25 de janeiro de 2008

São Paulo durante a noite

Belíssimas fotos noturnas da cidade de São Paulo. Dêem uma olhada!

Esquentando as turbinas

Falta pouco para começar tudo novamente. Muitas coisas não fiz nestas férias: não coloquei em ordem meus livros, não arrumei a papelada, não li o que planejei... agora, só nas férias que vem... preferi curtir a família.
Tenhos tantas idéias para trabalhar neste ano... o problema é que elas sempre são maiores do que eu. Será que consigo? Será que dou conta? Bom, é começar pra ver. Mas, geralmente, o inesperado é mais interessante que os meus planos... adoro reticências!

22 de janeiro de 2008

Aniversário de São Paulo, meu amor

Houve uma época em que São Paulo era cidade pequena, bem mais acolhedora e aconchegante. O trabalho era farto. Tudo estava por construir. No lugar do asfalto e do concreto havia grandes chácaras e sítios que com o tempo foram transformados em bairros e vilas. Houve uma época em que São Paulo tinha vida simples, nada de coisas dramáticas ou grandes tragédias anunciadas em jornais. Era a terra da garoa, terra dos estudantes de Direito, dos poetas românticos que se entregavam aos saraus e à boemia noturna iluminada inicialmente, à luz de gás. Houve uma época em que a vida em São Paulo era calma. Os trilhos dos bondes recortavam toda a cidade. Ah o bonde... que sensação agradável passear de bonde... silencioso, ele deslizava calmamente por entre as ruas, esquina após esquina, sempre com aquela brisa suave no rosto. Nele, amigos se encontravam e desconhecidos se cumprimentavam cortesmente. Houve uma época em que os rios de São Paulo corriam em seu curso natural serpenteando a cidade. Neles as pessoas nadavam, pescavam se divertiam em competições de barco. Esta São Paulo já não existe mais. “São Paulo não podia parar”... e ela cresceu, cresceu tanto para limites cada vez mais distantes. O céu azul deu lugar às chaminés com fumaça negra, exaltada por todos como um sinal de progresso. A vida calma deu lugar à correria. O silêncio e a tranqüilidade deram lugar ao barulho e à poluição. São Paulo é uma cidade que para crescer, destrói a si mesma... casas, monumentos, ruas, prédios, praças, parques, vão abaixo para dar lugar a novas construções numa velocidade assustadora. Por isso, São Paulo é um canteiro em obras, permanente... São Paulo é terra de contrastes. A cidade é conhecida como a capital mundial da gastronomia com inúmeros restaurantes e no entanto, muita gente passa fome nas ruas e nas periferias. São Paulo é terra de grandes negócios, fábricas e lojas de todo mundo. Mas também é terra do comércio informal, dos camelôs que todos os dias fogem dos guardas e fiscais da prefeitura. Em São Paulo, tudo acontece primeiro. É por aqui que as grandes novidades tecnológicas e o mundo da moda entram no Brasil. E no entanto, grande parte da população não tem o que vestir, o que calçar, vive sem água encanada, sem esgoto e energia elétrica. São Paulo é o maior pólo cultural do Brasil. Exposições, shows nacionais e internacionais, grandes espetáculos, cimenas, teatros, museus para todos os bolsos e gostos. E apesar disso, milhares estão excluídos de condições mínimas de educação. Em São Paulo os carros e as motocicletas competem o espaço com as pessoas. Todo motorista se sente piloto. Quando o semáforo abre parece que todos estão em um grande prêmio de F1. E no entanto, os carros ficam mais tempo parados que andando... Já o paulistano, esse é homem de trabalho. Está o tempo todo correndo, anda apressado, não é de muita paciência não... O paulistano pensa o tempo todo em sair da cidade, morar em outro lugar, fugir do trânsito. Na primeira folga ou feriado prolongado parte logo para a praia e pega um imenso engarrafamento para descer a serra. Mas nem se incomoda, já está acostumado... Contudo, quando está fora da cidade, não vê a hora de voltar. Afinal, como cantou Tom Zé: “Porém, com todo defeito, te carrego no meu peito. São, São Paulo quanta dor. São, São Paulo meu amor”.

E então, D. João VI chegou no Brasil

Hoje, 22 de janeiro, faz 200 anos que D. João VI chegou em Salvador fugindo da invasão napoleônica comandada por Junot. O Brasil se tornou a sede do trono português, um passo importante para o processo de independência que ocorreria em 1822. Com a presença da corte houve grandes avanços culturais, sobretudo no Rio de Janeiro. Além disso, ao não ser mais colônia de Portugal, o estatuto político do Brasil se modificou. No entanto, a economia e a sociedade continuaram alicerçadas no trabalho escravo. Mas não quero falar sobre as atuações de D. João e seu significado. O que me intriga mais é o significado - no caso a ausência dele - da realeza para nós brasileiros.

D. João VI nunca foi muito levado a sério. Aliás, a realeza como um todo nunca caiu nas graças do povo. Aqui, nossa história vira chacota e quase sempre é ridicularizada em filmes e minisséries.

No ano 2000 tive a oportunidade de assistir uma parada militar para a troca da guarda do Palácio de Buckingham. E tive sorte grande! Neste dia, a rainha mãe (velhinha com 90 e poucos anos) acompanhou toda a cerimônia. Coisa muito rara! Foi um grande privilégio. Fiquei a poucos metros de Sua Majestade. Ao meu lado, uma jovem gritava histérica "I love you!!!" Isso me deixou muito surpreso. Uma moça de 20 anos com sua bicicleta chorava emocionada por ver diante dela a Rainha.
Então, essa relação afetiva e próxima do povo com a realeza (no país da Revolução Inglesa!) é muito difícil imaginá-la por aqui. Eu não sei se isso acontece simplesmente pela ausência da monarquia no Brasil, enquanto que na Inglaterra ela tenha permanecido como Monarquia Constitucional. Parece que entre os ingleses, há uma imaginário coletivo positivo sobre a realeza. Por aqui, D. João (quando lembrado) é o medroso comedor de frangos. Triste...

21 de janeiro de 2008

Enquanto as bolsas caem...

Enquanto as bolsas despencam pelo mundo todo aqui em casa as bolsas estão em alta!!! Entrei na dança e minha esposa fiscaliza as linhas cortadas e os bordados que tive de aprender. Até que levo jeito viu...

15 de janeiro de 2008

Escutei novamente o apito do trem...

Semana passada assisti um documentário na TV Cultura sobre o abandono das ferrovias no Estado de São Paulo. Muito triste... Tive muitas lembranças. No interior, eu morava próximo a ferrovia da Baixa Mogiana. De casa, eu escutava o apito do trem e subia numa mureta para vê-lo passar. O mais bonito era o de passageiros. Chamavam-no de "bandeirante"! Os seus vagões eram azuis. Quando criança quase todos os dias minha mãe ou meu avô me levavam para ver o trem no final da tarde e fazer tchau para o maquinista. Ficava contando os vagões... como não querer ser maquinista? Aquilo despertava tanto encantamento em mim... O tamanho, o barulho, o balançar do chão. Como era bom se equilibrar nos trilhos, ver os trêns sendo manobrados no pátio .
Lembro-me da imensa ponte sobre o rio, das viagens que fizemos até São Simão, do sentar no banco da estação, do túneo, do chacoalhar do vagão, do senhor de bigode e de quepe vendendo salgados...
Em 1996, quando estava no Exército tive de fazer um estudo sobre a ferrovia para defesa de pontos sensíveis da cidade. A farda do soldado abre caminhos... Fui, conversei com o funcionário da Estação que me explicou tudo sobre o funcionamento do sistema. Era tão bonito e agradável, muitas árvores, aquele clima de paz e silêncio apenas quebrado com a passagem do trem. Pouco tempo depois a estação foi desativada. O governo deixou a ferrovia sucatear para privatizar bem barato. Quem comprou? A Ferroban que logo tornou o transporte inviável para intensificar o trânsito pelos pedágios rodoviários controlados pela Autoban (nome parecido né, coincidência?!?!?). Malditos capitalistas destruidores de sonhos infantis.
Tudo se acabou. A Estação logo se tornou alvo de vandalismo. Quando na faculdade, retornei para visitá-la e fiquei chocado com o que eu vi. Tudo arrombado, quebrado, incendiado. Era possível ver os documentos pelo chão, anotações diversas, tudo destruído. Que amargura senti.
Anos depois, quando estava num banco encontrei um rosto triste e emrugado na fila... Era aquele senhor, que ao acolher e explicar tudo ao soldado deu um grande presente para a criança que fazia tchau para o maquinista.

8 de janeiro de 2008

Cada vez menos necessário

É encantador observar a evolução e as conquistas que as crianças têm a cada dia. Hoje, pela primeira vez, o Bernardo ficou sentado sozinho por alguns instantes. O Francesco e o Bernardo ficam cada vez menos dependentes de nós. É preciso saber perder os filhos aos poucos, a cada dia, para não se assustar tanto quando eles saírem de casa...

6 de janeiro de 2008

Dia de Reis ou Dia de Magos

Aqui em casa, temos o costume de presentear as crianças não no dia do Natal, mas na Epifania ou Dia dos Reis Magos. Afinal, foi este o momento em que o menino Jesus foi presenteado.

Acontece que esta festa comemorada pelos cristãos é um grande exemplo de como a tradição popular acaba por dar novos contornos e um novo brilho a uma celebração religiosa.

A narração do nascimento de Jesus nos Evangelhos nada fala de Reis que vieram adorar o menino. O relato é sobre magos: "Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do Rei Herodes, eis que vieram magos do Oriente a Jerusalém". Nada de Reis...
Os sermões dos Padres da Igreja nos primeiros séculos mantiveram-se fiéis a este relato. A interpretação corrente era que as nações (os pagãos) reconheceram o menino Deus na figura dos magos. Os presentes não passavam de símbolos:
ouro - a realeza de Jesus
incenso - a sua divindade
mirra - os sofrimentos da paixão de Cristo
A tradição popular medieval não apenas transformou os magos em reis, mas lhes deu nomes: Baltazar, Belchior e Gaspar.
Porém, o próprio clero atestou esta mudança e a promoveu. Os trechos do Antigo Testamento que identificam a figura do Messias à realeza - tais como "reis da terra irão adorá-lo" - deu margem para reconhecer como reis os três visitantes.

3 de janeiro de 2008

A falácia da sustentabilidade

Talvez seja rabugice minha, mas não gosto da palavra sustentabilidade. Numa época em que a Amazônia vai se acabando e o aquecimento global vem para ficar, sustentabilidade é a palavra do momento. Claro que não sou contrário ao desenvolvimento sustentável, mas a forma como a palavra é utilizada é que me encomoda. E por isso, passei a não gostar dela.

Penso que o termo sustentabilidade fica cada vez menos ambiental ou ecológico e cada vez mais mercadológico, meio para ganhar dinheiro. É assim que a palavra aparece nos anúncios de grandes corporações produtivas e financeiras. Os bancos são um grande exemplo disso. O setor que mais lucra neste país de miseráveis anuncia escandindo os dentes seus projetos em prol da sustentabilidade. Verdadeiras esmolinhas comparadas aos seus ganhos exorbitantes. Sustentabilidade se tornou uma espécie de investimento que garante lucro, melhora a imagem da instituição e deduz impostos.

Ano passado, a International Paper (a que fabrica o chamex) fez um concurso literário lá na minha cidade natal. É claro que a empresa queria algo que a associasse com a preservação, natureza, meio ambiente, essas coisas que uma fábrica de papel respeita muito... O tema era sustentabilidade. Mandei um poema (politicamente incorreto) e até hoje não recebi resposta sobre a colocação que obtive no concurso. Aí eu concluí que a minha colocação foi na lata de lixo.

Se alguém estiver curioso para ler o poema, clique aqui

1 de janeiro de 2008

São Silvestre: santo corredor?

O ano esportivo se fecha com a tradicional corrida de São Silvestre. Ela foi idealizada pelo jornalista Casper Líbero em 1924.Quando criança, eu achava muito estranho uma corrida com esse nome, mas sempre me imaginava correndo nela uma dia. Pois é, teve uma época em que eu queria ser corredor... (me tornei professor: e como todo professor, corro de um lado para o outro). Depois, um pouco mais crescido, descobri que o tal Silvestre não foi corredor ou atleta. O nome da famosa corrida se explica pelo dia em que ela se realiza: 31 de dezembro, dia de São Silvestre. Isso é lógico, mas não era para uma criança que gostava mais de pensar e imaginar outras possibilidades mais encantadoras para esse nome esquisito.

Muitos anos se passaram e na faculdade descobri que São Silvestre I foi um papa muito importante entre os anos 314-335. Consta que Silvestre contribuiu para o desenvolvimento da liturgia da igreja e elaborou o 1º martirológico cristão. Mas há muitas lendas sobre a figura deste papa. Uma delas é que ele teria ressuscitado dois romanos, conforme a pintura abaixo.

Contemporâneo do imperador Constantino (306-337), em seu pontificado, os laços entre papado e império se estreitaram. A partir daí, a Igreja - até então perseguida - foi muito favorecida pelo imperador. Constantino mandou construir a antiga basílica de São Pedro, a basílica e o batistério de São João de Latrão dentre outras igrejas. Também, foi no pontificado de Silvestre que o imperador convocou o 1º Concílio Ecumênico de Nicéia em 325. Isso só foi possível com a conversão de Constantino ao cristianismo em 312. Esta conversão foi sincera ou se tratou de uma manobra política? Isso veremos depois... postagem gigante assusta gente. Ninguém lê...