29 de setembro de 2009

E então, me exonerei

Um sentimento estranho de tristeza e de alívio. Tristeza pela consciência do pouco que consegui fazer. Alívio por não suportar mais. Eu me exonerei do cargo de professor efetivo de História do Estado de São Paulo. Na verdade, bem antes do esperado, bem tarde do desejado. Fui até o limite físico e emocional... não dava mais. Não conseguia ser bom nem no Estado, nem na Prefeitura, nem no mestrado, pai pela metade, marido pela metade...

Quando assinava minha exoneração pensei: coisas que foram duramente conquistadas, para serem perdidas bastam poucos segundos... Batalha-se para cursar uma universidade pública. Luta-se para sair bem dela. E, após recebido a melhor formação possível, sente-se estimulado a devolver à sociedade tudo que recebeu mediante dinheiro público. Preparado, passa nas primeiras posições do concurso. Feliz, estimulado, cheio de ideias e de ideais, certo de que pode fazer a diferença... Então, é lançado nas piores condições possíveis de trabalho, em um ambiente onde a mediocridade prolifera e nada funciona. Luta, leva no peito, enfrenta. O que há de jovem não se entrega facilmente. Mas aí, passam-se dias, meses, anos... resultado? Vem o desânimo, o cansaço, a sensação de inutilidade, a perda da saúde e a pergunda: afinal, sou professor? NÃO. SOU APENAS UMA MÃO-DE-OBRA BARATA SUBAPROVEITADA.

Não quero ser professor herói. Quero apenas ser professor. E em 5 anos trabalhando na rede estatual paulista pouquíssimas vezes me senti professor. Na verdade, nem me lembro quando.