26 de novembro de 2012

O homem que colocou o Sol no centro

Nicolau Copérnico, é claro! Está lá no livro da escola. Ao contrário das criaturas atrasadas que viviam na Idade Média (só pra avisar, estou sendo irônico) que diziam que a Terra está no centro do Universo, Copérnico defendeu o heliocentrismo (Sol no centro).

E Aristarco de Samos? Poucos conhecem. Ele foi um astrônomo que viveu entre 310-230 a.C. Escreveu As Dimensões e as Distâncias do Sol e da Terra. Apenas com a observação, sem o auxílio de nenhum instrumento (nenhum mesmo!) ele descobriu coisas fantásticas, como:
- O Sol é uma estrela muito maior que a Terra. Não fazia sentido um astro tão grande orbitar ao redor de um muito menor que ele;
- A Terra gira ao redor do Sol que permanece imóvel;
- A Lua gira ao redor da Terra;
- A Lua é iluminada pela Sol;
- Aristarco conseguiu estimar a distância da Lua em relação a Terra;
- Ele também estimou a distância do Sol em relação a Terra.

Como ele conseguiu fazer isso?
Observando dois eventos: O eclipse lunar e os fins de tarde em que a Lua aparece no céu antes do Sol se por.

Aristarco percebeu que a Lua leva aproximadamente 1 hora para percorrer uma distância do mesmo tamanho do seu diâmetro. O eclipse da Lua ocorre quando a Terra fica entre o Sol e a Lua, certo? A sombra da Terra escurece a Lua. Em um eclipse Aristarco percebeu que a Lua ficou por volta de 2 horas na sombra da terra. Então, a largura da sombra da Terra tinha o tamanho de duas Luas. Consequentemente, Aristarco deduziu que o diâmetro da Lua é metade do diâmetro da Terra (raio).


No segundo evento ele observou a Lua no exato momento em que metade dela fica iluminada (ainda quando é dia). Assim, ele baseou seus cálculos nos ângulos formados pelas retas ligando a Lua, a Terra e o Sol no momento exato em que as retas formam um triângulo retângulo, ou seja, quando um dos ângulos mede 90 graus.

Tanto no eclipse lunar quanto no triângulo Lua, Terra e Sol, provavelmente, Aristarco usou a trigonometria para calcular a distância dos dois astros em relação à Terra. Levando em conta o diâmetro, o raio, a órbita e o tempo de percurso ele afirmou que a distância Lua-Terra é 80 x o raio da Terra. A distância Sol-Terra é 19 x a distância Lua-Terra (na verdade, não é isso). Não me atrevo a demonstrar como é esse cálculo. Mas podem ver aqui e me expliquem depois.
Seu método foi genial, apesar dos resultados não serem nada precisos. Isso porque o ângulo entre os três astros não possui o mesmo valor que Aristarco presumiu. O mesmo vale para a razão entre os diâmetros da Terra e da Lua.

Mas isso não importa! o cara mandou bem... é gênio! Será que a humanidade está embrutecendo?


16 de novembro de 2012

Os Guerreiros de Xi'an

Quando os Guerreiros de Xi'an vieram para São Paulo visitei 4 vezes a exposição na Oca do Ibira. Em uma delas, fui com a minha esposa (na época pretendente). Foi um lindo passeio romântico! Eu, a Fá e os alunos... Até chegarem em Sampa e ficarem diante dos meus olhos, houve uma longa história por detrás daqueles imensos guerreiros em terracota.
Qin Shi Huang foi o primeiro imperador da China. Com seu disciplinado exército e suas balistas poderosas, ele dominou outros reinos e unificou a China durante seu governo (221-210 a.C.). Foi ele quem iniciou a construção da muralha da China. Morreu cedo (coitado), provavelmente envenenado por mercúrio. É que Qin Shi Huang buscava desesperadamente alguma forma de não morrer nunca (o cara unificou a China e não queria de jeito nenhum largar o osso). Bom, talvez o imperador foi acometido pela síndrome do "eu sou insubstituível!!!" (muita gente ainda sofre desse mal) e quis viver eternamente. Os médicos receitavam mercúrio para o imperador viver para sempre (só se for no além, né?).


O que importa neste post é que Qin Shi Huang construiu um gigantesco mausoléu subterrâneo com 56 quilômetros quadrados na cidade de Xi'an. Esse imenso complexo, além da tumba imperial serviu para abrigar seu exército em terracota. Estima-se que mais de 8000 soldados, 520 cavalos, 150 carros além de outros 150 cavalos de guerra foram enterrados com o imperador. Para construir seu mausoléu subterrâneo e confeccionar uma quantidade tão grande de estátuas em tamanho natural, muitas vidas foram sacrificadas. Centenas de artesãos foram enterrados "vivos" para que o segredo da tumba não fosse revelado. Cada um dos 8000 mil soldados possuem feições únicas, individualizadas, como se fossem reais.

O mais impressionante é que os Guerreiros de Xi'an só foram descobertos em 1974 por camponeses que viviam na região. A maior parte das estátuas continuam embaixo da terra. Dizem que a tumba do imperador ainda não foi aberta (eu duvido. É segredo do governo comunista).

Só falta dizer que com esse passeio super romântico os Guerreiros de Xi'an testemunharam o preâmbulo do nosso namoro. E essa foi a maior de todas as façanhas destes destemidos soldados!

Foto do sítio arqueológico transformado em museu


6 de novembro de 2012

A vida beata

Calma. Pensando bem, não vamos falar sobre a vida da simpática Dona Clotilde. Este post não é sobre a vida da beata, mas sobre a vida beata. Uma vida beata todos a desejam, inclusive você. Beatitude significa Felicidade. Todas as pessoas querem ser felizes. A discordância entre elas começa quando se discute o que é a felicidade e como encontrá-la. Aí cada um fala uma coisa. Felicidade é... É feliz quem... O caminho para a felicidade é... Para ser feliz...
Há respostas lindas e até comoventes!
Mas na verdade, falar sobre Felicidade está mais pra papo filosófico do que questão de preferências. Se pensarmos bem, o que acontece mesmo é que ficamos felizes, mas não necessariamente estamos felizes. Aí vem a grande questão: A Felicidade é uma realidade ou algo que eu imagino, uma sensação que tenho. Se a Felicidade é uma realidade, ela é permanente e não depende da minha existência; eu posso participar ou não desta realidade. Agora, se a Felicidade é algo subjetivo, que eu imagino, uma sensação que tenho quando algo acontece, tenho de me entregar a uma insaciável busca por instantes de felicidade através das coisas ou das pessoas. No primeiro caso, eu estou feliz independentemente do que aconteça. No segundo caso, eu fico feliz se algumas coisas acontecem.
Um pensador cristão que viveu na Antiguidade Tardia chamado Agostinho (354-430) escreveu coisas interessantíssimas sobre a Felicidade.

Para Santo Agostinho a Felicidade é uma realidade plena a ser buscada. Todos os homens a desejam, por isso constantemente a buscamos nas coisas ou nas pessoas. O problema é que esta Felicidade plena não pode estar no que é finito. De fato, é fácil perceber o quanto estamos cercados de coisas transitórias. Do saquinho de amendoim à paixão avassaladora, tudo acaba. Para Agostinho não é racional colocar a razão de nossa Felicidade em algo que não vai durar por ser finito. Se a minha Felicidade está em algo instável e transitório, eu já sei de antemão que vou deixar de ser Feliz. Ora, como ser Feliz já sabendo que eu vou deixar de ser Feliz quando a razão de minha felicidade não mais existir? Tá vendo como não é simples? As pessoas resolvem isso simplesmente não pensando sobre. Basta curtir o momento, os instantes de felicidade, basta se sentir feliz e não ser feliz. Só que não ser feliz é ser infeliz. Para Santo Agostinho, quem vive nesta condição é mais miserável que um indigente... aliás, para ele, a infelicidade é a verdadeira indigência! Portanto, para Agostinho não dá pra se contentar em se sentir feliz. É necessário ser Feliz.
Putz... Como se revolve isso então? O que o homem deve buscar para ser Feliz? Disse Agostinho que é 
necessário que procure um bem permanente, livre das variações da sorte e das vicissitudes da vida. Ora, não podemos adquirir à nossa vontade, tampouco conservar para sempre, aquilo que é perecível e passageiro (...) se alguém quiser ser feliz, deverá procurar um bem permanente, que não lhe possa ser retirado em algum revés de sorte.
Que Bem é esse? O que é imutável por natureza? Para Santo Agostinho esse bem imutável é Deus. Deus é o próprio Ser. Ele é o Ser no qual todas as coisas subsistem. Se Deus mudasse, Ele deixaria de Ser. Isso é um paradoxo! O Ser não pode deixar de ser, já que a ausência de Ser é o Nada! Que loco heim?


2 de novembro de 2012

Francis Bacon e o método indutivo

O professor de História Antiga da faculdade dizia: "Deixem de ser empíricos! É necessário dar um salto!" Eu, calouro, caipira do interior com medo de cidade grande, não entendia... Demorou, mas depois (bem depois) entendi. O professor não queria que reproduzíssemos apenas o que constava num documento. Era o que todos costumavam fazer: dizer com outras palavras o que já estava no texto ou na imagem.
Bom, quando se trata de empirismo não dá pra não falar de Francis Bacon (1561-1626). Ele não é o criador desta prática, mas a adotou plenamente, a ponto de desenvolver todo um método científico que seria trilhado pela ciência moderna: o método indutivo.
Basicamente é assim: para conhecer as coisas é necessário um método, isto é, um procedimento que procure resolver problemas práticos. Para tanto, não há como produzir um conhecimento científico sem uma pesquisa experimental. Assim, diante de um problema real, o cientista elabora e observa experimentos que procuram responder este problema. A ciência moderna trilhou esse caminho inaugurado por Bacon. Um experimento testa uma hipótese várias vezes. Se o resultado do experimento comprova a hipótese, o problema é resolvido. A importância do método indutivo é que a partir da observação de um experimento particular se estabelece uma lei geral constante sobre aquele fenômeno ou problema. Ou seja, respeitadas as mesmas condições, o resultado tende ser o mesmo. Daí dá pra dizer que houve um conhecimento realmente científico, baseado em um método cujos resultados podem ser comprovados.

Leia também: Garoto Gorfadinha entrevista Francis Bacon