31 de agosto de 2008

28 de agosto de 2008

A Revista Veja e o professor

Eu não queria falar sobre isso, mas não agüento. A tendência elitista da Veja em tratar os acontecimentos beira o terrorismo. E se ela é a maior revista formadora de opinião do Brasil, estamos perdidos...
Dizer que o professor deve ser neutro é tão ingênuo como acreditar na neutralidade da ciência. Esse discurso, a meu ver equivocado, opõe NEUTRALIDADE x DOUTRINAÇÃO. Doutrinação em aula é inaceitável. De fato, nenhum professor deve fazer proselitismo em sala de aula ou qualquer tipo de cooptação político-partidária. Um professor sério de História não faz juízo de valor sobre os acontecimentos passados ou presentes. Ele se esforça para compreender as ações humanas em todas as suas dimensões, matizes, motivações e implicações... Procura problematizar os fatos, questionar com responsabilidade uma dada realidade, seja ela passada ou presente. Ora, tudo isso impede qualquer neutralidade! Esse discurso elitista da neutralidade, a meu ver suprime a crítica. Na verdade, a tal neutralidade pretendida pela Veja consiste em transformar o professor num sujeito que deve apenas ensinar a matéria, assim como um trabalhador deve operar uma máquina. A Veja argumenta que essa é a vontade popular e que a educação democrática e cidadã deve atender a vontade do povo! Que argumento comovente, não?

Se o meu ofício consistir em apenas ensinar as causas da Primeira Guerra Mundial não vejo razão em ser professor. Não que eu não deva falar sobre elas, mas, para saber isso, basta ser alfabetizado e abrir o livro na página certa. Meus alunos não precisam de mim para isso. Minhas ambições são bem maiores e fazem parte da minha ideologia, pois ao contrário do que a Veja insinua, discurso ideológico não é apenas discurso de esquerda, mas todo e qualquer discurso. Não há ser no mundo que não comungue de uma ideologia, desde que ele exercite sua mente e não seja NEUTRO. Ideologia não pode ser uma palavra demonizada tanto por esquerdistas como por elitistas. Ideologia está presente em todo ser que pensa.
Mas a Veja insiste em falar sobre educação e continuar prestando o seu tão costumeiro (des) serviço jornalístico.

26 de agosto de 2008

O analfabeto político: nada melhor em época de eleição

Bertold Brecht (1898-1956)

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo".

22 de agosto de 2008

Pesquisa da Revista Veja

A pesquisa publicada pela revista Veja (20 agosto 2008) não reflete o pensamento de professores, pais e alunos das escolas públicas paulistas. Sinceramente, no ambiente em que eu convivo é muito difícil encontrar alguém satisfeito com o atual ensino e com a escola.
Segundo a Veja:
60% dos professores da escola pública consideram o ensino ótimo/bom
63% dos pais e 68% dos alunos pensam a mesma coisa.
Nossa! Será que a pesquisa foi feita na Suiça?

20 de agosto de 2008

Propaganda Eleitoral Gratuita

Começou o melhor programa de humor da TV brasileira! A Propaganda Eleitoral Gratuita promete. Aqui em São Paulo tem de tudo: doente mental, ex-presidiário, lutador, travesti, tang, jogador de futebol, pastor, cantor, cara de anjo, cara de objeto não identificado, ventríluco... e tem alguns políticos também!
Há propagandas que comovem pelo baixo orçamento: tecnologia da cartolina e pincel atômico como cenário e ausência de uma iluminação decente... o candidato desaparece na tela.
Há também aquelas músicas bem ridículas como "eu não nasci para viver engarrafado" sem contar com as soluções mirabolantes para resolver todos os nossos problemas.
Pena que trabalho à noite... ficarei sem dar boas gargalhadas.

6 de agosto de 2008

Olimpíada de Pequim

Toda Olimpíada é apresentada como a melhor de todos os tempos... Com a de Pequim, não é diferente. Particularmente, esta Olimpíada tem tudo para ser sem graça para mim. Não consigo nutrir simpatia pela China recente, pós Mao. A China Imperial sempre me encantou mais. A China atual me deixa triste. E não é uma impressão isolada. Parece que reina um mal estar geral depois de tantos protestos pelo mundo com a passagem da tocha.

Na verdade, tudo é mais complexo. A China incomoda de diferentes formas seja por questões políticas, econômicas ou sociais. Mas ela não pode ser simplesmente condenada. Afinal, não é ela o atual sonho e o paraíso dos capitalistas? Opor-se aos crimes contra os direitos humanos na China, que é algo muito louvável e correto, faz sentido se as multinacionais presentes naquele país agem sem humanidade? Que sentido há no fato dos atletas norte-americanos descerem no aeroporto de Pequim usando máscaras em forma de protesto contra a poluição se os EUA (ao lado da China) são os maiores responsáveis pela tragédia ambiental planetária?

Muito se tem falado sobre a intenção do governo chinês em utilizar a olimpíada como propaganda política. Bom, até aí nada de novo. Hitler fez o mesmo em Berlim, os americanos em Los Angeles, os russos em Moscou... Contudo, promover uma boa imagem da China para todo planeta, mais do que nunca, é essencial para um governo cada vez mais "queimado" pela opinião pública.

Na abertura dos jogos os chineses mostrarão sua história milenar. Mas o que resta na China deste passado? O que os comunistas não destruíram os capitalistas estão destruindo agora...



1 de agosto de 2008

Provocações: Existem outros planetas?

Não deixe de ver "Vozes da Rua" do programa Provocações da TV Cultura. Fantástico! Que bom saber que ainda há pessoas que pensam por conta própria!

Clique aqui: Existem outros planetas?

Por que ele insiste?

O senhor Paulo Maluf (não sei como ele ainda consegue aparecer na TV) terminou o debate dos candidatos a prefeito de São Paulo que ocorreu ontem na Bandeirantes dizendo que os melhores prefeitos da cidade foram engenheiros. Então, caberia ao povo escolher o que é melhor para a cidade: uma psicóloga (Marta), um anestesista (Alckmin) ou um engenheiro (o próprio)? Ai, ai... pelo menos nessas horas a gente solta umas gargalhadas...

"Se não fosse o Brasil, Barack Obama não teria nascido"

Foi o que disse o escritor Fernando Jorge no programa Provocações (31/7). A explicação é simples. Segundo ele, a mãe de Obama (uma americana branca), quando jovem, assistiu o filme "Orfeu Negro" baseado na obra Orfeu da Conceição de Vinícius de Moraes. Ela ficou encantada com o que viu. Depois, no Havaí, ela conheceu o queniano Barack Obama (muito parecido com o ator) e se entregou apaixonadamente a ele. E assim, nasceu Obama. Então, para Fernando Jorge, o candidato norte-americano existe graças a Vinícius de Moraes. Genial, não?