26 de setembro de 2012

Significado da suástica

Cerâmica de Samarra (Mesopotâmia) 5000-4000 a.C.

Carolina de Uriçanga pergunta:
O que significa a suástica nazista?

Homem do Livro responde:
Após exaustiva investigação, percorrendo os 4 cantos da terra, observando as 4 fases da lua, planando nos 4 ventos do mundo, combinando os 4 elementos da natureza e finalmente, navegando nos 4 rios do Éden, descobri que a suástica é composta por duas hastes cruzadas (cada haste com 4 partes).
Meus cálculos matemáticos revelaram que 4 x 4 = 16, a totalidade da revelação ou criação material (viram que tem 4 em tudo?)

Após esta pequena introdução, devo lhe dizer que os nazistas não inventaram a suástica. É uma representação presente em vários povos do mundo inteiro (dos 4 cantos da terra).

Ela indica, antes de tudo, um movimento de rotação ao redor de um centro. É o movimento da criação e da força do universo. Significa uma ação, um ciclo perpétuo, e também uma regeneração que acompanha representações de salvadores da humanidade.

Penso que aqui entram os nazistas. A suástica como símbolo do nazismo é ideal porque representa esta dinâmica contínua que o poder nazista seria capaz de fazer. A regeneração moral de todo o mundo material seria concretizada com a instalação do III Reich.

A suástica sempre teve um sentido positivo em diferentes civilizações. Mas após Hitler, fica difícil restabelecer este símbolo, já que não há como desassociá-lo do mal que o nazismo provocou.

25 de setembro de 2012

A inocência dos muçulmanos e a liberdade de expressão

O filme A inocência dos muçulmanos, ao que tudo indica filmado na Califórnia, produzido e dirigido por Nakoula Basselet Nakoula, continua provocando protestos pacíficos e violentos em várias regiões do mundo.

Só pelo trailer dá pra perceber que o filme é tosco. Porém, mesmo se fosse bem produzido provocaria indignação igual ou maior.

Este episódio é emblemático, pois representa muito bem como é o olhar ocidental sobre os muçulmanos. E as perguntas que todos fazem: esse filme justifica tamanha violência? Esses muçulmanos não têm senso de humor? Só por que não concordam com o filme eles pensam que podem atacar as Embaixadas norteamericanas e matar gente que não possui nenhuma ligação direta com isso? E mesmo se tivessem alguma ligação, onde está a liberdade de expressão?

Particularmente, penso que as questões não são estas. A questão central é que este episódio faz parte de um conjunto de ações e de mentalidades gestadas no Ocidente contra o Islã que se prolongam por séculos e são marcadamente negativas. Não se trata de uma reação desmedida feita por um bando de desajustados. Não é um evento isolado. Ele está inserido num conjunto de ações. Os muçulmanos se opõem ao modo de como o Ocidente os vê. Se opõem a uma lógica ocidental caricaturada, perversa, degradante e sempre pejorativa presentes no modo como são retratados e na forma como a sua religião é compreendida.

Isso não é difícil de constatar. Geralmente, no Ocidente os muçulmanos só são "notícia" quando as bombas explodem. Esta é a visão que temos deles, visão fabricada em grande parte: são fanáticos, violentos, atrasados, oprimem as mulheres, são ignorantes e adoram bombas. O filme repete esteriótipos e acusações gestadas no Ocidente deste os tempos medievais. Maomé é um mulherengo pervertido. Por quê? Ora, os muçulmanos podem ter até 4 mulheres! Somos incapazes de compreender (na verdade nem nos importamos) que este costume quando surgiu foi um bem, um avanço para assistir e proteger as mulheres que ficavam sozinhas ao perderem seus maridos em constantes guerras entre tribos. Ou ainda, Maomé apresentado como um sujeito estúpido, ignorante e oportunista (afinal, ele não era analfabeto?) E vai além... Maomé apresentado como um pedófilo (ora, ele não se casou com uma criança de 6 anos! Que absurdo!) E mais. O filme até sugere homossexualismo.

Enfim, o Ocidente solapa tudo... a tradição, a cultura, a história e condena toda reação contrária sob a égide da liberdade e da democracia! O quê? Você está aprovando a violência? Claro que não! Já disse que esta não é a questão. O que critico é a nossa visão altiva e míope que não consegue perceber o quanto contribuímos para o ódio dos muçulmanos sobre nós.

Há ainda uma outra questão, uma provocação, vai... Tudo pode ser feito em nome da liberdade de expressão? Não há limites? Alguns dirão: os limites já existem e estão postos. Não se pode veicular conteúdos que fomentem a violência, a discriminação, o abuso de menores... Ora, não é estranho o fato da discriminação religiosa não fazer parte desta lista? Até faz, mas não foi aplicada neste caso. O pensamento mais inteligente que li a respeito desse evento foi dado por D. Arcipreste Vsevolod Chaplin do Patriarcado Ortodoxo Russo: "Pessoalmente creio que as contínuas ações na Catedral de Cristo Salvador, a divulgação de um filme que insulta o fundador do islamismo, os ataques contras as embaixadas estadunidenses e as suásticas nas paredes das sinagogas sejam elos da mesma corrente. (...) Quando se profana um símbolo importante para uma comunidade, se procura diminuir e desencorajar toda a comunidade".

Ora, há liberdade de expressão para isso?

24 de setembro de 2012

São Paulo: passado e presente


Houve uma época em que São Paulo era cidade pequena, bem mais acolhedora e aconchegante. O trabalho era farto. Tudo estava por construir. No lugar do asfalto e do concreto havia grandes chácaras e sítios que com o tempo foram transformados em bairros e vilas.
Houve uma época em que São Paulo tinha vida simples, nada de coisas dramáticas ou grandes tragédias anunciadas em jornais. Era a terra da garoa, terra dos estudantes de Direito, dos poetas românticos que se entregavam aos saraus e à boemia noturna iluminada inicialmente, à luz de gás.
Houve uma época em que a vida em São Paulo era calma. Os trilhos dos bondes recortavam toda a cidade. Ah o bonde... que sensação agradável passear de bonde... silencioso, ele deslizava calmamente por entre as ruas, esquina após esquina, sempre com aquela brisa suave no rosto. Nele, amigos se encontravam e desconhecidos se cumprimentavam cortesmente.
Houve uma época em que os rios de São Paulo corriam em seu curso natural serpenteando a cidade. Neles as pessoas nadavam, pescavam se divertiam em competições de barco.

Esta São Paulo já não existe mais. “São Paulo não podia parar”... e ela cresceu, cresceu tanto para limites cada vez mais distantes. O céu azul deu lugar às chaminés com fumaça negra, exaltada por todos como um sinal de progresso. A vida calma deu lugar à correria. O silêncio e a tranqüilidade deram lugar ao barulho e à poluição.

São Paulo é uma cidade que para crescer, destrói a si mesma... casas, monumentos, ruas, prédios, praças, parques, vão abaixo para dar lugar a novas construções numa velocidade assustadora. Por isso, São Paulo é um canteiro em obras, permanente...
São Paulo é terra de contrastes. A cidade é conhecida como a capital mundial da gastronomia com inúmeros restaurantes e no entanto, muita gente passa fome nas ruas e nas periferias.
São Paulo é terra de grandes negócios, fábricas e lojas de todo mundo. Mas também é terra do comércio informal, dos camelôs que todos os dias fogem dos guardas e fiscais da prefeitura.
Em São Paulo, tudo acontece primeiro. É por aqui que as grandes novidades tecnológicas e o mundo da moda entram no Brasil. E no entanto, grande parte da população não tem o que vestir, o que calçar, vive sem água encanada, sem esgoto e energia elétrica.
São Paulo é o maior pólo cultural do Brasil. Exposições, shows nacionais e internacionais, grandes espetáculos, cimenas, teatros, museus para todos os bolsos e gostos. E apesar disso, milhares estão excluídos de condições mínimas de educação.
Em São Paulo os carros e as motocicletas competem o espaço com as pessoas. Todo motorista se sente piloto. Quando o semáforo abre parece que todos estão em um grande prêmio de F1. E no entanto, os carros ficam mais tempo parados que andando...

Já o paulistano, esse é homem de trabalho. Está o tempo todo correndo, anda apressado, não é de muita paciência não... O paulistano pensa o tempo todo em sair da cidade, morar em outro lugar, fugir do trânsito. Na primeira folga ou feriado prolongado parte logo para a praia e pega um imenso engarrafamento para descer a serra. Mas nem se incomoda, já está acostumado... Contudo, quando está fora da cidade, não vê a hora de voltar. Afinal, como cantou Tom Zé: “Porém, com todo defeito, te carrego no meu peito. São, São Paulo quanta dor. São, São Paulo meu amor”.

21 de setembro de 2012

Garoto Gorfadinha em: Meu pai adora pizza de bacon

Oi pessoal! Estou em uma missão muito importante. Quero fazer uma grande surpresa para o meu pai. Vou investigar tudo sobre a origem da pizza que ele mais ama. Para isso, estou aqui na Inglaterra em pleno reinado de Vossa Majestade Jaime I. Mas vocês podem me dizer:
- Ué, mas pizza não tem mais a ver com a Itália?

E eu respondo:
- ...
Bom, deixa pra lá. Nosso entrevistado acabou de chegar.

Garoto Gorfadinha - Senhor Bacon, como o senhor se sente em ser responsável pela alegria de milhares de pessoas nos jantares de sábado ou de domingo?
Francis Bacon - Bem, ficaria muito feliz se minhas ideias fossem discutidas pelas pessoas durante seus jantares, ainda mais, nos jantares especiais de fins de semana. Porém, presumo que isso não ocorra.

Garoto Gorfadinha - Que isso, não seja tão modesto... É claro que bacon não chega a ser uma unanimidade, né. Mas é inegável que bacon combina muito bem com qualquer outra coisa! Na medida certa é muito bom!
Francis Bacon - Devo discordar de sua preciosa observação, ainda que a observação em meu método científico seja fundamental. Minhas ideais não combinam muito bem com as anteriores. Aliás, elas são muito originais!

Garoto Gorfadinha - Ah, então o senhor está me dizendo que tem todo um método de preparo? Poderia me falar mais sobre isso? Meu pai vai adorar!
Francis Bacon - O seu pai é cientista?
Garoto Gorfadinha - Sim! Ele adora investigar coisas.

Francis Bacon - Pois bem! Direi com muito gosto minhas principais ideias. Basicamente, procurei desenvolver um método para pensar e conhecer melhor as coisas. Percebi que grande parte do conhecimento produzido pelas pessoas estava mais relacionado a seus ídolos.
Garoto Gorfadinha - Não sou muito chegado em ídolos. Esse mundo de celebridades não me atrai.

Francis Bacon - Ídolos foi como chamei os pensamentos baseados em ideias preconcebidas, em crenças, em questões pessoais, em preconceitos, em suposições. O problema é que muitas dessas ideias são falsas, do ponto de vista científico. E elas são tomadas como base para a construção de novos conhecimentos. O que propus é um método científico baseado na observação de experimentos.

Garoto Gorfadinha - Confesso que estou um pouco confuso. Não pensava que bacon fosse tão complicado. Precisa mesmo de experiências em laboratório?
Francis Bacon - Calma rapaz! Não se trata de complicação, mas de rigor científico. Acredito que não se deve estudar a natureza com sentenças filosóficas, mas com experimentos científicos que resolvam problemas concretos e práticos. Quando uma experiência, após ser testada muitas vezes, consegue resolver um problema ou compreender a razão de um fenômeno, formulamos uma lei geral. Isso sim é ciência, meu garoto. Isso é ciência!

Garoto Gorfadinha - Espere!!! não vá embora, senhor Bacon! Puxa vida, ele não me disse nada sobre a massa e nem sobre o molho...

20 de setembro de 2012

Pensou que eu não vinha, mas pensou...

... cansou de esperar por mim.

Carbono 14 está de volta! Demorou, heim?
Será uma alegria recebê-los novamente.
O Carbono 14 continuará sua missão de apologia à História. É proselitismo escancarado mesmo.
Bem-vindos!