24 de fevereiro de 2008

As montadoras de veículos e o aquecimento global

Já repararam que as propagandas de carros modelo adventure sempre estão em contato com a natureza? Nada de mais, afinal, o carro foi feito para gente assim, que gosta de aventura e de emoção. É o carro ideal para fugir do caos urbano e contemplar a natureza idílica em locais de difícil acesso. Isso não é estranho? Temos um carro ideal para poluir lugares que os outros carros não conseguem chegar?!?!?!

Eu não quero voltar às carroças não... Preciso do meu carrinho para chegar até a escola! Mas é bom pensar sobre as incoerências do mundo dos homens. O relatório do IPCC responsabilizou a atuação humana pelo aumento da temperatura do planeta. Então, os gases resultantes da intensa produção industrial e da queima de combustíveis dos diferentes meios de transporte fazem nosso mundo piorar cada vez mais. No entanto, ninguém é louco de desacelerar a econômia em benefício do futuro do planeta. O que importa são os negócios! O que importa é o capital! O capital que tudo domina e que tudo danifica.
Por curiosidade, tentei descobrir dados sobre a fabricação de carros no Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, em 2007, foram vendidos 2.444.437 veículos no país. A produção e a compra tem aumentado vertiginosamente diante das facilidades em conseguir um financiamento. E entre adquirir o grande sonho de consumo ou ajudar a preservar o planeta...

Em tempos em que a palavra do momento é sustentabilidade, eu fiquei pensando em como seria uma propaganda, uma campanha publicitária ecologicamente correta de uma grande montadora. Como passar a idéia de "preserve o planeta, compre um carro"? Alguém teria uma sugestão?

22 de fevereiro de 2008

Meus poemas

Paz

Recobrar a Paz é voltar à vida
é passar pelo tempo sem ser atormentado
é tranqüilidade não fingida

Estar em Paz é mergulhar na própria alma
e nela sentir doce encanto
mais doce que criança em acalanto
mais seguro que conselho de mãe que acalma

Transmitir a Paz é agir sem nada fazer
é provocar sorriso e nele se alegrar
e na suave melodia do universo se deixar envolver

19 de fevereiro de 2008

Imperialismo, neocolonialismo e colonialismo na Europa

Como assim? colonialismo na Europa?!?!
É isso mesmo! A Europa colonizadora, hoje é colonizada por latinos, asiáticos e africanos em busca de uma vida melhor. É como se estivesse acontecendo o processo inverso do ocorrido nos séculos XV, XVI e XIX.
Bom, na verdade, trata-se de mais um fenômeno de migração que existe neste planeta desde o surgimento do primeiro homo erectus. Colonização é algo mais complexo que envolve um projeto claro, articulado, de grandes dimensões. Mas, talvez seja possível divagar por aí, uma espécie de ironia meio esquesita da história. Não há como não relacioná-lo ao Imperialismo.

Chamamos a ação imperialista dos países europeus sobre a África e a Ásia de neocolonialismo. Em busca de matéria-prima para abastecer as indústrias européias em meio à Segunda Revolução Industrial, o continente africano e parte da Ásia foram divididos entre as potências européias. Esta exploração garantiu que a Europa ficasse ainda mais rica. Já a África e a Ásia mergulharam numa profunda miséria cujos efeitos são sentidos até hoje.

A atuação européia resultou na estagnação econômica e na ausência de condições mínimas de infra-estrutura nestas regiões. Além disso, os europeus desarticularam toda a organização tribal em seus territórios, o que gerou intensos conflitos de grupos rivais pelo poder após a independência das colônias. A fome, a miséria, a guerra e as epidemias destróem populações inteiras ainda hoje.

Bom, mas por que é possível falar em colonialismo na Europa?
Com a descolonização da Áfria e da Ásia após a Segunda Guerra Mundial alguns países europeus como a França facilitaram o acesso de seus ex-colonos à cidadania. Era uma forma de compensação, de limpar essa mancha no passado da nação que primeiro defendeu os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Então, muitos africanos e asiáticos migraram para a Europa em busca de uma vida melhor. Esses migrantes vivem mas periferias das grandes cidades (como Paris) e, geralmente, não conseguem emprego.
Após décadas de políticas que incentivaram a contracepção e a conseqüente queda dos índices de natalidade, a Europa se vê num dilema: em algumas regiões o crescimento vegetativo é negativo (morre mais gente do que nasce). O imigrante é, portanto, necessário para compor quadros no setor produtivo, mas muitos não possuem qualificação. Os que chegam desejam usufluir das vantagens da União Européia e não querem incorporar a cultura e o modo de vida local. Trazem seus costumes, sua religião, vivem juntos em guetos para preservar sua identidade cultural. São vistos com desconfiança e responsabilizados pelo aumento da criminalidade. Os conflitos são cada vez mais freqüentes e o clima de xenofobia ora velado, ora escancarado está muito presente entre os europeus. À contragosto, a velha Europa aos poucos é renovada pelos ex-colonos que tanto explorou um dia...

17 de fevereiro de 2008

A Belle Époque e a Revolução Tecno-científica


Chamamos de Belle Époque o período de 43 anos entre o final da Guerra Franco-Prussiana (1871) e o início da 1ª Guerra Mundial (1914). Este período de paz possibilitou um espírito de harmonia social e de grande euforia. A ausência de guerras na Europa e, conseqüentemente, a atmosfera de tranqüilidade, levaram os europeus a desfrutar cada vez mais da vida, através de divertimentos como circos, casas de espetáculos (music-hall) e o cinema.

Tudo era festa. Havia uma grande procura por entretenimentos sensacionais e extraordinários; qualquer coisa que rompesse a barreira do cotidiano comportado das pessoas era buscada. Assim, casas de espetáculos como o Moulin Rouge em Paris eram muito freqüentadas. O Moulin Rouge era uma mistura de prostíbulo, circo com acrobatas e danças orientais, artistas que cantavam, recitavam poemas e contavam piadas... Havia uma interação total do público com os espetáculos. As pessoas comiam, bebiam, falavam, gritavam, vaiavam, aplaudiam, atuavam com os artistas, enfim, tudo muito espontâneo e sem regras de comportamento. Muito mais que um local de lazer, o music-hall oferecia aos freqüentadores uma liberdade de comportamento que não era possível no dia-a-dia urbano. Nele, também se realizavam comentários sobre política e sobre a sociedade parisiense. Geralmente, todas os shows eram apresentados de forma extravagante ou bizarra. Desta maneira, as casas de espetáculos retratavam um clima presente em grande parte da população européia: a busca pela boa vida e pelo desfrute das comodidades do avanço da ciência.

Toda essa euforia era alimentada pela Revolução Tecno-científica que ocorreu a partir de 1870. Novos campos industriais foram gerados como a indústria química, farmacêutica, “eletrotécnica” e petrolífera. Esses avanços tecnológicos não apenas aumentaram a produção industrial, mas a diversificou, colocando no mercado consumidor uma série de invenções dentre as quais, muitas ainda fazem parte do nosso cotidiano. Segundo o historiador Nicolau Sevcenko, foram elas: o telégrafo, o telefone, a iluminação elétrica, os eletrodomésticos, a fotografia, o cinema, o rádio, a televisão, os arranha-céus, os elevadores, escadas rolantes, os sistemas metroviários, parques de diversões elétricas, as roda-gigantes, as montanhas-russas, a seringa hipodérmica, a anestesia, a penicilina, estetoscópio, medidor de pressão arterial, os processos de pasteurização e esterilização, os adubos artificiais, os vasos sanitários com descarga automática, o papel higiênico, a escova de dentes, o sabão em pó, os refrigerantes gasosos, o fogão a gás, o aquecedor elétrico, o refrigerador, o sorvete, as comidas enlatadas, as cervejas engarrafadas, a Coca-Cola, a aspirina, o sonrisal... Todas essas transformações ocorridas em um curto intervalo de tempo com uma velocidade assustadora invadiram o cotidiano das pessoas e provocaram mudanças de hábitos. Coisas jamais vistas ou pensadas passaram a fazer parte do dia-a-dia dos centros urbanos. O mundo andava mais rápido, já que avanços técnicos permitiram uma modernização nos meios de transporte com o desenvolvimento de trens mais velozes, a criação do motor a combustão que seria usado nos carros e caminhões, a conquista do ar através do avião e os suntuosos transatlânticos que aproximavam a Europa da América.

A industrialização ampliou os postos de trabalho e neste período houve um crescimento da população européia, já que a medicina passou a combater com mais eficácia a mortalidade infantil e permitiu o aumento da expectativa de vida das pessoas.

É claro que quem desfrutou de todos estes benefícios tecnológicos e de todos os avanços ocorridos durante a Belle Époque foi a elite. A maior parte da população européia permaneceu a margem deste processo. Na verdade, é possível dizer que a exploração empreendida aos trabalhadores que possibilitou grande parte desses avanços.
Contudo, esta euforia, própria da Belle Époque, levou os inúmeros europeus a acreditarem no cientificismo e no positivismo, que nada mais eram do que a crença de que o mundo caminhava sempre para o progresso, ou seja, caminhava sempre para um estágio mais evoluído de desenvolvimento econômico e social. A ciência seria capaz de resolver todos os males da sociedade e de permitir uma vida plenamente feliz. Ela libertaria o homem de suas superstições religiosas e faria com que todos gozassem da tecnologia. Essa crença no cientificismo seria completamente abalada com a 1ª Guerra Mundial. Após os conflitos ficou provado que o avanço tecnológico não trazia somente benefícios para a vida das pessoas, mas poderia destruir grande parte da humanidade.

14 de fevereiro de 2008

Garoto Gorfadinha em: O Hulk do Egito

Garoto Gorfadinha - Meu Deus!!! Não acredito!!!
Osíris - Você me chamou, rapaz?
Garoto Gorfadinha - O Incrível Hulk existe mesmo!!! Jamais pensei que o encontraria aqui no Egito!
Osíris - Sou Osíris, soberano do reino dos mortos, deus da terra, das plantações, responsável pela vida do Egito.
Garoto Gorfadinha - Esse seu disfarce não me engana... Você é o Hulk sim... é verde que nem ele.
Osíris - Não sei o que você está dizendo. Sou responsável pelas cheias do rio Nilo que tornam o solo fértil e apto para as plantações! Por isso sou verde, rapaz. Quem é este Hulk?
Garoto Gorfadinha - O Hulk é um cientista que quando fica muito nervoso se transforma num monstro gigante e muito forte. Tem até um filme, você nunca viu não?
Osíris - O quê? Você está me comparando a um monstro? Que teu coração seja devorado em teu julgamento!!!
Garoto Gorfadinha - Fica calmo seu Osíris. O Hulk não é mau não... ele só perde um pouco o controle sobre si... Mas já que você não é o Hulk, conte-me um pouco a sua história.
Osíris - Bem, minha história é um pouco trágica. Ah, meu irmão Seth... este sim é um verdadeiro monstro! Sempre teve inveja de mim... quis sempre tomar o meu lugar.
Garoto Gorfadinha - Meu irmão é legal. Eu só não gosto quando ele toma meu paninho...
Osíris - Pois Seth tomou de mim o meu trono! Fui enganado por aquela víbora!!! Primeiro, me prendeu numa espécie de cofre e me lançou no Nilo. Ísis minha esposa ficou desesperada, mas conseguiu recuperar meu corpo próximo à Fenícia. Ela chorou tanto sobre mim enquanto velava... Fez isso com tanta dor e com tanta força que ficou grávida...
Garoto Gorfadinha - O quê??? Sua esposa engravidou de um defunto???
Osíris - Isso mesmo!
Garoto Gorfadinha - Ainda bem que isso não acontece no mundo dos homens... Na minha terra muita gente chora em velório... Mas, como você está aqui? Você morreu de verdade?
Osíris - Sim, e para piorar a situação, Seth descobriu que Ísis havia me encontrado. Movido de ódio ele cortou meu cadáver em 14 pedaços espalhando-os por todo o Egito.
Garoto Gorfadinha - Esse Seth é mau mesmo, heim?
Osíris - Mas minha amada esposa pediu ajuda. Neftis voou por todo o Egito e juntou meus pedaços. Depois, Anubis reconstituiu meu corpo através da mumificação. Eu sou a primeira múmia do Egito, rapaz.
Garoto Gorfadinha - Ah, eu não acredito nesta história de múmia... opa, o que é aquilo ali? Meu Deus!!! Uma múmia vindo em minha direção!!! SUPER JATO DE GORFO PARALISANTE ATIVAR!!!
Leia também:

10 de fevereiro de 2008

O marcador de páginas

De um simples marcador de páginas amassado, meu filho criou um mundo fantástico. Primeiro, marcador era um carro, depois um avião, depois um elefante, uma girafa, uma vaca, um cavalo, uma mamadeira com leite para o Firmino (cachorro de pelúcia), um pedaço de bolo, um telefone celular... E com todas essas coisas no marcador amassado ele brincou por uma hora completamente fascinado! Quando criança é assim... a gente fica contente com coisas muito pequeninas. Então, a gente cresce, despreza as pequenas coisas e se ilude com as grandes.

9 de fevereiro de 2008

Alunos sumindo

Ao participar das atribuições de aula para as escolas públicas paulistas percebe-se a cada ano um número cada vez maior de classes que deixam de existir por falta de alunos. Com esta evasão, novas salas não são abertas e os professores ficam com menos aulas. Os últimos a escolher choram de desespero!
Por que tantos alunos desistem?
Para os burocratas da secretaria de educação isso ocorre porque o professor não motiva os seus alunos, claro... E quem deveria motivar os professores?
A verdade é outra. Antes, falava-se em estudar para ter um futuro melhor! O atual sistema educacional não garante futuro pra ninguém. O que um aluno que terminou o Ensino Fundamental conquistou de fato? Está verificado que, na melhor das hipóteses, a grande maioria termina a vida escolar como um analfabeto funcional. Então, para que permancer numa escola que nada significa e pouco acrescenta?
A escola de hoje nada mais é do que uma tentativa de contenção de distúrbio civil, uma tentativa de evitar a criminalidade cada vez mais precoce cerceando jovens de futuro nem um pouco promissor num espaço fechado.

8 de fevereiro de 2008

Podres poderes

Houve uma época em que eu acreditava que para uma mudança social profunda bastava a pessoa certa assumir o poder. Hoje acredito que os poderes constituídos - independente de quem os ocupem - não possuem poderes de fato. Como isso? Um poder que não é poder? Na verdade, é um poder que pode pouco... É ingênuo pensar que o presidente Lula comanda o Brasil ou o Bush os EUA. Os poderes constituídos são reféns do capital! O que comanda na verdade são os grandes trustes internacionais, as grandes corporações financeiras e, quiçá, as sociedades secretas - que já não são tão secretas assim...

4 de fevereiro de 2008

Estudando Sampa

Praça da Sé por Paulo Stocker
Definido como um blog de rascunhos é na verdade bem mais que isso. É a captura do cotidiano dos paulistanos em traços. Dê uma olhada!

3 de fevereiro de 2008

Carnaval e História

Não sou muito fã do carnaval. Gosto muito de demonstrações de alegria - ainda que fugazes - e de festas populares, mas não gosto desse carnaval produzido. Carnaval, pelo menos na sua origem, requer manifestação espontânea, coisa de bloco de rua, de cordões que reúnem amigos, familiares que brincam, dançam, cantam... É ali que está o carnaval de verdade. Hoje, o que vemos pela TV em São Paulo, Rio, Salvador não tem nada de espontâneo. É uma produção que envolve muito dinheiro, antes bancado pelos bicheiros, hoje pelos traficantes (pelo menos no Rio).

O brasileiro pouco importa com sua História e não se identifica com ela. Mas no carnaval produzido acontece algo curioso, pra não dizer estranho. Assim como novela das 6 se não for de época é um fracasso na audiência, enredo de samba que faz sucesso é com tema histórico. É bem verdade que o povo aplaude a escola e não a História que passa pela avenida. Mas ela está lá, bem mal contada mas tá.

As Escolas de Samba se transformaram em verdadeiras indústrias do carnaval. A "comunidade" vai cada vez menos pra avenida. E o samba patrimônio nacional? É tudo igual, só muda a letra. Esse carnaval produzido só serve para atrasar as coisas no país e acentuar esteriótipos no exterior. Quem ganha com esse carnaval? Quem o produz, quem o patrocina e quem o exibe. Os foliões? Como disse minha esposa, esses só perdem... perdem dinheiro, perdem tempo, perdem sono, perdem a vergonha, perdem a saúde... O carnaval produzido já está institucionalizado... é encher a cara e partir pra folia!!! Tudo fica para depois do carnaval, os gringos continuam vindo em busca de sexo fácil e barato... que bobagem... são apenas detalhes que não ofuscam o brilho da "autêntica festa de manifestação popular brasileira".