6 de julho de 2015

4 de julho de 1776

A Declaração de Independência dos Estados Unidos redigida em 1776 foi um grande marco para a História, pois se tornou uma espécie de modelo para a luta contra o despotismo e pelo direito de cada povo se autogovernar.
Thomas Jefferson

Nela estão estampados alguns dos ideais do liberalismo político e do iluminismo, quando por exemplo, afirma os direitos inalienáveis a vida, a liberdade, a segurança e a felicidade. Na declaração, os governantes devem ser escolhidos em vista de garantir esses direitos e, caso não o façam, serão destituídos pelo povo.
O texto relaciona uma série de violações feitas pela Inglaterra que justificariam a independência e termina declarando a independência das colônias.
"em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes"
 Texto da Declaração

Há uma crítica muito interessante: Com este documento, os americanos rejeitaram o Império Britânico. E no entanto, se tornaram um país imperialista. Não seria um paradoxo? Os ideais dos fundadores dos EUA foram postos de lado na relação dos americanos com o resto do mundo.

1 de julho de 2015

O que é Arqueologia?

Certamente, quem é de minha geração teve o primeiro contato com a Arqueologia através dos filmes do Indiana Jones. Eram divertidos, cheios de aventura, emocionantes. Cientificamente, eram pavorosos! Um verdadeiro desserviço para a Arqueologia e para a História... repletos de estereótipos, preconceitos culturais... um horror! Ah, mas quem não queria ser como ele? Eu não duvido que muita gente foi fazer faculdade de História graças ao Indiana Jones. Não foi meu caso. Mas confesso que, durante a graduação, não deixei de comprar o chapéu do Indiana em uma daquelas lojas do Vale do Anhangabaú no centro de São Paulo.


Definitivamente, não dá para aprender o que é Arqueologia com o Indiana Jones. Mas em mim despertou o encantamento.
Recentemente, li um belo artigo do professor Paulo DeBlasis, Vice-diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, no qual ele define a Arqueologia. O que mais me chamou a atenção é que ele parte da forma mais consagrada de defini-la e depois aborda uma maneira mais moderna de compreendê-la.


Então, tradicionalmente, a Arqueologia se preocupou em compreender os estilos de vida e a evolução de nossos antepassados a partir de vestígios materiais de sua cultura. Esses vestígios são encontrados em sítios arqueológicos. Assim, os arqueólogos procuram o que restou das coisas que essas sociedades fabricaram e usaram.
Os vestígios arqueológicos permitem compreender como essas sociedades vivam e se organizavam, quantos eram (demografia), de onde vieram (migrações), como se relacionavam com o meio ambiente (adaptação), suas bases econômicas e tecnológicas, por que desapareceram, e assim por diante.
No entanto, DeBlasis argumenta que a arqueologia ganhou dimensões mais amplas. Também é necessário estudar os diferentes ambientes do planeta e como eles foram alterados pela ação humana. Hoje, os arqueólogos estão muito conscientes de que os homens da Pré-história deixaram marcas de sua presença também na paisagem. E isso faz com que os vestígios da presença humana ultrapassem os objetos e os utensílios fabricados por eles.
Os arqueólogos e os ecólogos estudam vestígios bem mais sutis, como a variação da composição das formações vegetais ao longo do tempo, muitas vezes influenciada pela ação humana, ou a presença de níveis enterrados de carvão indicando queimadas, ou ainda, modificações intencionais das formas naturais do terreno causadas por estradas, canais, etc.
Um dos resultados desse novo olhar é que ele desmistifica a ideia de que há regiões do planeta intocadas pela presença humana. Na verdade, as paisagens consideradas naturais também guardam vestígios dos homens pré-históricos.