3 de setembro de 2008

American way of life


Imagine uma mulher toda sorridente em sua cozinha utilizando todos os seus eletrodomésticos para fazer uma torta. Seu marido acabou de chegar com seu novo carro conversível feliz da vida. Ele, apesar de ter trabalhado o dia todo, chama o seu filho e ambos, sorrindo sem parar, manobram o cortador de gramas elétrico no jardim da casa. Ao ouvir o papai, a filha mais nova sai correndo ao seu encontro mostrando o seu mais novo brinquedo. A mamãe chama e todos sorrindo felizes da vida sentam-se para comer a torta. Depois, todos felizes da vida, vão para a frente da TV. E assim, com o consumo de modernas e práticas tecnologias, reina a harmonia e a felicidade plena. Eis o Amerian way of life. Pelo menos essa é a sua representação em meados do século XX quando ainda havia a família tradicional. Hoje essa cena ganhou novos contornos, mas o espírito do American way of life permanece.

Esse modo de vida americano se espalhou pelo mundo e é imitado por diferentes sociedades. Ser como os americanos é ser considerado moderno. Até mesmo nas culturas mais tradicionais como a japonesa ou chinesa percebe-se o deslumbre pelo jeito americano de ser.

A sociedade de consumo se apresenta como sinônimo de felicidade. Eis o lema: "Compre para ser feliz!" Essa idéia de bem-estar, sucesso e felicidade associado à venda de um produto convence! Assim, somos impelidos a consumir coisas completamente dispensáveis para vida. Precisamos do celular de última geração ainda que o anterior cumpra plenamente a função para qual foi fabricado.

A sociedade de consumo valoriza as pessoas pelo que elas possuem e não pelo que elas são. Certamente, o grande ícone desta sociedade continua sendo o automóvel. Este, desde quando foi inventado nunca foi pensado simplesmente como algo que serve para levar pessoas de um lugar para outro. Ele é uma forma de ostentação e de poder, símbolo de ascensão social e de prestígio. É por isso que não se pode ter qualquer carro.

O resultado prático desse estilo de vida é a propagação cada vez maior de um jeito vazio de ser (um outro nome para o American way of life?) cujos valores éticos são deixados de lado em nome do dinheirinho que me faz comprar e "ser alguém".