28 de dezembro de 2007

Professores blogueiros

A gente nunca está sozinho neste mundão de Deus.
Agora, com as férias, tenho tempo para vasculhar os professores blogueiros. E com muita surpresa descobri que somos muitos!!! E não apenas os brasileiros. Encontro muitos hermanos e lusitanos por aí. Sei que vou aprender muito nestes contatos. Vamos dominar a blogosfera!!! Aos poucos, deixo os links aqui do lado.

27 de dezembro de 2007

Escolas brasileiras

Lá na minha escola não tem giz.
Mas tudo bem, afinal trata-se de uma metodologia muito arcaica.

Lá na minha escola não tem merendeira...
Mas tudo bem, afinal a obesidade infantil cresce cada vez mais!

Lá na minha escola tem sala de informática, porém só um computador funciona direito... Mas tudo bem, essas modernidades atrapalham. Aprendi tudo na cartilha!

Lá na minha escola o sol bate tão forte e faz tanto calor que é impossível dar aula...Mas tudo bem, a supervisora sugeriu plantar umas árvores! A gente faz isso há 15 anos e elas nunca chegam a crescer.

Lá na minha escola não tem secretária... Mas tudo bem, os professores fizeram uma vaquinha e uma secretária aposentada faz o nosso pagamento.


Lá na minha escola tem biblioteca com muitos livros e não funciona... Mas tudo bem, afinal livro não pode ser emprestado porque os alunos estragam.


Lá na minha escola tem livros, a gente até empresta, mas não tem funcionário para atender os alunos...
Mas tudo bem , afinal nem tudo é perfeito.


Lá na minha escola tem biblioteca e tem uma funcionária para atender os alunos. É uma professora readaptada que teve Síndrome do Pânico. Coitada, quando ela vê um aluno começa a tremer e sai correndo.

22 de dezembro de 2007

Professores! 14º, 15º e 16º salários

Em recente entrevista ao SPTV da Rede Globo, o governador José Serra disse que os professores receberão 14º, 15º e 16º salários. Aí eu pensei em quais seriam as condições para tão benevolente medida.

Condições para receber o 14º salário

Não usar e nem sequer pensar nas seguintes palavras e frases:
Greve
HTPC serve pra quê?
Quando sai o bônus?
Esse mês tem feriado?
A culpa é do sistema!

Condições para receber o 15º salário

Não abonar
Não dar faltas justificadas
Não faltar para ir ao médico, muito menos no Servidor (entende-se: você, seus filhos, esposa ou esposo, pai, mãe etc... não podem ficar doentes! O melhor remédio é a prevenção!)
Prestar trabalho voluntário nos fins de semana na escola. Afinal, o professor precisa se interagir com a comunidade!
Garantir que todos os alunos leiam todas as questões do Saresp antes de respondê-las. Todos devem atingir 50% de acerto! (Pô, já é querer demais!)

Condições para receber 16º salário

Todos os alunos devem atingir média final 8,0. Aqueles que não sabem ler, escrever e contar podem ficar com 7,5.


21 de dezembro de 2007

Eu em Springfield

Minha esposa disse que ficou muito parecido comigo. Se você quiser fazer um teste e ver como ficaria no Simpsons, veja na sessão coisas divertidas à direita. Ou clique aqui. É muito legal!

20 de dezembro de 2007

As Linhas de Nazca

Onde estão estas fantásticas figuras? Do que se trata?
Elas foram criadas por uma antiga civilização, a Civilização Nazca. Esse povo viveu na América do Sul há 2.500 a.C. em regiões áridas do Peru. Mesmo vivendo numa região desértica, os nazcas construíram cidades com 300 mil habitantes (nenhuma cidade da Europa possuía número tão significativo). Além disso, eles foram grandes agricultores. Isto só foi possível pela construção de um sofisticado sistema de galerias subterrâneas chamadas puquios que são utilizadas ainda hoje pelos camponeses.

Estas imagens foram feitas no solo e até hoje intrigam os pesquisadores. Estas linhas possuem 1cm de profundidade por 30cm de largura em média e por isso só podem ser vistas do alto. A perfeição das formas, sua grandeza e simetria impressionam.


Por que os nazcas realizaram essas imagens? Qual o significado delas?
Há muitas explicações, mas ainda não sabemos com toda certeza.
Há quem diga que estas figuras foram fabricadas por Extra-Terrestres!!! As linhas funcionavam como verdadeiras pistas de pouso para os discos voadores. Porém, as linhas também estão nos montes e não apenas nas planícies.
Outros dizem que as imagens representam um gigantesco calendário astronômico.
Outra explicação procura associar as linhas com rituais shamanes. Os nazcas, sob o efeito de chás de plantas alucinógenas (ayahuaskas) compunham as figuras a partir de sonhos em estado de transe.


Por fim, as linhas representariam animais e objetos sagrados para a civilização nazca.


O mais interessante é que alguns animais representados, como o macaco e o beija-flor, não são animais da região. Isso é um forte indício de que os nazcas tiveram contato com os povos amazônicos.

17 de dezembro de 2007

Como os incas alimentavam todo o Império

O Império Inca era habitado por 9 milhões de pessoas! Eles criaram um eficiente sistema de produção de alimentos distribuídos entre os diferentes níveis de altitude. A base desse sistema era a reciprocidade. Então, cada família não apenas produzia para si mesmo, mas para todos os habitantes. Os alimentos produzidos em outras regiões eram transportados por uma malha de estradas que ligavam todo o império. Assim, todos recebiam os produtos cultivados em outras regiões. Cada família sabia muito bem o que produzir. Esta produção era feita de acordo com a altitude em que aquela familia vivia. A produção de alimentos em níveis de altitude ocorria da seguinte forma:

5000m - gado
4000m - batata
3000m - milho
2000m - frutas
1000m - feijão, algodão e pimenta
0000m - peixes
Seguindo esta divisão, uma família ajudava a outra e todos os habitantes eram alimentados.

14 de dezembro de 2007

As origens da comemoração religiosa do Natal


O mês de dezembro possui uma outra atmosfera. As canções natalinas, os enfeites, as luzes dão um certo clima de paz e harmonia. Fica evidente a alegria das crianças com os presentes e a união de amigos e familiares num ambiente de confraternização [nem sempre autêntico]. Papai Noel e o forte apelo ao consumo tomaram o lugar do sentido original da festa. Esse sentido, todos sabem que é religioso e diz respeito ao nascimento de Jesus. Isso é importante apenas para os que crêem ou possuem ainda alguma forma de religiosidade cristã. Mas, quando e como começou este costume de comemorar o nascimento do menino Jesus entre os cristãos?

Os primeiros relatos apontam que já no século IV os cristãos da Terra Santa se reunião em Belém na Basílica da Natividade para celebrar este acontecimento. Sabemos também que os romanos já comemoravam o Natal no dia 25 de dezembro ainda no século IV. Mas, por que o dia 25?
Segundo o historiador André Luis Pereira, na religião romana havia a comemoração do Dia do Sol Invicto em 21 de dezembro, quando acontecia o solstício de inverno. Com o tempo esta data (25 para o Natal) foi "inventada" para combater esta festa pagã. Mas não é tão simples. O cristinismo precisou de um conjunto teórico para legitimá-lo. As Escrituras Sagradas e a filosofia grega desde os primeiros séculos foram as fontes utilizadas para que os pensadores da Igreja elaborassem a doutrina e a liturgia cristã. Então, as passagens do Antigo e do Novo Testamento que relacionavam a figura do Messias ao Sol ou à Luz atuaram como elemento definidor para que a comemoração do nascimento de Jesus fosse no dia 25 de dezembro, pois é no solstício que o sol passa a brilhar mais intensamente. Assim, Jesus é o sol (ou a luz) que veio para iluminar os homens.
Há também uma outra explicação: os antigos acreditavam que o mundo fora criado no equinócio da primavera (21 de março). Segundo o livro do Gênesis, Deus criou o sol no quarto dia. Por isso, os primeiros cristãos validaram o dia 25 de março (4 dias depois) como o dia em que o "sol", isto é , Jesus, se encarnou na Virgem Maria, e nove meses depois, nasceu. Este é o motivo de se comemorar 25 de dezembro como o dia do nascimento de Jesus.

12 de dezembro de 2007

De onde veio o terrorismo?


O atentado terrorista que matou 62 pessoas na Argélia, cuja autoria foi assumida pelo grupo Al Qaeda confirma - cada vez mais - esta forma de confronto ou de guerra como uma característica crescente no mundo contemporâneo. O terrorismo, comum nos noticiários de TV e nos jornais, não possui uma longa história. Na verdade, é um fenômeno bem recente.

Segundo o historiador Osvaldo Coggiola, o termo vem da Revolução Francesa, a chamada Época do Terror (1793-1794). Neste período os revolucionários exterminaram violentamente todos aqueles que fossem considerados contrários aos ideais da Revolução. Assim, a eliminação de indivíduos contrários a uma forma de governo passou a ser considerada como uma atitude terrorista.

Os atentados terroristas tornaram-se mais freqüentes no século XIX quando os anarquistas adoratam o terrorismo como uma estratégia política. O mais famoso dos atentados neste período foi a assassinato do czar Alexandre II em 1881 na Rússia. O movimento Terra e Liberdade defendia o terrorismo político como forma legítima na luta contra a opressão. Seus membros realizavam atentados suicidas em prol à revolução popular. Segundo Coggiola, a Rússia se transformou na "pátria do terrorismo". A teoria marxista surgiu como uma alternativa à ação terrorista individual do Terra e Liberdade.
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Veja Também:

10 de dezembro de 2007

A criminalidade na Marquês de Sapucaí rumo à Apoteose

O episódio do presidente da Mangueira presente e homenageando Fernandinho Beira-Mar e sua esposa na festa de casamento de ambos deixa claro que parte dos milhões necessários para montar o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro vem da criminalidade. O dinheiro do tráfico é transformado em beleza e recebe o aplauso do público e pontos na audiência. E daí? Qual o problema? O que importa é a alegria do povo!!! Viva a cultura popular; o resto é detalhe insignificante.
Num país em que a sujeira está por todo lado, nem a cultura popular escapa. Bom, pensando bem, o carnaval do Rio de Janeiro há muito tempo não reflete a cultura popular.

7 de dezembro de 2007

Meus Poemas

O Tempo

Que coisa é esta
que vive se escapando da gente?
Pega!
Escapou...
Pega! Pega!
Escapou de novo...
Lá no espelho a gente se encontra.
É quando sinto a sua ação destruidora.
Os segundos não voltam.

6 de dezembro de 2007

Onde o Gótico e o Contemporâneo se encontram


Uma catedral gótica ao lado de um edifício todo espelhado. Onde? Em São Paulo! Mas esta catedral não parece ser a Catedral da Sé... E não é mesmo. Mas existe outra igreja gótica em São Paulo? Existe sim. Ela está lá no Cemitério da Consolação. Esta maravilha em mármore com 12 metros de altura é um túmulo! Esta visita monitorada fizemos com turmas de 8a série da escola Oscar Thompson, onde também encontramos o túmulo de nosso patrono.

5 de dezembro de 2007

Meu aluno estrela de cinema

A profissão de professor ainda reserva agradáveis surpresas.
Descobri que um dos meus alunos do EJA, Maikulan, quando morava na Bahia, participou de um curta-metragem dirigido por Federico Mutti, um italiano estudante de cinema. "Domingo Frango Assado" foi feito em 2004. O curta, ainda inédito no Brasil, tem participado de festivais na Europa.


Maikulan veio para São Paulo onde trabalha. Está concluindo o Ensino Fundamental à noite. Desde 2004, nunca mais teve contato com Federico. Sua história me deixou impressionado e decidi tentar encontrar Federico pela internet. E consegui com facilidade! Maikulan mandou um e-mail para ele e ambos ficaram muito contentes com esse reencontro. Exibimos o curta para classe e os alunos ficaram muito surpresos em ver o colega na tela. Foi uma experiência muito gratificante para todos.

4 de dezembro de 2007

Toquinho e os papéis ao vento

“O que está escrito em mim Comigo ficará guardado, se lhe dá prazer.A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer.Só peço a você um favor, se puder: Não me esqueça num canto qualquer”.
O caderno, Toquinho - Mutinho
O final das aulas nas escolas públicas é acompanhado por um triste fenômeno cada vez mais comum: a destruição de cadernos por parte dos alunos. As ruas e as calçadas ficam repletas de folhas. Toda tentativa para evitar o ato não tem sido eficiente. A razão é óbvia: modelar comportamentos pela repreensão ou ameaça e não pela conscientização está fadado ao fracasso em qualquer instância. Agora, o despertar da consciência só se opera no âmbito educativo, seja familiar, seja escolar. Logo, tal comportamento é sintomático, pois sinaliza a crise do sistema educacional brasileiro que vem de longa data e que, infelizmente, não dá mostras de um futuro promissor.
A destruição dos cadernos, antes de ser um descaso com o meio ambiente, possui um valor simbólico preocupante. O caderno representa uma compilação, uma síntese do conhecimento; representa, ainda, uma fonte rápida de estudos, de informações básicas e acima de tudo, uma trajetória do amadurecimento intelectual do aluno. Ele é um registro da formação recebida que, evidentemente, não se restringe somente a esse meio. É claro que as páginas lançadas ao vento é demonstração de que o caderno perdeu todo esse significado, e que, na maioria dos casos, nunca chegou a possuir. Nos desfazemos daquilo que para nós já não tem importância. Os cadernos para esses alunos nunca tiveram importância. Mas isso é simbólico: na verdade, é o conhecimento que nunca teve importância. Para muitos, a escola representa apenas um espaço alternativo (às vezes o único) de sociabilização. Então, na maioria dos casos, se constata a absurda realidade do sistema educacional brasileiro baseado numa relação de ensino-aprendizado em que o conhecimento não é importante. Os alunos passam pela escola. Exagero? Visão alarmista? Excesso de pessimismo? Bom, talvez, a destruição dos cadernos signifique somente uma atitude inconseqüente dentre muitas outras. Não creio. Trata-se de uma resposta a uma escola que não possuiu nenhum significado na vida do aluno; um lugar em que eles não desejam estar e por isso “protestam” ou “festejam” jogando nas ruas o objeto que a representa.
É comum dizer que a escola pública de antigamente era de primeira qualidade. Porém, poucos nela estudavam. Hoje, acontece o contrário. As duas realidades, a do passado e a do presente são indesejáveis. A primeira era excludente, atendia a elite e gerava uma massa de submissos ignorantes. A segunda (de hoje) democratizou o ensino, aumentou as estatísticas do governo, mas continua gerando uma massa de não sabedores que a nada se submetem.
Assim, o trágico fim do caderno nas lindas palavras de Toquinho, que pedia para não ser esquecido num canto qualquer, hoje é o que os cadernos mais desejam.