18 de abril de 2007

A tragédia americana

O atentado do último dia 16/04 nos EUA que provocou a morte de 32 pessoas num campus universitário no Estado da Virgínia, leva-nos a uma reflexão não apenas sobre as causas desta tragédia, mas sobre as primeiras causas, ou melhor dizendo, aos fatores condicionantes.

O ato em si já aconteceu outras vezes na história recente dos Estados Unidos, isto é, estudantes serem vitimados por colegas em instituições de ensino. Porém, esta atitude revela um comportamento próprio do imaginário coletivo americano: o de resolver problemas ou diferenças (ou se precaver deles) pela força das armas.

Esta mentalidade está presente desde a formação do país. A conquista territorial para o oeste se fez, ainda que não exclusivamente, pelo conflito armado com espanhóis, mexicanos e indígenas. A atuação do exército norte-americano pelo mundo nada mais é do que a extensão desta mentalidade. Portanto, estamos diante de uma sociedade exageradamente armada que garante os grandes lucros da indústria bélica. A arma de fogo não apenas é um símbolo do poder e do sucesso norte-americano, mas a sua garantia. E por isso, elas são facilmente vendidas em supermercados como qualquer outro produto. As armas representam um prolongamento das ações cotidianas, fortemente enraizada na cultura e na história.

Nesta lógica ianque, o governo norte-americano, ao contrário dos países asiáticos ou do Oriente Médio, sabe muito bem como usar as bombas atômicas. Da mesma forma, o cidadão patriota americano sabe muito bem como usar as armas que possuem em casa.

Isso faz parte de outra mentalidade coletiva norte-americana que divide o mundo entre mocinhos e bandidos (o típico farwest); entre o eixo do bem e o eixo do mal. Pensamento digno de censura. E então surgem essas tragédias, "mal compreendidas", que assolam o belo modo de pensar norte-americano.
Contudo, uma sociedade armada até os dentes, carente de valores, consumista e discriminatória é sufiente para entender o ocorrido. O estudante sul-coreano Cho Seung-Hui não caiu de pára-quedas no campus. Está nos Estados Unidos desde a infância. E, mesmo apresentando sérios problemas psicológicos, ele é um resultado desta sociedade marcadamente excludente e que oferece as armas como forma de impor respeito.

17 de abril de 2007

Verdade ou exagero?

A questão sobre a internacionalização da Amazônia é antiga e real. Porém, há visões exageradas sobre este problema. Uma delas é a história de um livro didático de geografia feito nos Estados Unidos que ensina que a Amazônia é uma região internacional e não faz mais parte do Brasil. Acredita-se hoje, que este mito foi disseminado por um grupo ultra-nacionalista brasileiro.

Indico aqui um bom artigo que discute o real problema sobre a internacionalização:

16 de abril de 2007

Internacionalização da Amazônia


Em um debate numa Universidade americana, Cristóvam Buarque, ex-governador de Brasília, foi perguntado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.Quem perguntou disse que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta de Cristóvam Buarque:

"Como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se sob uma ética humanista, a Amazônia deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Neste momento, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos Estados Unidos. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os candidatos a presidência dos Estados Unidos têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de comer e de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando todas elas como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro, ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, ou que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!"

13 de abril de 2007

Entendendo Mazzini

Mazzini era o líder da Itália Jovem, que juntamente com o Risorgimento e com os Camisas Vermelhas lutavam para promover a unificação italiana no século XIX. Porém, o grupo de Mazzini, formado por intelectuais, refletia sobre os problemas da Itália desunida e sobre os benefícios proporcionados pela unidade.

Neste texto, além de Mazzini exaltar os aspectos físicos do país (lugar mais belo da Europa, será?), gloria-se do passado político, artístico e científico do povo italiano. Como não reconhecer as ações políticas do Império Romano ou as contribuições de Maquiavel para a fundamentação do pensamento político moderno muitos séculos depois da existência dos césares. Sobre a arte e a ciência o que dizer então dos renascentistas Michelangelo, Da Vinci, Rafael, Brunelleschi, Botticelli, Galileu Galilei...

Contudo, apesar de todo esse passado glorioso que formou e organizou grande parte do conhecimento que regeria o mundial, a Itália do século XIX estava completamente desorganizada. E Mazzini cita todos os problemas da desunião: "Nós somos desmembrados em oito Estados, independentes um do outro, sem aliança, sem unidade objetiva, sem contatos recíprocos regulares. Oito linhas de alfândega, sem contar os impedimentos que resultam da triste administração interior de cada Estado, dividem nossos interesses materiais, colocam obstáculos em nossos progressos, impedem todo o crescimento manufatureiro, toda a atividade comercial externa. Proibições ou direitos enormes impedem a importação e a exportação".

O aspecto econômico será fundamental para a promoção da unificação italiana. A burguesia de Piemonte e Sardenha estimulará a unificação política para a expansão de seus negócios. As facilidade econômicas trazidas pela unificação também são mencionadas por Mazzini no texto abaixo. Vale apena ler!