31 de março de 2008

Cristóvão Colombo x Américo Vespúcio

"Eu sou apenas um rapaz latino-americano
sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior"...
Belchior
Se a América foi encontrada por Colombo, por que o nosso continente não se chama Columbia?
É uma grande injustiça... O fato é que os manuscrito das viagens de Colombo para no Novo Mundo não tiveram muita repercussão na Europa. Será que ele não soube fazer uma grande publicidade do seu feito? Na verdade, Colombo morreu com a convicção de que havia encontrado um novo caminho para as Índias. Jamais suspeitou que aqui fosse um continente. Então, ninguém fez questão de creditar a fantástica descoberta ao autor...

Já Américo Vespúcio alardeou as suas 4 viagens ocorridas entre 1494 e 1504 relatando-as no seu livro Quatuor Americi Vesputii Navigationes. E conta a história que Renato II, Duque de Lorena, apresentou um exemplar do livro a um grupo de intelectuais. Assim, sua obra passou a ser cada vez mais divulgada. Um desses intelectuais, Martin Waldseemüller (1470-1521), homenageou Vespúcio em um texto introdutório à Geografia de Ptolomeu (editada em 1507) dando o nome de América ao continente descoberto por Colombo. A moda pegou e todo mundo começou a utilizar este termo.
Mas, o que soa melhor: América do Sul ou Columbia do Sul?

18 de março de 2008

O encontro dos índios com os portugueses

Foi mais ou menos assim. Bem lá longe, em meio ao imenso mar azul, surgiu um pontinho branco que foi crescendo e crescendo… Quanto maior ficava, maior era a movimentação na praia. “O que seria aquilo?”, perguntavam uns aos outros. “De quem poderia ser aquela canoa gigante?” Alguns arriscavam uma resposta: “É a deusa Maíra que veio do mar!” Surpresos, todos permaneciam ali paradinhos com os olhos arregalados! Jamais tinham visto coisa parecida. “Mas, se são mesmo os deuses, o que querem de nós?” Silêncio absoluto.
Os portugueses, exaustos e famintos depois da longa viagem, aproximam-se num pequeno barco trazendo no corpo as feridas causadas pelo escorbuto além do terrível mau cheiro dos vários dias sem banho. Os índios, ao verem aquela estranha criatura com panos sobre corpo e pêlos nas faces, exclamaram: “Como são feios! Não são deuses, são demônios!
Foi assim que Darcy Ribeiro comentou como foi o primeiro contato entre índios e portugueses. Apesar da brincadeira, o antropólogo e educador falava da quebra de expectativa que aconteceu neste estranho encontro. Os índios teriam se desencantado logo. Já os europeus, observando os corpos robustos e bem feitos dos homens e, sobretudo, a beleza das índias todas nuas ficaram deslumbrados. Depois de meses navegando sem ver uma mulher, imaginem o impacto provocado por aquela visão paradisíaca... nove meses depois dos portugueses pisarem nas areias da praia, nasceu o primeiro brasileiro...

15 de março de 2008

Cabral chegou aqui primeiro?

Depois do descobrimento do Brasil, outros países tentaram provar que os portugueses não havia sido os primeiros a chegarem aqui. Os franceses diziam que um de seus marinheiros, Jean Cousin havia realizado uma viagem para explorar o oceano Atlântico em 1488 e chegou em uma terra desconhecida na foz de um grande rio, que hoje chamamos de Amazonas. Tudo não passou de uma grande mentira, pois nunca se encontrou um documento que comprovasse a tal viagem. Mas não foram apenas os franceses que tentaram convencer o resto do mundo da descoberta do Brasil: os alemães também. Um tal de Martim Behaim teria descoberto o norte do Brasil, quando descobrira a América (antes de Colombo, é claro) e de quebra, teria atingido o extremo sul da América antes de Fernão de Magalhães. Parece piada, né? Mas muita gente acreditou nisso.
O fato é que um navegante espanhol Alonso de Hojeda, acompanhado do cartógrafo Juan de la Cosa e de Américo Vespúcio partiu da Espanha para continuar os descobrimentos de Colombo. Segundo Vespúcio, a expedição tinha alcançado terras a 5 graus de latitude sul, chegando, portanto, no atual estado do Rio Grande do Norte. Mas o próprio Alonso em um depoimento dado no ano de 1513 afirmou ter alcançado 4,5 graus de latitude norte. Assim sendo, estaria longe do litoral brasileiro. Conclusão: não dá pra afirmar nada.
Outro espanhol, Vicente Yáñez Pinzón chegou, com certeza, um pouquinho antes de Cabral em 26 de janeiro de 1500. Pinzón alcançou o atual cabo de Santo Agostinho em Pernambuco e navegou para o norte até o “mar-dulce”, o rio Amazonas. Depois contornou a costa até o cabo Orange e o rio Oiapoque.
Sabe-se também que mais um espanhol Diogo de Lepe realizou quase o mesmo itinerário que Pinzón, porém alguns historiadores desconfiam se ele realmente avistou a costa brasileira.
Resumindo, Pinzón chegou primeiro, mas Cabral ficou com a fama.

13 de março de 2008

Para onde foi o nariz da Esfinge?

O que aconteceu com o nariz da Esfinge?
Será que um grande raio rasgando os céus atingiu o coitado?
Ou então, será que ele simplesmente caiu corroído pela erosão ao longo dos séculos?

Nada disso. O narizinho da Esfinge foi para o beleleu por culpa de Napoleão Bonaparte. Em 1798 o exército napoleônico invadiu o Egito. Sua intenção era na verdade prejudicar a Inglaterra, pois o Egito era utilizado pelos ingleses como rota comercial até o Oriente. Tudo indica que o pobre nariz foi alvo dos canhões da artilharia napoleônica em uma das suas batalhas.

Napoleão não levou para o Egito apenas soldados e equipamentos de guerra. Participaram da expedição cientistas, arqueólogos, desenhistas... Apesar de destruir o narizinho arrebitado da Esfinge, Napoleão, com sua a missão científica, também desejava investigar, estudar e compreender aquele mundo cercado de mistérios. Então, os franceses fizeram a primeira grande espoliação em massa de objetos diversos e materiais arqueológicos egípcios levando-os para a França. Por outro lado, foram os franceses que encontraram a Pedra de Roseta, com a qual Champollion, anos depois, decifraria os hieróglifos. Finalmente, foi possível compreender de forma mais objetiva o Egito e sua História. Na verdade, ainda sabemos pouco... o muito ainda encontra-se sob as areias...
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10 de março de 2008

Há 20 anos, um acontecimento histórico!


No dia 10 de março de 1988, há exatos 20 anos, marquei meu primeiro gol jogando na escolinha do campo da lagoa. Aquilo foi tão importante para mim que registrei o feito em um caderno (preocupação inconsciente de futuro historiador).
Além dos outros meninos, que certamente nem lembram quem eu sou, como testemunhas tive meu avô e minha irmazinha de 7 anos que acompanhavam tudo do alambrado.
Não foi um belo gol nem uma grande jogada. Alguém chutou, o goleiro rebateu e a bola veio direto para o meu pé. Com o gol todo escancarada na minha frente, não tive como errar...
Faz 20 anos que fiz meu primeiro e único gol...

8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

Mais uma hipocrisia... Muito se fala da mulher na semana do dia 8 de março, e no dia 9, ninguém toca no assunto... A televisão, as lojas com lembrancinhas, os mesmos cartazes nas paredes das escolas... As mesmas coisas estereotipadas sem objetivos definidos... Para que esse dia? Para os homens se lembrarem que as mulheres existem?
Serve para comemorar as conquistas das mulheres!!! Mas, quando essas conquistas as fazem se assemelhar cada vez mais aos homens tão mesquinhos e prepotentes, comemorar o quê?

3 de março de 2008

A progressão continuada

A idéia possuía um princípio bem honesto na sua origem: apontar o problema de um ensino punitivo calcado na reprovação, que contribuía para aumentar os índices de evasão e que feria a auto-estima do aluno.
Assim, a progressão se afirmava como uma alternativa muito válida e até humana: estender o processo de ensino em ciclos mais longos que permitiam aos alunos atingirem os requisitos básicos necessários para continuar seguindo adiante, mesmo que se, naquele ano, tais objetivos não tivessem sido plenamente atingidos. Então, trocou-se o "você não sabe e por isso vai repetir", pelo "você ainda não sabe, mas vamos trabalhar melhor, retomar suas dificuldades... segue adiante".
Bom, uma boa idéia quando mal aplicada se torna catastrófica. E, em meio a catástrofe, a mesma idéia quando insistentemente mal aplicada, torna-se criminosa. Foi o que aconteceu com a progressão continuada. Ainda que senhora Secretária de Educação Maria Helena Guimarães de Castro diga que a progressão continuada não é um problema e só não deu certo porque o professor não gosta dela, a tragédia na qualidade de ensino é evidente. A questão não é a progressão em si, mas a forma como os sucessivos governos tucanos a aplicaram.
No Brasil se faz educação por decreto, por leis, sem mudanças estruturais significativas. De que adianta ter uma lei educacional considerada como referência, como um modelo mundial, se a situação concreta da educação brasileira faz com que nossos alunos disputem as últimas posições com os alunos dos países subdesenvolvidos da África e da Ásia em qualquer sistema internacinal de avaliação?

Ao meu ver, a progressão continuada contribuiu para que a escola deixasse de ser um espaço de ensino e aprendizagem. Ela não funciona porque a estrutura real de trabalho do professor não permite sua realização. O que parecia uma preocupação de cunho bem humanista se transformou em atitude criminosa, pois muitos alunos passam pela escola e permanecem analfabetos reais ou funcionais.
O espírito da progressão continuada funcionaria se o professor tivesse o tempo e material pedagógico eficiente para preparar e desenvolver atividades diversificadas que atendessem aos reais problemas do aluno de forma muito específica. A progressão funcionaria se o professor pudesse considerar o aluno em sua totalidade, conhecendo-o profundamente sua história, sua condição de vida em família, seus reais problemas emocionais e cognitivos identificado por especialistas e, a partir daí, fazer com que toda estratégia pedagógica visasse a formação integral daquele indivíduo, isto é, uma educação para torná-lo uma pessoa melhor. E isso não se faz por decreto.