19 de novembro de 2008

Aprendendo na Pinacoteca

Visitar um museu pode ser algo prazeroso ou pavoroso! Quantas vezes eu vi nos museus pessoas cansadas, com cara de desespero, olhando e não vendo nada, morrendo de dores nas pernas...

Quantas vezes eu vi monitores falando para grupos de adolescentes que tem "olhos mas não vêem; ouvidos mas não ouvem"...

Quantas vezes eu ouvi grupos de alunos com perguntas inteligentíssimas sobre as obras de arte, como: "Falta muito?" "Já vamos embora?" "Quando vamos comer?"

Não se pode ver tudo em um museu. A visita deve ser preparada com objetivos muito claros e precisos. É melhor os alunos realizarem uma atividade de investigação a partir de um roteiro estabelecido pelo professor.


Não se trata de ficar falando muito aos alunos. Conhecer os artistas, as obras ou a história e a importância do museu são questões importantes, mas que podem ser trabalhadas e debatidas com os alunos antes da visita na própria escola. No dia da visita o professor faz breves e poucas intervenções deixando os alunos atuarem com autonomia a partir do roteiro proposto. Isso torna a visita mais produtiva e instigante, à medida que o aluno produz conhecimento através de sua própria observação, ao invés de ficar anotando o que ouve (quando ouve). Os resultados são surpreendentes e estimulantes! Eis um exemplo:

Antônio Parreiras (1869-1937) - Fim de romance (1912)

"Ligando o título da obra à imagem, (...) creio que o caboclo tenha se suicidado com o "fim do romance", um amor que para ele valia mais do que a própria vida. Percebo também que o cavalo, seu fiel companheiro, não o deixa (...) ele tenta "acordar" o dono morto, caído na estradinha de areia (...) Posso observar nos olhos do cavalo sofrimento, angústia, decepção e a perda irreparável de seu amigo caboclo".

Viviane Rosário dos Santos Cardoso - Senac Jabaquara.

17 de novembro de 2008

Chora que a mamãe compra

Uma das lembranças de infância de minha esposa é a de um vendedor de cocada que todos os dias passava pela porta da casa dela dizendo a todas as crianças que ele encontrava pelo caminho: "Chora que a mamãe compra!" Essa tática de venda terrorista era dita por um baiano muito simpático e engraçado. Agora que o Natal se aproxima os intervalos comercias estão repletos de táticas terroristas e nem um pouco engraçadas. Vale tudo para transformar os pequenos em cosumidores compulsivos de brinquedos. Quem não se lembra daquela famigerada propaganda da tesourinha "eu tenho, você não tem"? Hoje, ninguém diz "chora que a mamãe compra", mas o impositivo e autoritário "PEÇA JÁ O SEU!"

6 de novembro de 2008

Enfim, Obama

Parece que o mundo todo festejou a vitória de Obama. O que é muito justo. Ele é apresentado como salvador não apenas da pátria americana, mas do planeta em recessão. Expectativa perigosa essa...

Custa-me acreditar em algumas análises que ouvi por aí de gente muito entendida. Elas apontam para a grande mudança que a sociedade americana passou nos últimos tempos. A eleição de Obama representaria esse acerto de contas dos EUA com seu passado recente, marcado pelo racismo e pela segregação dos negros. Obama é a concretização dos direitos civis que tantos negros reivindicaram nos EUA. Quantos nos últimos dias retomaram Matin Luther King dando a entender que, finalmente agora, os homens nos Estados Unidos não são mais julgados pela cor da pele, mas por seu caráter. Afinal, Obama foi eleito!!!

Não sei não... Penso que se o Bush não tivesse sido essa catástrofe que foi para o mundo e para os EUA e se não houvesse crise nenhuma, Obama não seria eleito. Talvez, nem seria candidato. A esperança americana em Obama é mais fruto do desespero e da tragédia republicana-Bush que abalaram o "sonho americano".