30 de abril de 2008

2 anos de Carbono 14


No final de abril e início de maio de 2006 nasceu o Carbono 14.
Lembro-me que na época escrevi sobre o 1º de Maio, uma teoria furada para mudar o nome do feriado. Tá curioso? Clique aqui.

Este blog nada mais é do que a continuação de uma idéia que eu e um amigo, o historiador Leandro Villela de Azevedo, tivemos lá pelos anos 1998 na FFLCH-USP. Fizemos jornal online Presente do Passado. Nosso objetivo era apresentar a História de um jeito diferente, indo além dos livros didáticos. Escrever sobre o que pouco se fala aos alunos do Ensino Fundamental e Médio. Esperávamos ser decodificadores da linguagem acadênica apresentando-a de uma forma descontraída e cativante para despertar o interesse pela História.

Este Blog ainda procura seguir estes princípios, embora sem grande êxito.
Agradeço muito aos poucos e fiéis leitores do Carbono 14, razão deste blog.

29 de abril de 2008

Haussmann e a reforma urbana de Paris

O barão Haussmann foi prefeito de Paris entre 1853-1870. Ele empreendeu uma profunda e polêmica reforma urbana que inspirou intervenções em várias outras cidades do mundo. O objetivo principal era modernizar Paris que em pleno século XIX mantinha muito de sua estrutura medieval, cujo centro era composto de muitos quarteirões insalubres. Seu projeto consistia em redesenhar o traçado urbano compondo uma “nova cidade” mais racional, organizada e harmônica. Para realizar esta tarefa foram necessárias várias demolições. Isso fez com que muitos estudiosos criticassem duramente essa haussmanização. As críticas não eram contrárias à reforma em si, mas sim à maneira como ela foi realizada.
Neste período a França era governada por Luis Bonaparte (sobrinho de Napoleão) que implantou um governo imperial assumindo o nome de Napoleão III. Então, a reforma teria sido uma demonstração desse autoritarismo, uma expressão de um governo imperial ditatorial. Outras críticas apontam o objetivo de cercear e controlar as manifestações populares. Assim, a ampliação e o alargamento das avenidas facilitava a atuação da repressão policial. Além disso, todo o embelezamento da cidade, os parques, os novos edifícios e monumentos atendiam muito mais à burguesia do que ao resto da população. Segundo essa crítica, o centro urbano de Paris foi transformado num espaço burguês e a população pobre que antes vivia ali foi alijada para a periferia.

Contudo, nos últimos anos os estudos apontam para uma revisão mais objetiva e menos ideológica a respeito da atuação de Haussmann. Havia dois problemas muito concretos que precisavam ser resolvidos: o da insalubridade (foco de doenças) e o da circulação.

Para sanar o primeiro problema era necessário arejar e iluminar os espaços e promover a higiene. Mas, sobretudo, também era preciso um conjunto de obras de infra-estrutura de impacto negativo (água, esgoto, gás, árvores), pois se demolia e revirava-se o terreno, causando grandes transtornos.

Por outro lado, para dar conta do problema da circulação (de pessoas e de coisas) era preciso remodelar o traçado urbano para que funcionasse uma lógica racional dos diferentes fluxos. Foram construídos três tipos de boulevards : os de cruzamento, os de ligação norte-sul e leste-oeste e os periféricos que delimitavam o espaço urbano (por onde entravam as mercadorias necessárias à cidade). Este último era o limite com o subúrbio de Paris. Ele ligava todas as entradas para a região central sendo uma espécie de contorno externo.

A haussmanização aliou urbanismo com arquitetura. A cidade de Paris foi pensada como sendo um só monumento em que todas as partes se articulavam. Todas as construções formavam um único monumento urbano interligado por jardins, praças e parques.

É por tudo isso que o Barão Haussmann foi considerado o primeiro urbanista moderno, o que não o exime de críticas.

28 de abril de 2008

Canudos não se rendeu


Em 14 março de 1897 Euclides da Cunha publicou o artigo "A nossa Vendéia" no jornal O Estado de S. Paulo (na época Província). Depois foi enviado pelo jornal como correspondente de guerra à Canudos. Este artigo dividido em duas partes faz menção à Revolta da Vendéia (departamento francês) cujos habitantes (que não aceitaram a queda da monarquia) levantaram-se contra a República instalada pela Revolução Francesa numa guerra civil que só terminaria em 1799. Muitos identificavam essa revolta a um fanatismo religioso alimentado pelo clero local.

Então, Canudos nada mais era do que um bando de fanáticos incapazes de reconhecer os avanços decorrentes do governo republicano. Ao descrever a geografia e a topografia da região, Euclides da Cunha disse que o sertanejo é um produto deste meio, e que, "como na Vendéia o fanatismo religioso que domina as suas almas ingênuas e simples é habilmente aproveitado pelos propagandistas do império". Ora, o grande propagandista do Império seria Antônio Conselheiro, que na visão do escritor era "o mais sério inimigo das forças republicanas".

Republicano convicto, Euclides da Cunha sintetizou o pensamento corrente entre as elites do sul: Canudos representava uma grande ameaça para a soberania da República. Esta visão de quem estava distante, mudaria completamente ao chegar em Canudos no final da 4a expedição para cobrir a guerra. Em "Os Sertões", sob a atmosfera do horror dos conflitos, Euclides da Cunha reformulará sua posição inicial: "Aquela Campanha de Canudos lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo".

Ciente da ação criminosa do governo republicano contra uma população desvalida e carente, Euclides da Cunha percebeu que Canudos não se tratava de um problema político, mas de um problema social. Canudos foi resultado de um descaso secular do governo brasileiro, alimentada pela exploração dos chefes locais, os chamados coronéis. Seguir Antônio Conselheiro, não era seguir uma tendência política, mas alcançar concretamente uma forma de vida melhor, ainda que austera.

Se em "A nossa Vendéia" Euclides nutria uma profunda admiração pelo Exército Brasileiro exaltando a bravura e a persistência dos soldados diante de um clima e de uma geografia hostil, como vemos em suas palavras "A marcha do exército nacional, a partir de Geremoabo e Monte Santo até Canudos, já constitui por isto um fato proeminente na nossa história militar. É uma pagina vibrante de abnegação e heroísmo", em "Os Sertões", Euclides denuncia o fanatismo e a violência desmedida dos soldados, além da covardia.

"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento (...) quando caíram seus últimos defensores, quando todos morreram. Eram apenas quatro: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados. (...)"


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27 de abril de 2008

Estou perdendo meu filho

Hoje apareceu o primeiro dentinho do Bernardo. Meu Deus! Logo, logo ele já está saindo de casa!!!

23 de abril de 2008

O Homem do Livro e a origem dos bebês

Batman pergunta:
De onde vem os bebês? Esta pergunta sempre me pega.
Batman com 4 anos de idade.
Homem do livro responde:
Os bebês vêm da barriga das mamães. Vamos jogar bola?

Batman com 6 anos de idade que pergunta: Como o bebê foi parar dentro da barriga da mamãe?
Homem do livro responde:
É assim. Quando o papai ama muito a mamãe e fica bem pertinho dela o bebê começa a crescer dentro da barriga da mamãe. Agora, vamos tomar um sorvete!!! Eba!!!

Batman com 9 anos de idade que pergunta: Como o bebê sai da barriga da mamãe?
Homem do livro responde:
Bem, quando a barriga da mamãe está muito grande, o bebê fica tão apertadinho, mas tão apertadinho lá dentro que procura um buraquinho pra sair. Ah, esse desenho tá muito chato! Vamos mudar de canal? Olha que engraçado!!!

Batman adolescente que já não pergunta mais estas coisas.
Homem do livro orienta:
Preciso te dizer uma coisa muito importante. Sexo é algo muito belo! E esta beleza que o sexo possui não depende tanto da beleza do homem e da mulher. Quando nos sentimos atraídos por alguém admiramos a beleza do corpo da pessoa e ficamos encatados! Mas até mesmo duas pessoas muito bonitas podem ficar muito tempo juntas e não existir beleza entre elas. Duas pessoas muito bonitas podem até namorar por um bom tempo e não haver beleza neste relacionamento. O que torna a união de um homem com uma mulher bela é o Amor. E o Amor não é uma comédia romântica hollywoodiana ou uma coisa sentimental açucarada. Amar é desejar o bem do outro de tal forma que nem nos importamos mais com os nossos interesses. Quando somos jovens temos uma sede muito grande de amar e ser de amado. Naturalmente, vamos buscando isso e, às vezes, queremos forçar que isso aconteça logo... e acabamos por mendigar o afeto das pessoas, ou estabelecer uma relação de posse sobre elas... Então, quando tentamos forçar à barra, a experiência "amorosa" sempre é decepcionante. Mas sabe de uma coisa? O Amor, quando realmente verdadeiro, não precisa ser buscado nos outros. É estranho, mas é ele que chega até nós! Somos surpreendidos por ele! É o Amor que nos procura em situações que não esperamos, com pessoas que nem imaginávamos! E quando isso acontece, entre essas duas pessoas passa a existir uma união que ultrapassa a compreensão, os sentidos, as sensações, as emoções... É um vínculo tão grande e forte, algo de espiritual que nos move ao absoluto, ao humanamente impossível e improvável... E quando o sexo se realiza neste contexto é muito belo, pois não se busca o prazer em si, mas uma doação de si ao outro. A união dos corpos só tem significado e valor quando antecedida por uma profunda união livre e sincera entre duas almas... Ah!!! Isso você já sabe. Mas é assim que surgem os bebês!
Mas agora me ensina aquele truque no video game.

19 de abril de 2008

A páscoa judaica


Hoje os judeus comemoram a Páscoa. Em uma celebração familiar acontece o Seder (em hebr. ordem), "uma refeição ritual que testemunha tudo o que é relatado na cerimônia com uma ordem pré estabelecida na seqüência da narração e no uso dos símbolos". Esta seqüência encontra-se na Haggadá de Pessach (narrativa da páscoa). Nesta cerimônia os judeus atualizam os acontecimentos da noite em que Deus, através de Moisés, libertou o povo de Israel da escravidão no Egito conduzindo-os à Terra Prometida.

A palavra hebraica pessach significa passagem, referência à passagem de Deus sobre às casas dos hebreus, quando exterminou os primogênitos dos egípcios, poupando e libertando seu povo.
No dia da páscoa, a leitura da haggadá é feita por toda a família num contexto celebrativo de oração, onde é realizada a refeição ritual (seder).
Fazem parte da refeição:

- Um cálice de vinho para cada conviva do qual se bebe 4 vezes:
1a como cálice do êxodo ou da santificação;
2a como cálice da libertação;
3a como cálice da salvação ou da benção;
4a como cálice da eleição.
- Um cálice para o profeta Elias.
- Três matzôt (pão ázimo) devido as três famílias judaicas (Cohen, Levi e Israel) que representam a salvação operada por Deus ao povo.
- Um osso tostado (representando o cordeiro).
- Um ovo cozido que simboliza que a vida do homem muda como o ovo vira, e que portanto, os que estão aflitos receberão consolo.
- Água salgada que simboliza as lágrimas derramadas no Egito.
- Marôr (erva amarga que representa a amargura do Egito).
- Charôsset que é um mingau de sabor doce e suave símbolo da argamassa usada no trabalho dos hebreus ao fazerem tijolos no Egito. Como o sabor é agradável, representa também o trabalho abençoado dos tempos messiânicos.

Em toda a Haggadá, por meio de um diálogo, o pai esclarece aos filhos os significados dos alimentos, a história dos patriarcas, narra como Deus os salvou, responde à perguntas das crianças como "o que destaca esta noite de todas as noites?"e conta um pouco a história de grandes rabinos do passado. Rezam-se salmos e cânticos tradicionais.

Porém, o fato mais importante é que esta celebração não consiste em apenas fazer uma recordação da páscoa judaica. Diz a haggadá: Em todos os tempos e em todas as gerações cumpre a cada um de Israel considerar-se libertado do jugo egípcio. Pois assim lemos: "Naquele dia, assim falarás a teu filho: Eis que Iahweh fez por mim, quando saí do Egito." Não só os nossos antepassados libertou o Santo, que seja bendito; Ele nos salvou com eles.

Portanto, para os judeus, não se trata de uma simples recordação da saída do Egito, mas sim, de tornar presente aquele acontecimento. Deus novamente liberta cada judeu ao celebrar a páscoa. Acontece novamente a passagem de Deus que, conforme rezam, "nos conduziu da escravidão para a liberdade, da aflição para a alegria, do luto para a festa, da escuridão para a luz brilhante, da opressão para a salvação".

18 de abril de 2008

Pena de morte: o último que foi para forca

No dia 6 de abr. de 2008 a Folha de S. Paulo divulgou uma pesquisa sobre a adoção da pena de morte no Brasil. 47% dos entrevistados manifestaram-se favoráveis à pena de morte e 46% contrários a ela. Há um ano os números eram: 55% a favor e 40% contra. A conclusão é que a opinião das pessoas sobre este tema é condicionada a eventos com crimes extremamente violentos que causam grande impacto e indignação (como a morte do menino João Hélio no ano passado). Então, se a pesquisa fosse feita depois caso da morte de Isabella o resultado seria outro. Um crime bárbaro faz com que as pessoas exijam punição extrema e exemplar. Os críticos desta realidade afirmam que a pena de morte só é discutida quando a classe média-alta é cruelmente vitimada. Diariamente, nas periferias das grandes cidades jovens e adolescentes pobres são brutalmente executados e isso não comove e nem gera indignação em ninguém. São lembrados apenas nas estatísticas.

A pena de morte vigorou no Brasil até o Império e foi banida com a primeira constituição republicana de 1891. Um dos últimos enforcamentos ocorreu em 7 de mar. de 1855, quando Motta Coqueiro - fazendeiro de Macabu - recebeu a pena capital. Seu crime: ser mandante do cruel assassinato de Francisco Benedito, camponês que vivia em suas terras, sua esposa e seus cinco filhos. Três assassinos invadiram a casa de Benedito à noite e mataram as 7 pessoas a facadas. Depois, atearam fogo. O crime chocou toda a região. A população em seguidas manifestações exigia o enforcamento do acusado, pressionando a Justiça. Motta Coqueiro depois de um mês foi encontrado e preso. Durante todo o processo ele negou envolvimento no crime. Mesmo pedindo apelação não conseguiu reverter a pena. Em suas cartas à família, com grande desespero, deixava claro que não possuía nenhuma relação com o acontecido. No dia de seu enforcamento rogou uma praga à cidade de Macaé: por 100 anos a cidade ficaria estagnada.

Se Motta Coqueiro era culpado ou inocente ninguém sabe ao certo. O fato é que, após sua execução, ficou constatado que as provas contra ele eram muito frágeis. O próprio processo continha falhas de procedimento. O caso teria motivado o Imperador D. Pedro II a suspender a pena de morte no Brasil. Porém, isso não é atestado por alguns historiadores.

De qualquer forma, tanto antes como hoje, a pena de morte ainda é considerada como alternativa mais pelo impacto emotivo que alguns crimes provocam na sociedade do que pela reflexão apurada sobre os reais benefícios que a sua implementação promoveria. O vocês pensam sobre?

14 de abril de 2008

Tudo o que diz a Bíblia é história real?

O Homem do livro tem um grave problema. Ele quase nunca responde ao que é perguntado e sempre termina com uma infinidade de outras questões...

Mas vamos lá. É impossível exigir rigor histórico na narrativa do Gênesis sobre Adão e Eva. Trata-se mais de um relato que comporta diferentes tradições populares.

Em se tratando de História, nem tudo o que está na Bíblia é verdadeiro. Mas isso não é um problema, pois a Bíblia não foi escrita com a preocupação de comprovar historicamente tudo o que aconteceu no passado. Por outro lado, não podemos dizer que ela é um amontoado de fantasias. A Bíblia é uma fonte documental para os historiadores não tanto para sabermos quando ou como as coisas aconteceram, mas para verificarmos costumes, relações de poder, aspectos culturais e estruturas de pensamento dos povos antigos.

Mais então... o Gênesis relata toda a criação realizada por Deus em 6 dias. Adão e Eva são os primeiros habitantes do mundo. Eva deu à luz Caim e Abel. Caim matou Abel. E depois? Como aconteceu o povoamento do planeta? O Gênesis não responde. E por quê? Porque não é este o objetivo do texto. Na verdade, há uma lacuna, uma sucessão temporal perceptível, mas não mencinada. Após o crime de Caim, diz o texto que este teria sido assinalado por Deus - um sinal de proteção - para que Caim não fosse assassinado por outros povos. E de onde vieram estes outros povos?

Pois é. Este é um problema para nós; mas não era de modo algum para os hebreus contemporâneos à composição do texto. Esta é a questão: o sentido espiritual do texto é mais importante que qualquer intenção de comprovação histórica, ou pelo menos, de uma narrativa historicamente coerente. Assim, os primeiros capítulos do Gênesis evidenciam como a relação harmônica e direta entre os homens e Deus foi rompida (pela vontade dos homens) e quais foram as suas conseqüências. Portanto, é o sentido religioso que importa. E neste caso, o rigor científico nem deve ser considerado.

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Quem é o Homem do Livro

9 de abril de 2008

A descendência de Adão e Eva segundo o Homem do Livro

Batman e Robin perguntam:
Adão e Eva eram os únicos humanos que habitavam o planeta. Vamos supor que eles tiveram um filho que deram o nome de Daniel. Depois, eles tiveram uma filha que deram o nome de Patrícia. Daí, para a população crescer, o único jeito seria o Daniel ter um filho com a Patrícia (sua irmã) certo ?????

Homem do Livro responde:
Por todos os mocegos de Gothan City!!! Batman e Robin prenderam mais um vilão que arquitetava dominar o mundo!!! Após uma alucinante perseguição o homem-morcego capturou o perigoso Caim. O meliante confessou ter assassinado seu irmão Abel. Esta era a primeira parte de um meticuloso plano para dominar todo o Jardim do Éden.
Após interrogatório, Batman e Robin constataram que um problema familiar foi a causa da tragédia: a INVEJA - o mais detestável de todos os vícios - que o meliante sentia pelo irmão era tamanha que ele cometeu o crime. Os pais da vítima foram procurados, mas se negaram a comentar o caso.
O que ainda falta esclarecer:
Se Caim matou Abel, quem matou Celso Daniel?
Patrícia sabia do plano de Caim?
Se Adão e Eva tinham apenas dois filhos (Caim e Abel), como Daniel e Patrícia entraram no Jardim do Éden?

3 de abril de 2008

Banheiros da USP e a internet

Certa vez, ainda na faculdade, entrei no banheiro e me deparei com um rapaz portando uma filmadora ligada!!! Logo ele percebeu meu espanto, pois ninguém espera ser filmado enquanto urina... Disse-me para ficar tranqüilo. Ele se apresentou como um estudante da ECA e estava fazendo um trabalho de graduação, um curta, cuja temática era os recadinhos encontrados nos banheiros da USP. Para mim, os banheiros da USP ofereciam uma distinta oportunidade de contemplar a obra acadêmica enquanto se obra. Então, eu achei a idéia genial e não me importei em ser entrevistado - sem realizar o que eu pretendia fazer ali, é claro.
Ele me perguntou o que eu pensava sobre todas aquelas coisas escritas nos banheiros. Eu disse que, geralmente, achava muito divertido aquelas discussões entre comunistas e anticomunistas, críticas a organização (ou desorganização) da USP, os atributos dados a alguns professores... uma verdadeira obra coletiva.
Depois, ele me perguntou se eu acreditava naqueles recadinhos com telefone ou e-mail para contato logo abaixo de alguma descrição fálica ou esférica. Repondi que todos aqueles recadinhos picantes poderiam ser verdadeiros, mas que preferia acreditar que alguém deixava lá o telefone de outra pessoa só pra sacanear...
Ele pediu para que eu finalizasse minha primeira e única entrevista - a saber, hiper inusitada - dizendo o que me chamava mais atenção em todos aqueles escritos. Então, demonstrando possuir uma "apurada mente reflexiva" (mesmo naquelas circunstâncias), disse que o que mais me impressionava era perceber como que nesta atitude se manifestavam os valentões do anonimato, com críticas e idéias truncadas feitas de forma muito violenta e agressiva contra o seu debatedor. Ali estavam prolongados diálogos que jamais aconteceriam daquela forma olho-a-olho, mas que o anonimato tornavam possíveis.
Bom, eu me lembrei de tudo isso enquanto pensava na violência verbal e moral que são disseminadas pela internet em sites de relacionamento e em blogs. Essa difamação agressiva é cada vez mais comum entre os adolescentes que se escondem atrás do anonimato. São os banheiros da USP virtuais.

2 de abril de 2008

Os carteiros e as balas perdidas

Ontem, minha esposa foi até os Correios para enviar uma encomenda para o Rio de Janeiro. Um funcionário muito atencioso lhe explicou que os Correios da Cidade Maravilhosa estavam em greve e as entregas atrasadas. O pior é que os reflexos já eram sentidos em São Paulo, pois uma greve afeta a logística de todo país.
Ela achou estranho só os carteiros do Rio estarem em greve. O rapaz respondeu que não se tratava de uma questão salarial, mas de condições de trabalho. Os carteiros cariocas exigem segurança para poder trabalhar!!! Eles são constantemente assaltados, são alvo de ameaças e trabalham em meio a tiroteios!!! Mais essa sobre o Rio... Arrastão, tráfico, drogas, policiais corruptos, milícias, hospitais caóticos, dengue... Meu Deus!!! Sempre pode piorar!!!
E minha esposa comentou: "além de fugir dos cachorros, agora eles tem de correr de balas perdidas..."

1 de abril de 2008

1º de abril

Serra aumentou o salário dos professores!!!
Corinthians vai ser campeão paulista!!!
Ninguém tirou vermelho na prova de História!!!
Alguém sabe de onde veio esta história de Dia da Mentira?