12 de agosto de 2006

Programa do Curso de História Medieval I

Instituto Maria Imaculada
Faculdades Integradas Maria Imaculada – Moji Guaçu


Curso: LICENCIATURA EM HISTÓRIA
Disciplina: História Medieval I
Professor: Daniel Marques Giandoso
2º Semestre de 2006

Programa do Curso de História Medieval I

I- Ementa
História e Historiografia da Europa Medieval.

II- Objetivo
Permitir aos alunos o contato com os assuntos e os fatos centrais da Alta Idade Média, bem como a relação existente entre eles e o legado presente em nossa sociedade.
Desenvolver o espírito crítico através da análise de fontes.
Propiciar um debate historiográfico sobre os temas selecionados.

III- Metodologia
Apresentação do programa do curso através de aulas expositivas. Os alunos serão orientados na realização de leituras críticas e reflexivas dos textos historiográficos e na análise documental.

IV- Conteúdo
A Queda do Império Romano do Ocidente
As Invasões Bárbaras e a instalação dos Reinos Bárbaros
Santo Agostinho e seu mundo
O Império Bizantino: características políticas, econômicas e culturais
O Reino dos Francos
Igreja medieval: Poder Espiritual x Poder Temporal
Origem da vida monástica no Oriente e a sua instalação no Ocidente: Santo Antão e São Bento
Surgimento do Islamismo e Expansão Muçulmana
Carlos Magno e o Renascimento Carolíngio
Formação das instituições feudo-vassálicas

V- Avaliação
Resumos críticos, prova escrita e avaliação integrada.

VI- Bibliografia

Básica
ANDERSON, P. Passagens da Antigüidade ao feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1982.
LE GOFF, J. A civilização do Ocidente Medieval. São Paulo: EDUSC, 2005.
PERNOUD, R. Luz sobre a Idade Média. Lisboa, Europa-América,1997.

Complementar
LE GOFF, J. Dicionário Temático do Ocidente Medieval, São Paulo, Edusc, 2002 (2 vol.)
BLOCH, M. A sociedade feudal. Lisboa, Edições 70, 1982.
LE GOFF, J. O Homem Medieval. Lisboa, Presença, 1989.

Quando um ato muda o mundo


Gravilo Princip não tinha nada a perder. Viveria por pouco tempo devido à tuberculose. Estava disposto a entrar para a História como um grande mártir defensor de uma grande causa: libertar os sérvios bósnios da opressão austríaca.

Gravilo nasceu na Bósnia. Era filho de camponês e como a maioria das famílias sérvias da região, também a sua vivia em condições miseráveis devido aos altos impostos cobrados pelos austríacos.

Durante os seus estudos teve contato com o nacionalismo eslavo estimulado pelos russos. Mais tarde, entrou no grupo Mão Negra e foi cooptado pelo coronel Apis para participar do atentado contra Francisco Ferdinando.

Após atirar no arqueduque, Gravilo foi preso sem nunca se considerar um terrorista ou um bandido, mas um libertário. Morreu de tuberculose pouco antes do final da Primeira Guerra Mundial terminar em 1918.

Gravilo é um exemplo de como uma micro história (uma história individual), pode mudar os rumos da história do mundo.

Veja também:
Marcado para morrer

10 de agosto de 2006

O Socialismo Científico de Karl Marx

Por: Daniel Marques Giandoso


Marx elaborou uma teoria que explica a origem do capitalismo. Segundo ela, o capitalismo surgiu como conseqüência da crise do feudalismo e por aquilo que ele chamou de acumulação primitiva de capital. Sua teoria se baseia no materialismo e na dialética. O termo materialismo diz respeito a todo modo de produção material ao longo do tempo, seja agrícola ou industrial, seja com o uso do trabalho escravo ou livre, sendo a história marcada por uma sucessão de modos de produção sempre em transição. Assim, o Modo de Produção Asiático foi sucedido pelo Modo de Produção Escravista, que deu lugar ao Modo de Produção Feudal e por fim, o Modo de Produção Capitalista. Já a palavra dialética diz respeito a uma forma de pensamento em que toda realidade possui uma parcela de contradição nela mesma que tende a negá-la, dando origem a uma nova realidade. Assim, o sistema capitalista possuía contradições que impossibilitariam sua própria manutenção, cedendo espaço a uma nova realidade, o socialismo. Os seguidores das idéias de Karl Marx são chamados de marxistas.

Para Marx a história da humanidade é a história da luta de classes. Segundo ele, em todas as épocas e em diversos povos é possível encontrar conflitos entre classes sociais: os que possuem poder político e econômico são chamados de classe dominante; aqueles que apenas trabalham são chamados de classe dominada. No século XIX, a classe dominante é identificada como burguesia, donos de indústrias. A classe dominada é associada aos operários das fábricas.

A burguesia é possuidora dos meios de produção, ou seja, dos meios empregados para produzir algo como terra, máquinas ou ferramentas das fábricas. Os operários por não possuírem os meios de produção são obrigados a vender a sua força de trabalho em troca de um salário.

Marx percebeu que a riqueza da classe dominante vinha da exploração do trabalhador através da mais-valia, horas que um operário trabalha de graça para o seu patrão. A riqueza gerada por esse trabalho é maior que o salário que ele recebe. O industrial fica com a diferença, conseguindo assim, grandes lucros.

Segundo Marx, as desigualdades sociais geradas pelo capitalismo só teriam fim se os operários se apropriassem dos meios de produção da burguesia por meio de uma revolução. Enquanto a burguesia fosse proprietária desses meios, a desigualdade permaneceria. A classe operária, ciente disso, passa a ser portadora de uma força política capaz de realizar uma transformação social. Através da revolução proletária, o socialismo seria implementado, pondo fim a toda e qualquer propriedade particular.

Além da abolição da propriedade particular, os trabalhadores teriam de tomar o poder político, uma vez que, para Marx, o Estado servia os interesses da burguesia, zelando pela sua conservação.

Uma vez que Marx afirma que os problemas sociais são o resultado do modo de produção capitalista, todas as outras esferas da vida das pessoas como a cultura e a religião perdem a sua importância. Bastaria os proletários tornarem-se donos dos meios de produção para que a vida destes melhorasse. A educação e a saúde seriam garantidas pelo governo. Os aspectos culturais e religiosos normalmente desviam a atenção dos operários e os impedem de realizar a revolução. As artes estão carregadas de valores burgueses. Apenas as manifestações artísticas que fazem uma propaganda da revolução motivando os operários à luta são aceitas. Nesta visão, a religião, por exemplo, fazia parte de um aparelho ideológico do Estado para tornar os homens dóceis, submissos, ou seja, era apenas uma forma da burguesia legitimar o seu poder. É por isso que o ateísmo é defendido pelos marxistas.

Leia também:

1º de maio: Dia do Trabalho

A lógica das fábricas

A Belle Époque e a Revolução Tecno-científica

7 de agosto de 2006

Marcado para morrer


O fato de um assassinato dar início a uma guerra mundial é no mínimo muito estranho. A morte do arquiduque Francisco Ferdinando, sucessor do trono do Império Austro-Húngaro, por Gravilo Princip, estudante sérvio do grupo Mão Negra deflagrou a Primeira Guerra Mundial.

Um assassinato que provoca uma guerra é tão inusitado quanto as próprias circunstâncias da morte do arquiduque.
Ferdinando foi morto em uma visita a Sarajevo, capital da Bósnia. A Bósnia era uma província de população sérvia que foi anexada pela Áustria-Hungria. Por isso, Apis, coronel da Sérvia e líder do Mão Negra lutava pela libertação da Bósnia e pela restauração da Grande Sérvia.

Apis recrutou e treinou jovens nacionalistas empenhados na causa. A visita de Ferdinando à Sarajevo forneceu uma grande oportunidade para a ação do grupo. O assassinato foi muito bem planejado. Os sete jovens se distribuíram armados com pistolas e bombas na avenida principal da cidade por onde o arquiduque e sua esposa passariam desfilando em carro aberto.

A primeira granada foi lançada, mas atingiu a traseira do carro que partiu em disparada. Ao explodir, a bomba atingiu um soldado do carro que vinha atrás. Os outros membros do Mão Negra, pegos de surpresa, permaneceram paralisados e perplexos.

Após recepção na prefeitura da cidade, Francisco Ferdinando fez questão de visitar o soldado ferido no hospital. O motorista tomou o caminho errado e deu de cara com Gravilo Princip que saía de uma "padaria" onde acabara de comer um sanduíche. O motorista, ao tentar voltar pelo caminho correto, emperrou a marcha do carro. Tempo suficiente para Gravilo sacar sua arma e disparar dois tiros. O arquiduque, protegido por uma jaqueta a prova de balas, foi atingido no pescoço. Sophia, sua esposa (grávida), foi atingida no estômago. Este triplo assassinato deu origem a Primeira Guerra Mundial. Uma consequência que Gravilo jamais poderia imaginar.