.
- Marôr (erva amarga que representa a amargura do Egito).
- Charôsset que é um mingau de sabor doce e suave símbolo da argamassa usada no trabalho dos hebreus ao fazerem tijolos no Egito. Como o sabor é agradável, representa também o trabalho abençoado dos tempos messiânicos.

Em toda a Haggadá, por meio de um diálogo, o pai esclarece aos filhos os significados dos alimentos, a história dos patriarcas, narra como Deus os salvou, responde à perguntas das crianças como "o que destaca esta noite de todas as noites?"e conta um pouco a história de grandes rabinos do passado. Rezam-se salmos e cânticos tradicionais.

Porém, o fato mais importante é que esta celebração não consiste em apenas fazer uma recordação da páscoa judaica. Diz a haggadá: Em todos os tempos e em todas as gerações cumpre a cada um de Israel considerar-se libertado do jugo egípcio. Pois assim lemos: "Naquele dia, assim falarás a teu filho: Eis que Iahweh fez por mim, quando saí do Egito." Não só os nossos antepassados libertou o Santo, que seja bendito; Ele nos salvou com eles.

Portanto, para os judeus, não se trata de uma simples recordação da saída do Egito, mas sim, de tornar presente aquele acontecimento. Deus novamente liberta cada judeu ao celebrar a páscoa. Acontece novamente a passagem de Deus que, conforme rezam, "nos conduziu da escravidão para a liberdade, da aflição para a alegria, do luto para a festa, da escuridão para a luz brilhante, da opressão para a salvação".

18 de abril de 2008

Pena de morte: o último que foi para forca

No dia 6 de abr. de 2008 a Folha de S. Paulo divulgou uma pesquisa sobre a adoção da pena de morte no Brasil. 47% dos entrevistados manifestaram-se favoráveis à pena de morte e 46% contrários a ela. Há um ano os números eram: 55% a favor e 40% contra. A conclusão é que a opinião das pessoas sobre este tema é condicionada a eventos com crimes extremamente violentos que causam grande impacto e indignação (como a morte do menino João Hélio no ano passado). Então, se a pesquisa fosse feita depois caso da morte de Isabella o resultado seria outro. Um crime bárbaro faz com que as pessoas exijam punição extrema e exemplar. Os críticos desta realidade afirmam que a pena de morte só é discutida quando a classe média-alta é cruelmente vitimada. Diariamente, nas periferias das grandes cidades jovens e adolescentes pobres são brutalmente executados e isso não comove e nem gera indignação em ninguém. São lembrados apenas nas estatísticas.

A pena de morte vigorou no Brasil até o Império e foi banida com a primeira constituição republicana de 1891. Um dos últimos enforcamentos ocorreu em 7 de mar. de 1855, quando Motta Coqueiro - fazendeiro de Macabu - recebeu a pena capital. Seu crime: ser mandante do cruel assassinato de Francisco Benedito, camponês que vivia em suas terras, sua esposa e seus cinco filhos. Três assassinos invadiram a casa de Benedito à noite e mataram as 7 pessoas a facadas. Depois, atearam fogo. O crime chocou toda a região. A população em seguidas manifestações exigia o enforcamento do acusado, pressionando a Justiça. Motta Coqueiro depois de um mês foi encontrado e preso. Durante todo o processo ele negou envolvimento no crime. Mesmo pedindo apelação não conseguiu reverter a pena. Em suas cartas à família, com grande desespero, deixava claro que não possuía nenhuma relação com o acontecido. No dia de seu enforcamento rogou uma praga à cidade de Macaé: por 100 anos a cidade ficaria estagnada.

Se Motta Coqueiro era culpado ou inocente ninguém sabe ao certo. O fato é que, após sua execução, ficou constatado que as provas contra ele eram muito frágeis. O próprio processo continha falhas de procedimento. O caso teria motivado o Imperador D. Pedro II a suspender a pena de morte no Brasil. Porém, isso não é atestado por alguns historiadores.

De qualquer forma, tanto antes como hoje, a pena de morte ainda é considerada como alternativa mais pelo impacto emotivo que alguns crimes provocam na sociedade do que pela reflexão apurada sobre os reais benefícios que a sua implementação promoveria. O vocês pensam sobre?

14 de abril de 2008

Tudo o que diz a Bíblia é história real?

O Homem do livro tem um grave problema. Ele quase nunca responde ao que é perguntado e sempre termina com uma infinidade de outras questões...

Mas vamos lá. É impossível exigir rigor histórico na narrativa do Gênesis sobre Adão e Eva. Trata-se mais de um relato que comporta diferentes tradições populares.

Em se tratando de História, nem tudo o que está na Bíblia é verdadeiro. Mas isso não é um problema, pois a Bíblia não foi escrita com a preocupação de comprovar historicamente tudo o que aconteceu no passado. Por outro lado, não podemos dizer que ela é um amontoado de fantasias. A Bíblia é uma fonte documental para os historiadores não tanto para sabermos quando ou como as coisas aconteceram, mas para verificarmos costumes, relações de poder, aspectos culturais e estruturas de pensamento dos povos antigos.

Mais então... o Gênesis relata toda a criação realizada por Deus em 6 dias. Adão e Eva são os primeiros habitantes do mundo. Eva deu à luz Caim e Abel. Caim matou Abel. E depois? Como aconteceu o povoamento do planeta? O Gênesis não responde. E por quê? Porque não é este o objetivo do texto. Na verdade, há uma lacuna, uma sucessão temporal perceptível, mas não mencinada. Após o crime de Caim, diz o texto que este teria sido assinalado por Deus - um sinal de proteção - para que Caim não fosse assassinado por outros povos. E de onde vieram estes outros povos?

Pois é. Este é um problema para nós; mas não era de modo algum para os hebreus contemporâneos à composição do texto. Esta é a questão: o sentido espiritual do texto é mais importante que qualquer intenção de comprovação histórica, ou pelo menos, de uma narrativa historicamente coerente. Assim, os primeiros capítulos do Gênesis evidenciam como a relação harmônica e direta entre os homens e Deus foi rompida (pela vontade dos homens) e quais foram as suas conseqüências. Portanto, é o sentido religioso que importa. E neste caso, o rigor científico nem deve ser considerado.

Leia também:

Quem é o Homem do Livro

9 de abril de 2008

A descendência de Adão e Eva segundo o Homem do Livro

Batman e Robin perguntam:
Adão e Eva eram os únicos humanos que habitavam o planeta. Vamos supor que eles tiveram um filho que deram o nome de Daniel. Depois, eles tiveram uma filha que deram o nome de Patrícia. Daí, para a população crescer, o único jeito seria o Daniel ter um filho com a Patrícia (sua irmã) certo ?????

Homem do Livro responde:
Por todos os mocegos de Gothan City!!! Batman e Robin prenderam mais um vilão que arquitetava dominar o mundo!!! Após uma alucinante perseguição o homem-morcego capturou o perigoso Caim. O meliante confessou ter assassinado seu irmão Abel. Esta era a primeira parte de um meticuloso plano para dominar todo o Jardim do Éden.
Após interrogatório, Batman e Robin constataram que um problema familiar foi a causa da tragédia: a INVEJA - o mais detestável de todos os vícios - que o meliante sentia pelo irmão era tamanha que ele cometeu o crime. Os pais da vítima foram procurados, mas se negaram a comentar o caso.
O que ainda falta esclarecer:
Se Caim matou Abel, quem matou Celso Daniel?
Patrícia sabia do plano de Caim?
Se Adão e Eva tinham apenas dois filhos (Caim e Abel), como Daniel e Patrícia entraram no Jardim do Éden?

3 de abril de 2008

Banheiros da USP e a internet

Certa vez, ainda na faculdade, entrei no banheiro e me deparei com um rapaz portando uma filmadora ligada!!! Logo ele percebeu meu espanto, pois ninguém espera ser filmado enquanto urina... Disse-me para ficar tranqüilo. Ele se apresentou como um estudante da ECA e estava fazendo um trabalho de graduação, um curta, cuja temática era os recadinhos encontrados nos banheiros da USP. Para mim, os banheiros da USP ofereciam uma distinta oportunidade de contemplar a obra acadêmica enquanto se obra. Então, eu achei a idéia genial e não me importei em ser entrevistado - sem realizar o que eu pretendia fazer ali, é claro.
Ele me perguntou o que eu pensava sobre todas aquelas coisas escritas nos banheiros. Eu disse que, geralmente, achava muito divertido aquelas discussões entre comunistas e anticomunistas, críticas a organização (ou desorganização) da USP, os atributos dados a alguns professores... uma verdadeira obra coletiva.
Depois, ele me perguntou se eu acreditava naqueles recadinhos com telefone ou e-mail para contato logo abaixo de alguma descrição fálica ou esférica. Repondi que todos aqueles recadinhos picantes poderiam ser verdadeiros, mas que preferia acreditar que alguém deixava lá o telefone de outra pessoa só pra sacanear...
Ele pediu para que eu finalizasse minha primeira e única entrevista - a saber, hiper inusitada - dizendo o que me chamava mais atenção em todos aqueles escritos. Então, demonstrando possuir uma "apurada mente reflexiva" (mesmo naquelas circunstâncias), disse que o que mais me impressionava era perceber como que nesta atitude se manifestavam os valentões do anonimato, com críticas e idéias truncadas feitas de forma muito violenta e agressiva contra o seu debatedor. Ali estavam prolongados diálogos que jamais aconteceriam daquela forma olho-a-olho, mas que o anonimato tornavam possíveis.
Bom, eu me lembrei de tudo isso enquanto pensava na violência verbal e moral que são disseminadas pela internet em sites de relacionamento e em blogs. Essa difamação agressiva é cada vez mais comum entre os adolescentes que se escondem atrás do anonimato. São os banheiros da USP virtuais.

2 de abril de 2008

Os carteiros e as balas perdidas

Ontem, minha esposa foi até os Correios para enviar uma encomenda para o Rio de Janeiro. Um funcionário muito atencioso lhe explicou que os Correios da Cidade Maravilhosa estavam em greve e as entregas atrasadas. O pior é que os reflexos já eram sentidos em São Paulo, pois uma greve afeta a logística de todo país.
Ela achou estranho só os carteiros do Rio estarem em greve. O rapaz respondeu que não se tratava de uma questão salarial, mas de condições de trabalho. Os carteiros cariocas exigem segurança para poder trabalhar!!! Eles são constantemente assaltados, são alvo de ameaças e trabalham em meio a tiroteios!!! Mais essa sobre o Rio... Arrastão, tráfico, drogas, policiais corruptos, milícias, hospitais caóticos, dengue... Meu Deus!!! Sempre pode piorar!!!
E minha esposa comentou: "além de fugir dos cachorros, agora eles tem de correr de balas perdidas..."

1 de abril de 2008

1º de abril

Serra aumentou o salário dos professores!!!
Corinthians vai ser campeão paulista!!!
Ninguém tirou vermelho na prova de História!!!
Alguém sabe de onde veio esta história de Dia da Mentira?

31 de março de 2008

Cristóvão Colombo x Américo Vespúcio

"Eu sou apenas um rapaz latino-americano
sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior"...
Belchior
Se a América foi encontrada por Colombo, por que o nosso continente não se chama Columbia?
É uma grande injustiça... O fato é que os manuscrito das viagens de Colombo para no Novo Mundo não tiveram muita repercussão na Europa. Será que ele não soube fazer uma grande publicidade do seu feito? Na verdade, Colombo morreu com a convicção de que havia encontrado um novo caminho para as Índias. Jamais suspeitou que aqui fosse um continente. Então, ninguém fez questão de creditar a fantástica descoberta ao autor...

Já Américo Vespúcio alardeou as suas 4 viagens ocorridas entre 1494 e 1504 relatando-as no seu livro Quatuor Americi Vesputii Navigationes. E conta a história que Renato II, Duque de Lorena, apresentou um exemplar do livro a um grupo de intelectuais. Assim, sua obra passou a ser cada vez mais divulgada. Um desses intelectuais, Martin Waldseemüller (1470-1521), homenageou Vespúcio em um texto introdutório à Geografia de Ptolomeu (editada em 1507) dando o nome de América ao continente descoberto por Colombo. A moda pegou e todo mundo começou a utilizar este termo.
Mas, o que soa melhor: América do Sul ou Columbia do Sul?

18 de março de 2008

O encontro dos índios com os portugueses

Foi mais ou menos assim. Bem lá longe, em meio ao imenso mar azul, surgiu um pontinho branco que foi crescendo e crescendo… Quanto maior ficava, maior era a movimentação na praia. “O que seria aquilo?”, perguntavam uns aos outros. “De quem poderia ser aquela canoa gigante?” Alguns arriscavam uma resposta: “É a deusa Maíra que veio do mar!” Surpresos, todos permaneciam ali paradinhos com os olhos arregalados! Jamais tinham visto coisa parecida. “Mas, se são mesmo os deuses, o que querem de nós?” Silêncio absoluto.
Os portugueses, exaustos e famintos depois da longa viagem, aproximam-se num pequeno barco trazendo no corpo as feridas causadas pelo escorbuto além do terrível mau cheiro dos vários dias sem banho. Os índios, ao verem aquela estranha criatura com panos sobre corpo e pêlos nas faces, exclamaram: “Como são feios! Não são deuses, são demônios!
Foi assim que Darcy Ribeiro comentou como foi o primeiro contato entre índios e portugueses. Apesar da brincadeira, o antropólogo e educador falava da quebra de expectativa que aconteceu neste estranho encontro. Os índios teriam se desencantado logo. Já os europeus, observando os corpos robustos e bem feitos dos homens e, sobretudo, a beleza das índias todas nuas ficaram deslumbrados. Depois de meses navegando sem ver uma mulher, imaginem o impacto provocado por aquela visão paradisíaca... nove meses depois dos portugueses pisarem nas areias da praia, nasceu o primeiro brasileiro...

15 de março de 2008

Cabral chegou aqui primeiro?

Depois do descobrimento do Brasil, outros países tentaram provar que os portugueses não havia sido os primeiros a chegarem aqui. Os franceses diziam que um de seus marinheiros, Jean Cousin havia realizado uma viagem para explorar o oceano Atlântico em 1488 e chegou em uma terra desconhecida na foz de um grande rio, que hoje chamamos de Amazonas. Tudo não passou de uma grande mentira, pois nunca se encontrou um documento que comprovasse a tal viagem. Mas não foram apenas os franceses que tentaram convencer o resto do mundo da descoberta do Brasil: os alemães também. Um tal de Martim Behaim teria descoberto o norte do Brasil, quando descobrira a América (antes de Colombo, é claro) e de quebra, teria atingido o extremo sul da América antes de Fernão de Magalhães. Parece piada, né? Mas muita gente acreditou nisso.
O fato é que um navegante espanhol Alonso de Hojeda, acompanhado do cartógrafo Juan de la Cosa e de Américo Vespúcio partiu da Espanha para continuar os descobrimentos de Colombo. Segundo Vespúcio, a expedição tinha alcançado terras a 5 graus de latitude sul, chegando, portanto, no atual estado do Rio Grande do Norte. Mas o próprio Alonso em um depoimento dado no ano de 1513 afirmou ter alcançado 4,5 graus de latitude norte. Assim sendo, estaria longe do litoral brasileiro. Conclusão: não dá pra afirmar nada.
Outro espanhol, Vicente Yáñez Pinzón chegou, com certeza, um pouquinho antes de Cabral em 26 de janeiro de 1500. Pinzón alcançou o atual cabo de Santo Agostinho em Pernambuco e navegou para o norte até o “mar-dulce”, o rio Amazonas. Depois contornou a costa até o cabo Orange e o rio Oiapoque.
Sabe-se também que mais um espanhol Diogo de Lepe realizou quase o mesmo itinerário que Pinzón, porém alguns historiadores desconfiam se ele realmente avistou a costa brasileira.
Resumindo, Pinzón chegou primeiro, mas Cabral ficou com a fama.

13 de março de 2008

Para onde foi o nariz da Esfinge?

O que aconteceu com o nariz da Esfinge?
Será que um grande raio rasgando os céus atingiu o coitado?
Ou então, será que ele simplesmente caiu corroído pela erosão ao longo dos séculos?

Nada disso. O narizinho da Esfinge foi para o beleleu por culpa de Napoleão Bonaparte. Em 1798 o exército napoleônico invadiu o Egito. Sua intenção era na verdade prejudicar a Inglaterra, pois o Egito era utilizado pelos ingleses como rota comercial até o Oriente. Tudo indica que o pobre nariz foi alvo dos canhões da artilharia napoleônica em uma das suas batalhas.

Napoleão não levou para o Egito apenas soldados e equipamentos de guerra. Participaram da expedição cientistas, arqueólogos, desenhistas... Apesar de destruir o narizinho arrebitado da Esfinge, Napoleão, com sua a missão científica, também desejava investigar, estudar e compreender aquele mundo cercado de mistérios. Então, os franceses fizeram a primeira grande espoliação em massa de objetos diversos e materiais arqueológicos egípcios levando-os para a França. Por outro lado, foram os franceses que encontraram a Pedra de Roseta, com a qual Champollion, anos depois, decifraria os hieróglifos. Finalmente, foi possível compreender de forma mais objetiva o Egito e sua História. Na verdade, ainda sabemos pouco... o muito ainda encontra-se sob as areias...
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10 de março de 2008

Há 20 anos, um acontecimento histórico!


No dia 10 de março de 1988, há exatos 20 anos, marquei meu primeiro gol jogando na escolinha do campo da lagoa. Aquilo foi tão importante para mim que registrei o feito em um caderno (preocupação inconsciente de futuro historiador).
Além dos outros meninos, que certamente nem lembram quem eu sou, como testemunhas tive meu avô e minha irmazinha de 7 anos que acompanhavam tudo do alambrado.
Não foi um belo gol nem uma grande jogada. Alguém chutou, o goleiro rebateu e a bola veio direto para o meu pé. Com o gol todo escancarada na minha frente, não tive como errar...
Faz 20 anos que fiz meu primeiro e único gol...

8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

Mais uma hipocrisia... Muito se fala da mulher na semana do dia 8 de março, e no dia 9, ninguém toca no assunto... A televisão, as lojas com lembrancinhas, os mesmos cartazes nas paredes das escolas... As mesmas coisas estereotipadas sem objetivos definidos... Para que esse dia? Para os homens se lembrarem que as mulheres existem?
Serve para comemorar as conquistas das mulheres!!! Mas, quando essas conquistas as fazem se assemelhar cada vez mais aos homens tão mesquinhos e prepotentes, comemorar o quê?

3 de março de 2008

A progressão continuada

A idéia possuía um princípio bem honesto na sua origem: apontar o problema de um ensino punitivo calcado na reprovação, que contribuía para aumentar os índices de evasão e que feria a auto-estima do aluno.
Assim, a progressão se afirmava como uma alternativa muito válida e até humana: estender o processo de ensino em ciclos mais longos que permitiam aos alunos atingirem os requisitos básicos necessários para continuar seguindo adiante, mesmo que se, naquele ano, tais objetivos não tivessem sido plenamente atingidos. Então, trocou-se o "você não sabe e por isso vai repetir", pelo "você ainda não sabe, mas vamos trabalhar melhor, retomar suas dificuldades... segue adiante".
Bom, uma boa idéia quando mal aplicada se torna catastrófica. E, em meio a catástrofe, a mesma idéia quando insistentemente mal aplicada, torna-se criminosa. Foi o que aconteceu com a progressão continuada. Ainda que senhora Secretária de Educação Maria Helena Guimarães de Castro diga que a progressão continuada não é um problema e só não deu certo porque o professor não gosta dela, a tragédia na qualidade de ensino é evidente. A questão não é a progressão em si, mas a forma como os sucessivos governos tucanos a aplicaram.
No Brasil se faz educação por decreto, por leis, sem mudanças estruturais significativas. De que adianta ter uma lei educacional considerada como referência, como um modelo mundial, se a situação concreta da educação brasileira faz com que nossos alunos disputem as últimas posições com os alunos dos países subdesenvolvidos da África e da Ásia em qualquer sistema internacinal de avaliação?

Ao meu ver, a progressão continuada contribuiu para que a escola deixasse de ser um espaço de ensino e aprendizagem. Ela não funciona porque a estrutura real de trabalho do professor não permite sua realização. O que parecia uma preocupação de cunho bem humanista se transformou em atitude criminosa, pois muitos alunos passam pela escola e permanecem analfabetos reais ou funcionais.
O espírito da progressão continuada funcionaria se o professor tivesse o tempo e material pedagógico eficiente para preparar e desenvolver atividades diversificadas que atendessem aos reais problemas do aluno de forma muito específica. A progressão funcionaria se o professor pudesse considerar o aluno em sua totalidade, conhecendo-o profundamente sua história, sua condição de vida em família, seus reais problemas emocionais e cognitivos identificado por especialistas e, a partir daí, fazer com que toda estratégia pedagógica visasse a formação integral daquele indivíduo, isto é, uma educação para torná-lo uma pessoa melhor. E isso não se faz por decreto.

24 de fevereiro de 2008

As montadoras de veículos e o aquecimento global

Já repararam que as propagandas de carros modelo adventure sempre estão em contato com a natureza? Nada de mais, afinal, o carro foi feito para gente assim, que gosta de aventura e de emoção. É o carro ideal para fugir do caos urbano e contemplar a natureza idílica em locais de difícil acesso. Isso não é estranho? Temos um carro ideal para poluir lugares que os outros carros não conseguem chegar?!?!?!

Eu não quero voltar às carroças não... Preciso do meu carrinho para chegar até a escola! Mas é bom pensar sobre as incoerências do mundo dos homens. O relatório do IPCC responsabilizou a atuação humana pelo aumento da temperatura do planeta. Então, os gases resultantes da intensa produção industrial e da queima de combustíveis dos diferentes meios de transporte fazem nosso mundo piorar cada vez mais. No entanto, ninguém é louco de desacelerar a econômia em benefício do futuro do planeta. O que importa são os negócios! O que importa é o capital! O capital que tudo domina e que tudo danifica.
Por curiosidade, tentei descobrir dados sobre a fabricação de carros no Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, em 2007, foram vendidos 2.444.437 veículos no país. A produção e a compra tem aumentado vertiginosamente diante das facilidades em conseguir um financiamento. E entre adquirir o grande sonho de consumo ou ajudar a preservar o planeta...

Em tempos em que a palavra do momento é sustentabilidade, eu fiquei pensando em como seria uma propaganda, uma campanha publicitária ecologicamente correta de uma grande montadora. Como passar a idéia de "preserve o planeta, compre um carro"? Alguém teria uma sugestão?

22 de fevereiro de 2008

Meus poemas

Paz

Recobrar a Paz é voltar à vida
é passar pelo tempo sem ser atormentado
é tranqüilidade não fingida

Estar em Paz é mergulhar na própria alma
e nela sentir doce encanto
mais doce que criança em acalanto
mais seguro que conselho de mãe que acalma

Transmitir a Paz é agir sem nada fazer
é provocar sorriso e nele se alegrar
e na suave melodia do universo se deixar envolver

19 de fevereiro de 2008

Imperialismo, neocolonialismo e colonialismo na Europa

Como assim? colonialismo na Europa?!?!
É isso mesmo! A Europa colonizadora, hoje é colonizada por latinos, asiáticos e africanos em busca de uma vida melhor. É como se estivesse acontecendo o processo inverso do ocorrido nos séculos XV, XVI e XIX.
Bom, na verdade, trata-se de mais um fenômeno de migração que existe neste planeta desde o surgimento do primeiro homo erectus. Colonização é algo mais complexo que envolve um projeto claro, articulado, de grandes dimensões. Mas, talvez seja possível divagar por aí, uma espécie de ironia meio esquesita da história. Não há como não relacioná-lo ao Imperialismo.

Chamamos a ação imperialista dos países europeus sobre a África e a Ásia de neocolonialismo. Em busca de matéria-prima para abastecer as indústrias européias em meio à Segunda Revolução Industrial, o continente africano e parte da Ásia foram divididos entre as potências européias. Esta exploração garantiu que a Europa ficasse ainda mais rica. Já a África e a Ásia mergulharam numa profunda miséria cujos efeitos são sentidos até hoje.

A atuação européia resultou na estagnação econômica e na ausência de condições mínimas de infra-estrutura nestas regiões. Além disso, os europeus desarticularam toda a organização tribal em seus territórios, o que gerou intensos conflitos de grupos rivais pelo poder após a independência das colônias. A fome, a miséria, a guerra e as epidemias destróem populações inteiras ainda hoje.

Bom, mas por que é possível falar em colonialismo na Europa?
Com a descolonização da Áfria e da Ásia após a Segunda Guerra Mundial alguns países europeus como a França facilitaram o acesso de seus ex-colonos à cidadania. Era uma forma de compensação, de limpar essa mancha no passado da nação que primeiro defendeu os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Então, muitos africanos e asiáticos migraram para a Europa em busca de uma vida melhor. Esses migrantes vivem mas periferias das grandes cidades (como Paris) e, geralmente, não conseguem emprego.
Após décadas de políticas que incentivaram a contracepção e a conseqüente queda dos índices de natalidade, a Europa se vê num dilema: em algumas regiões o crescimento vegetativo é negativo (morre mais gente do que nasce). O imigrante é, portanto, necessário para compor quadros no setor produtivo, mas muitos não possuem qualificação. Os que chegam desejam usufluir das vantagens da União Européia e não querem incorporar a cultura e o modo de vida local. Trazem seus costumes, sua religião, vivem juntos em guetos para preservar sua identidade cultural. São vistos com desconfiança e responsabilizados pelo aumento da criminalidade. Os conflitos são cada vez mais freqüentes e o clima de xenofobia ora velado, ora escancarado está muito presente entre os europeus. À contragosto, a velha Europa aos poucos é renovada pelos ex-colonos que tanto explorou um dia...

17 de fevereiro de 2008

A Belle Époque e a Revolução Tecno-científica


Chamamos de Belle Époque o período de 43 anos entre o final da Guerra Franco-Prussiana (1871) e o início da 1ª Guerra Mundial (1914). Este período de paz possibilitou um espírito de harmonia social e de grande euforia. A ausência de guerras na Europa e, conseqüentemente, a atmosfera de tranqüilidade, levaram os europeus a desfrutar cada vez mais da vida, através de divertimentos como circos, casas de espetáculos (music-hall) e o cinema.

Tudo era festa. Havia uma grande procura por entretenimentos sensacionais e extraordinários; qualquer coisa que rompesse a barreira do cotidiano comportado das pessoas era buscada. Assim, casas de espetáculos como o Moulin Rouge em Paris eram muito freqüentadas. O Moulin Rouge era uma mistura de prostíbulo, circo com acrobatas e danças orientais, artistas que cantavam, recitavam poemas e contavam piadas... Havia uma interação total do público com os espetáculos. As pessoas comiam, bebiam, falavam, gritavam, vaiavam, aplaudiam, atuavam com os artistas, enfim, tudo muito espontâneo e sem regras de comportamento. Muito mais que um local de lazer, o music-hall oferecia aos freqüentadores uma liberdade de comportamento que não era possível no dia-a-dia urbano. Nele, também se realizavam comentários sobre política e sobre a sociedade parisiense. Geralmente, todas os shows eram apresentados de forma extravagante ou bizarra. Desta maneira, as casas de espetáculos retratavam um clima presente em grande parte da população européia: a busca pela boa vida e pelo desfrute das comodidades do avanço da ciência.

Toda essa euforia era alimentada pela Revolução Tecno-científica que ocorreu a partir de 1870. Novos campos industriais foram gerados como a indústria química, farmacêutica, “eletrotécnica” e petrolífera. Esses avanços tecnológicos não apenas aumentaram a produção industrial, mas a diversificou, colocando no mercado consumidor uma série de invenções dentre as quais, muitas ainda fazem parte do nosso cotidiano. Segundo o historiador Nicolau Sevcenko, foram elas: o telégrafo, o telefone, a iluminação elétrica, os eletrodomésticos, a fotografia, o cinema, o rádio, a televisão, os arranha-céus, os elevadores, escadas rolantes, os sistemas metroviários, parques de diversões elétricas, as roda-gigantes, as montanhas-russas, a seringa hipodérmica, a anestesia, a penicilina, estetoscópio, medidor de pressão arterial, os processos de pasteurização e esterilização, os adubos artificiais, os vasos sanitários com descarga automática, o papel higiênico, a escova de dentes, o sabão em pó, os refrigerantes gasosos, o fogão a gás, o aquecedor elétrico, o refrigerador, o sorvete, as comidas enlatadas, as cervejas engarrafadas, a Coca-Cola, a aspirina, o sonrisal... Todas essas transformações ocorridas em um curto intervalo de tempo com uma velocidade assustadora invadiram o cotidiano das pessoas e provocaram mudanças de hábitos. Coisas jamais vistas ou pensadas passaram a fazer parte do dia-a-dia dos centros urbanos. O mundo andava mais rápido, já que avanços técnicos permitiram uma modernização nos meios de transporte com o desenvolvimento de trens mais velozes, a criação do motor a combustão que seria usado nos carros e caminhões, a conquista do ar através do avião e os suntuosos transatlânticos que aproximavam a Europa da América.

A industrialização ampliou os postos de trabalho e neste período houve um crescimento da população européia, já que a medicina passou a combater com mais eficácia a mortalidade infantil e permitiu o aumento da expectativa de vida das pessoas.

É claro que quem desfrutou de todos estes benefícios tecnológicos e de todos os avanços ocorridos durante a Belle Époque foi a elite. A maior parte da população européia permaneceu a margem deste processo. Na verdade, é possível dizer que a exploração empreendida aos trabalhadores que possibilitou grande parte desses avanços.
Contudo, esta euforia, própria da Belle Époque, levou os inúmeros europeus a acreditarem no cientificismo e no positivismo, que nada mais eram do que a crença de que o mundo caminhava sempre para o progresso, ou seja, caminhava sempre para um estágio mais evoluído de desenvolvimento econômico e social. A ciência seria capaz de resolver todos os males da sociedade e de permitir uma vida plenamente feliz. Ela libertaria o homem de suas superstições religiosas e faria com que todos gozassem da tecnologia. Essa crença no cientificismo seria completamente abalada com a 1ª Guerra Mundial. Após os conflitos ficou provado que o avanço tecnológico não trazia somente benefícios para a vida das pessoas, mas poderia destruir grande parte da humanidade.

14 de fevereiro de 2008

Garoto Gorfadinha em: O Hulk do Egito

Garoto Gorfadinha - Meu Deus!!! Não acredito!!!
Osíris - Você me chamou, rapaz?
Garoto Gorfadinha - O Incrível Hulk existe mesmo!!! Jamais pensei que o encontraria aqui no Egito!
Osíris - Sou Osíris, soberano do reino dos mortos, deus da terra, das plantações, responsável pela vida do Egito.
Garoto Gorfadinha - Esse seu disfarce não me engana... Você é o Hulk sim... é verde que nem ele.
Osíris - Não sei o que você está dizendo. Sou responsável pelas cheias do rio Nilo que tornam o solo fértil e apto para as plantações! Por isso sou verde, rapaz. Quem é este Hulk?
Garoto Gorfadinha - O Hulk é um cientista que quando fica muito nervoso se transforma num monstro gigante e muito forte. Tem até um filme, você nunca viu não?
Osíris - O quê? Você está me comparando a um monstro? Que teu coração seja devorado em teu julgamento!!!
Garoto Gorfadinha - Fica calmo seu Osíris. O Hulk não é mau não... ele só perde um pouco o controle sobre si... Mas já que você não é o Hulk, conte-me um pouco a sua história.
Osíris - Bem, minha história é um pouco trágica. Ah, meu irmão Seth... este sim é um verdadeiro monstro! Sempre teve inveja de mim... quis sempre tomar o meu lugar.
Garoto Gorfadinha - Meu irmão é legal. Eu só não gosto quando ele toma meu paninho...
Osíris - Pois Seth tomou de mim o meu trono! Fui enganado por aquela víbora!!! Primeiro, me prendeu numa espécie de cofre e me lançou no Nilo. Ísis minha esposa ficou desesperada, mas conseguiu recuperar meu corpo próximo à Fenícia. Ela chorou tanto sobre mim enquanto velava... Fez isso com tanta dor e com tanta força que ficou grávida...
Garoto Gorfadinha - O quê??? Sua esposa engravidou de um defunto???
Osíris - Isso mesmo!
Garoto Gorfadinha - Ainda bem que isso não acontece no mundo dos homens... Na minha terra muita gente chora em velório... Mas, como você está aqui? Você morreu de verdade?
Osíris - Sim, e para piorar a situação, Seth descobriu que Ísis havia me encontrado. Movido de ódio ele cortou meu cadáver em 14 pedaços espalhando-os por todo o Egito.
Garoto Gorfadinha - Esse Seth é mau mesmo, heim?
Osíris - Mas minha amada esposa pediu ajuda. Neftis voou por todo o Egito e juntou meus pedaços. Depois, Anubis reconstituiu meu corpo através da mumificação. Eu sou a primeira múmia do Egito, rapaz.
Garoto Gorfadinha - Ah, eu não acredito nesta história de múmia... opa, o que é aquilo ali? Meu Deus!!! Uma múmia vindo em minha direção!!! SUPER JATO DE GORFO PARALISANTE ATIVAR!!!
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