20 de dezembro de 2006

Como é bom reencontrar um grande amigo

A tal da Net tem dessas coisas. No mar sem fim de futilidades, coisas "pseudo importantes" e uma parte considerável (para não ser injusto) de coisas geniais, a gente encontra e reencontra amigos.
Aconteceu comigo nesta semana. Encontrei o Leandro, um grande amigo de USP. Faz uns três ou quatro anos que não nos vemos. Mas, graças à Net recebemos notícias um do outro.
O Leandro sempre tem uma grande idéia e está envolvido com algo que vale a pena. Eu costumo dizer que as pessoas mais fantásticas, sensacionais, inteligentes, elegantes, perfumadas, bonitas, simpáticas, interessantes amam História. E, quando historiadores se encontram (como aconteceu recentemente) tudo é em dobro... o próprio cosmos transcende e explode numa alegria sem fim. Putz, que bobagem...

Clique aqui e vejam o blog dele.

13 de dezembro de 2006

Santos-Dumont e o espaço aéreo brasileiro

Infelizmente, acontece de alguma coisa mudar para melhor quando gente importante morre ou quando alguma tragédia ocorre. Precisou do acidente com o Boeing da Gol que causou a morte de 154 pessoas para que todos nós soubéssemos que o espaço aéreo brasileiro simplesmente não funciona. Isso é péssimo, embora saber seja bom, pois todos podem exigir providências. É um verdadeiro milagre que desastre semelhante não tenha acontecido antes.
Logo após o acidente um jornalista americano falou sobre a inoperância do sistema de controle aéreo em nosso país. Eu fiquei indignadíssimo e gritei escandindo os dentes: "Fala típica de americano que considera o mundo um quintal da Casa Branca e que não admite que algo pode ser bom sem a chancela do Tio Sam!" E NÃO É QUE O HOMEM ESTAVA CERTO?
Muito significativo que essa confusão nos aeroportos depois do início da operação padrão dos controladores de vôo esteja ocorrendo no centenário do vôo do 14 Bis. Significativo e triste. Talvez seja uma das ironias da História. O fato é que comemorar este acontecimento, do qual todos devemos nos orgulhar, em meio ao descaso do governo com a aviação parece humor negro.
Costuma-se dizer que não existe SE na História. Coisas do tipo "Se o golpe militar não tivesse ocorrido..." O que adianta especular sobre o que não se deu?
Apesar disso, vale a provocação: Se os 10 milhões de dólares destinados pelo governo brasileiro para mandar nosso astronauta Marcos Cesar Pontes para o espaço fossem investidos no sistema de controle de vôos, o caos estaria acontecendo?
Sem julgar os méritos e o esforço de Marcos Pontes, ou a importância dos experimentos científicos realizados (se é que realmente foram importantes), parece que tal empreendimento foi carregado de um simbolismo ufanista:
"Há 100 anos um brasileiro conquistou os céus. 100 anos depois, um brasileiro conquista o Espaço".
Agora, qual seria a melhor homenagem a Santos-Dumont? O que o faria sentir mais feliz?
Um brasileiro plantando feijão no Espaço ou os brasileiros voando com segurança nos "céus da pátria"?

10 de dezembro de 2006

De volta para Sampa

Dia 8 de dezembro mudamos para São Paulo.
Após 3 anos longe da terra da garoa, voltamos. Os amigos e o pessoal do trabalho disseram-me que estou louco!!! Todos tentam fugir de São Paulo e nós... Bom, estamos felizes com isto. É muito importante conhecer novos mundos, novas realidades... mas, acredito que todos mereceriam voltar para os locais já conhecidos e visitar os caminhos tanto percorridos pelo menos uma vez na vida.
Se historiador vive de memória, nada mais estimulante a mnemosis do que regressar.

30 de novembro de 2006

Loucura total!!!

Final de bimestre na vida dos professores é uma loucura. Aulas a preparar, provas a fazer (e pior, a corrigir) trabalhos, alunos, pais... um turbilhão de coisas ao mesmo tempo. Meu pai me disse: "faça um concurso para ser funcionário federal, ganha mais..."

Bom, ainda não consigo pensar na possibilidade de deixar de lado toda a minha formação para trabalhar com algo que não possui nenhuma relação com a História. Não, não dá... Ainda que as contas sejam muitas, as fraudas, o leite, o aluguel... resistirei até não poder mais.

15 de outubro de 2006

Rita Lee: Amor e Sexo



Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor





Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval

Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora

9 de outubro de 2006

História em Debate: Sexualidade


Por incrível que pareça, a História tem muito a dizer sobre este tema. Aliás, há livros sobre a História da Sexualidade! A relação entre homem e mulher ao longo do tempo mudou muito... Porém, antes de descobrirmos o que o homem e a mulher andaram pensando um do outro em outras épocas, vamos discutir situações do presente, do cotidiano de vocês.

É muito comum ouvir das pessoas que observa os nossos comportamentos (pai, mãe, avós...), alguma coisa do tipo: "No meu tempo, não era assim!!!" Dá vontade de morrer... Talvez, nós diremos a mesma coisa um dia...

Bom, para iniciar esta discussão, dê sua opinião e, se quiser, comente as respostas de seus colegas.
Não esqueça de colocar seu nome e série antes do comentário.

1- Sobre a música da Rita Lee "Amor e Sexo", escreva o que mais lhe chamou atenção. Alguma coisa que você concorda e não concorda sobre o que ela disse.

2- O que você pensa sobre:
ficar
namoro
casamento

11 de setembro de 2006

11 de setembro: onde você estava?


Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. 10h. Aula de Arqueologia Americana. Tudo para um dia normal de um estudante em fim de graduação.

De repente, entra a professora euforica e um pouco assustada: "Aviões caíram em Nova York. Os Estados Unidos estão sofrendo um atentado terrorista sem precedentes!!!" Exagero é claro... Depois, às 13h, já no trabalho (Instituto de Estudos Brasileiros), encontrei a TV ligada (nunca isso acontecia) e todos ao redor dela. Então, vi as imagens dos aviões se chocando com as torres gêmeas.

O espanto era geral... Pensei até numa Terceira Guerra Mundial?!?! Tive medo com o que poderia acontecer com o mundo. A grande potência entraria em ação sem o menor pudor de mostrar a sua superioridade militar e de tratar o resto do planeta como um terreno baldio.

Não concordei com alguns colegas que se alegraram, fibraram com a tragédia. Eu só pensei nos mortos, americanos ou não, que não tinham absolutamente nada a ver com a atuação agressiva dos Estados Unidos no mundo...

Bom, esse acontecimento mudou a História. Mas ainda é cedo para compreendermos suas implicações. Deixe aqui suas lembranças sobre o 11 se setembro.

7 de setembro de 2006

História em Debate: Política

Hoje, com tantos escândalos, corrupção, CPIs fica difícil alguém se interessar por política. Quando assistimos ao Horário de Propaganda Gratuita e vemos aquelas criaturas bizarras que desejam chegar lá, ficamos ainda mais desiludidos.

Mas, Política é fundamental. Convido-os a realizarem um esforço para dissociar a política de governo ou de partidos e tentar aproximá-la de nossa experiência cotidiana. Será possível?

De qualquer forma, escreva aqui o que você pensa sobre este tema.

5 de setembro de 2006

Uma batalha memorável


No ano de 378 de nossa era, uma terrível batalha aconteceu. De um lado os visigodos. Do outro lado os romanos. Cenário do combate: a cidade de Andrinopla (atual Edirne, Turquia-foto).

Tudo começou quando os romanos passaram a explorar e a oprimir os visigodos que viviam na região da Mésia (atual Bulgária). Na verdade, os romanos romperam um acordo anterior que consistia em oferecer terras aos visigodos em troca de obediência às leis romanas.

Diante desta revolta, o imperador Valente resolveu atacá-los no dia 9 de agosto. Foi um desastre... todo o exército romano foi aniquilado, inclusive os generais.

Segundo o relato do historiador godo Jordanes que viveu na século VI os abusos e traições dos chefes romanos provocaram a revolta. O imperador Valente morreu nesta batalha de uma forma nada honrosa: "O próprio imperador ficou ferido e fugiu para uma herdade perto de Andrinopla. Os visigodos não sabendo que um imperador estava escondido numa tão pobre cabana, lançaram-lhe fogo (como é habitual proceder com um inimigo cruel), e assim ele foi queimado em esplendor real".

Alguns historiadores dizem que a Batalha de Andrinopla representou um avanço nas táticas de combate. A vitória dos visigodos foi assegurada por um ataque da cavalaria pelos flancos. Ou seja, foi o momento em que a cavalaria se sobrepôs à infantaria num campo de batalha. Até então, os cavalos não eram utilizados dessa forma pelos exércitos. Porém, esta é uma questão controvertida.

Andrinopla não foi a primeira derrota dos romanos. Porém, foi primeira grande humilhação ante os bárbaros.

12 de agosto de 2006

Programa do Curso de História Medieval I

Instituto Maria Imaculada
Faculdades Integradas Maria Imaculada – Moji Guaçu


Curso: LICENCIATURA EM HISTÓRIA
Disciplina: História Medieval I
Professor: Daniel Marques Giandoso
2º Semestre de 2006

Programa do Curso de História Medieval I

I- Ementa
História e Historiografia da Europa Medieval.

II- Objetivo
Permitir aos alunos o contato com os assuntos e os fatos centrais da Alta Idade Média, bem como a relação existente entre eles e o legado presente em nossa sociedade.
Desenvolver o espírito crítico através da análise de fontes.
Propiciar um debate historiográfico sobre os temas selecionados.

III- Metodologia
Apresentação do programa do curso através de aulas expositivas. Os alunos serão orientados na realização de leituras críticas e reflexivas dos textos historiográficos e na análise documental.

IV- Conteúdo
A Queda do Império Romano do Ocidente
As Invasões Bárbaras e a instalação dos Reinos Bárbaros
Santo Agostinho e seu mundo
O Império Bizantino: características políticas, econômicas e culturais
O Reino dos Francos
Igreja medieval: Poder Espiritual x Poder Temporal
Origem da vida monástica no Oriente e a sua instalação no Ocidente: Santo Antão e São Bento
Surgimento do Islamismo e Expansão Muçulmana
Carlos Magno e o Renascimento Carolíngio
Formação das instituições feudo-vassálicas

V- Avaliação
Resumos críticos, prova escrita e avaliação integrada.

VI- Bibliografia

Básica
ANDERSON, P. Passagens da Antigüidade ao feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1982.
LE GOFF, J. A civilização do Ocidente Medieval. São Paulo: EDUSC, 2005.
PERNOUD, R. Luz sobre a Idade Média. Lisboa, Europa-América,1997.

Complementar
LE GOFF, J. Dicionário Temático do Ocidente Medieval, São Paulo, Edusc, 2002 (2 vol.)
BLOCH, M. A sociedade feudal. Lisboa, Edições 70, 1982.
LE GOFF, J. O Homem Medieval. Lisboa, Presença, 1989.

Quando um ato muda o mundo


Gravilo Princip não tinha nada a perder. Viveria por pouco tempo devido à tuberculose. Estava disposto a entrar para a História como um grande mártir defensor de uma grande causa: libertar os sérvios bósnios da opressão austríaca.

Gravilo nasceu na Bósnia. Era filho de camponês e como a maioria das famílias sérvias da região, também a sua vivia em condições miseráveis devido aos altos impostos cobrados pelos austríacos.

Durante os seus estudos teve contato com o nacionalismo eslavo estimulado pelos russos. Mais tarde, entrou no grupo Mão Negra e foi cooptado pelo coronel Apis para participar do atentado contra Francisco Ferdinando.

Após atirar no arqueduque, Gravilo foi preso sem nunca se considerar um terrorista ou um bandido, mas um libertário. Morreu de tuberculose pouco antes do final da Primeira Guerra Mundial terminar em 1918.

Gravilo é um exemplo de como uma micro história (uma história individual), pode mudar os rumos da história do mundo.

Veja também:
Marcado para morrer

10 de agosto de 2006

O Socialismo Científico de Karl Marx

Por: Daniel Marques Giandoso


Marx elaborou uma teoria que explica a origem do capitalismo. Segundo ela, o capitalismo surgiu como conseqüência da crise do feudalismo e por aquilo que ele chamou de acumulação primitiva de capital. Sua teoria se baseia no materialismo e na dialética. O termo materialismo diz respeito a todo modo de produção material ao longo do tempo, seja agrícola ou industrial, seja com o uso do trabalho escravo ou livre, sendo a história marcada por uma sucessão de modos de produção sempre em transição. Assim, o Modo de Produção Asiático foi sucedido pelo Modo de Produção Escravista, que deu lugar ao Modo de Produção Feudal e por fim, o Modo de Produção Capitalista. Já a palavra dialética diz respeito a uma forma de pensamento em que toda realidade possui uma parcela de contradição nela mesma que tende a negá-la, dando origem a uma nova realidade. Assim, o sistema capitalista possuía contradições que impossibilitariam sua própria manutenção, cedendo espaço a uma nova realidade, o socialismo. Os seguidores das idéias de Karl Marx são chamados de marxistas.

Para Marx a história da humanidade é a história da luta de classes. Segundo ele, em todas as épocas e em diversos povos é possível encontrar conflitos entre classes sociais: os que possuem poder político e econômico são chamados de classe dominante; aqueles que apenas trabalham são chamados de classe dominada. No século XIX, a classe dominante é identificada como burguesia, donos de indústrias. A classe dominada é associada aos operários das fábricas.

A burguesia é possuidora dos meios de produção, ou seja, dos meios empregados para produzir algo como terra, máquinas ou ferramentas das fábricas. Os operários por não possuírem os meios de produção são obrigados a vender a sua força de trabalho em troca de um salário.

Marx percebeu que a riqueza da classe dominante vinha da exploração do trabalhador através da mais-valia, horas que um operário trabalha de graça para o seu patrão. A riqueza gerada por esse trabalho é maior que o salário que ele recebe. O industrial fica com a diferença, conseguindo assim, grandes lucros.

Segundo Marx, as desigualdades sociais geradas pelo capitalismo só teriam fim se os operários se apropriassem dos meios de produção da burguesia por meio de uma revolução. Enquanto a burguesia fosse proprietária desses meios, a desigualdade permaneceria. A classe operária, ciente disso, passa a ser portadora de uma força política capaz de realizar uma transformação social. Através da revolução proletária, o socialismo seria implementado, pondo fim a toda e qualquer propriedade particular.

Além da abolição da propriedade particular, os trabalhadores teriam de tomar o poder político, uma vez que, para Marx, o Estado servia os interesses da burguesia, zelando pela sua conservação.

Uma vez que Marx afirma que os problemas sociais são o resultado do modo de produção capitalista, todas as outras esferas da vida das pessoas como a cultura e a religião perdem a sua importância. Bastaria os proletários tornarem-se donos dos meios de produção para que a vida destes melhorasse. A educação e a saúde seriam garantidas pelo governo. Os aspectos culturais e religiosos normalmente desviam a atenção dos operários e os impedem de realizar a revolução. As artes estão carregadas de valores burgueses. Apenas as manifestações artísticas que fazem uma propaganda da revolução motivando os operários à luta são aceitas. Nesta visão, a religião, por exemplo, fazia parte de um aparelho ideológico do Estado para tornar os homens dóceis, submissos, ou seja, era apenas uma forma da burguesia legitimar o seu poder. É por isso que o ateísmo é defendido pelos marxistas.

Leia também:

1º de maio: Dia do Trabalho

A lógica das fábricas

A Belle Époque e a Revolução Tecno-científica

7 de agosto de 2006

Marcado para morrer


O fato de um assassinato dar início a uma guerra mundial é no mínimo muito estranho. A morte do arquiduque Francisco Ferdinando, sucessor do trono do Império Austro-Húngaro, por Gravilo Princip, estudante sérvio do grupo Mão Negra deflagrou a Primeira Guerra Mundial.

Um assassinato que provoca uma guerra é tão inusitado quanto as próprias circunstâncias da morte do arquiduque.
Ferdinando foi morto em uma visita a Sarajevo, capital da Bósnia. A Bósnia era uma província de população sérvia que foi anexada pela Áustria-Hungria. Por isso, Apis, coronel da Sérvia e líder do Mão Negra lutava pela libertação da Bósnia e pela restauração da Grande Sérvia.

Apis recrutou e treinou jovens nacionalistas empenhados na causa. A visita de Ferdinando à Sarajevo forneceu uma grande oportunidade para a ação do grupo. O assassinato foi muito bem planejado. Os sete jovens se distribuíram armados com pistolas e bombas na avenida principal da cidade por onde o arquiduque e sua esposa passariam desfilando em carro aberto.

A primeira granada foi lançada, mas atingiu a traseira do carro que partiu em disparada. Ao explodir, a bomba atingiu um soldado do carro que vinha atrás. Os outros membros do Mão Negra, pegos de surpresa, permaneceram paralisados e perplexos.

Após recepção na prefeitura da cidade, Francisco Ferdinando fez questão de visitar o soldado ferido no hospital. O motorista tomou o caminho errado e deu de cara com Gravilo Princip que saía de uma "padaria" onde acabara de comer um sanduíche. O motorista, ao tentar voltar pelo caminho correto, emperrou a marcha do carro. Tempo suficiente para Gravilo sacar sua arma e disparar dois tiros. O arquiduque, protegido por uma jaqueta a prova de balas, foi atingido no pescoço. Sophia, sua esposa (grávida), foi atingida no estômago. Este triplo assassinato deu origem a Primeira Guerra Mundial. Uma consequência que Gravilo jamais poderia imaginar.

29 de julho de 2006

O Rei Dário inventou o suco?


Minha esposa odeia quando eu vou ao mercado. Diz que eu trago coisas erradas... A última vez foi assim: saí de casa em busca de laranja lima para o Francesco. Dizem que é o suco mais apropriado para bebês. Fui e comprei logo (não fico passeando pelo mercado). Estava um pouco murcha, mas, como qualquer pessoa normal, selecionei as melhores. Cheguei em casa feliz pela missão cumprida e ciente de que não havia feito nada de errado.

Alguns minutos depois, minha esposa se aproximou com um suquinho para eu tomar: "Nossa, que amor! Pensei que era só para o Francesco!"
Estava um pouco amargo, mas tomei tudo...

"Você não trouxe laranja lima. Isso é lima da Pérsia! Você pensou que era laranja lima importada? A Pérsia nem existe mais!!!"

Coisas de historiador...

24 de julho de 2006

Garoto Gorfadinha em: Balada Medieval

Garoto Gorfadinha – Eu fui convidado para uma cerimônia do século XII. Estou a caminho da Bretanha, local da festa. Parece que é um acordo entre gente importante; uns tais de senhores feudais. Vai ser coisa rápida... Bom mesmo é a balada que vai acontecer depois... Como são pessoas da alta sociedade, é claro que haverá uma super festa para comemorar o acordo!!!
Estou atrasado! A cerimônia começou!

Cerimoniário – Meu senhor Duque Henrique de Canterbury anuncio-te a chegada do nobre Conde Jaime de Oxford.

Duque Henrique de Canterbury – Aproxime-se

Garoto Gorfadinha – O Conde Jaime se ajoelha na frente do Henrique e coloca suas mãos unidas entre as mãos do duque.

Conde Jaime de Oxford – Meu senhor Duque Henrique de Canterbury, eu me torno vosso homem.

Garoto Gorfadinha – “Me torno o vosso homem?” Eu heim... Agora um padre entra trazendo uma bíblia; ele está do lado do Jaime. Jaime se levanta, coloca sua mão direita sobre o Evangelho... Ah... Está prestando um juramento.

Conde Jaime de Oxford – Na medida que eu saiba e possa fazê-lo com a ajuda do Senhor. Sem malícia nem engano, o servirei fielmente, para o conselho e ajuda, segundo minha função e segundo minha pessoa, afim de que, esse poder que Deus lhe outorgou, possa retê-lo e exercitá-lo de acordo com vossa vontade, assim como para a vossa defesa e de vossos fiéis.

Garoto Gorfadinha – Poxa, o Jaime gosta mesmo do Henrique... Devem ser muito amigos... Nossa! que esquisito! O Duque Henrique de Canterbury acabou de entregar ao Conde Jaime de Oxford uma bandeja com terra... O que ele vai fazer com isso? Espera aí... Os dois estão se beijando!!! Na boca !!!

Veja também:
Garoto Gorfadinha em: Morte aos ratos!
Garoto Gorfadinha em: Encontrei Papai Noel

23 de julho de 2006

O Contrato Vassálico


O Garoto Gorfadinha assistiu a uma cerimônia de Contrato Vassálico. Tratava-se de um acordo entre dois senhores feudais que legitimava as relações de um para com o outro e criava um vínculo de dependência mútua. O senhor feudal concedia algum benefício ao vassalo e este lhe prestava um serviço. Este era o grande objetivo desse acordo: O vassalo (Conde Jaime de Oxford) prestava ajuda militar ao suserano (Duque Henrique de Canterbury) tornando-se seu conselheiro. Já o suserano dava proteção e sustento ao vassalo, isto é, lhe concedia um feudo. Esta cerimônia era cheia de significados e se dividia em duas partes: a Homenagem e a Fé.

Homenagem vem do latim hominium que significa tornar-se homem de alguém. Na Homenagem, o vassalo se ajoelhava na frente do senhor e executava a immixtio mannum. Nesse momento, o vassalo declarava livremente a sua vontade de prestar a Homenagem, ou seja, de se tornar um homem a serviço do suserano.

A Fé consistia num juramento de fidelidade ao senhor. Esse juramento era muito sério, pois era feito diante da Palavra de Deus. Depois o senhor entregava um símbolo do benefício (feudo) concedido ao vassalo. Por isso, o Duque Henrique de Canterbury entregou uma bandeja com um pouco de terra que representava o território concedido ao Conde Jaime de Oxford
O beijo na boca não tem nada a ver com os que a gente vê nas novelas ou filmes. Eles apenas encostavam levemente os lábios em sinal de amizade e confiança.

Veja também:
As obrigações do suserano
As obrigações do vassalo

22 de julho de 2006

As tricoteiras dominarão o mundo!!!

Eu costumo dizer a minha esposa que ela e as suas amigas tricoteiras da internet dominarão o mundo... São tantos blogs e elas são tão unidas que esta proeza será fácil. Talvez, o mundo fique melhor e mais colorido quando isso acontecer.

Minha esposa, que visita todos os 2461 blogs para saber as novidades e as novas receitas das amigas, me mostrou um blog que conta a História do Tricôt!!! É muito bom, com várias imagens. Eu o indiquei aqui do lado... Dê uma olhada!

16 de julho de 2006

Pedro e seu burrinho

Pedro, o eremita, foi o mais famoso pregador popular das Cruzadas. Ele era respeitado tanto pelos nobres como pelos camponeses, sendo considerado um homem de Deus.

Magro, de baixa estatura e roupas simples, Pedro com seu burrinho (dizem que era difícil saber qual era Pedro e qual era o burro), percorria os vilarejos pregando o arrependimento dos pecados, a prática de boas obras e a partida dos cristãos para Jerusalém. Em todo lugar que ele passava, multidões se reunião ao seu redor para ouvi-lo. Sua simplicidade e eloqüência comoviam a todos. Muitos deixavam tudo para traz e o seguiam em direção a Terra Santa.

A Cruzada popular chegou em Constantinopla antes dos exércitos dos barões. Diante da falta de alimentos e de muitas dificuldades, Pedro perdia a sua autoridade frente à multidão. Conseqüência: muitos peregrinos praticavam saques na cidade.
O forte desejo de chegar logo a Jerusalém fez com que os cruzados de Pedro se precipitassem em suas ações. Ao invés de permanecerem em Constantinopla esperando os barões, eles partiram para Nicéia, embora não estivessem devidamente preparados. O sultão Kilidj Arslan conseguiu derrotá-los com facilidade. Dos 40 mil homens de Pedro, sobraram apenas 2 mil peregrinos. Assim acabou a cruzada popular de Pedro.

Veja também:
As mulheres gostam de contar as coisas

12 de julho de 2006

Dolly: Alguém se lembra dela?


A Dolly morreu, mas o guaraná ainda permanece, embora seu nome não represente uma imagem tão positiva assim...

A ovelhinha faria 10 anos nesse mês. O primeiro mamífero clonado do planeta morreu cedo e cheio de problemas. A clonagem da Dolly deu início a uma grande polêmica sobre os reais benefícios e perigos dessa técnica de gerar um novo ser vivo extraindo o DNA de uma célula adulta e inserindo-o num óvulo. Além dos problemas éticos envolvidos nesta questão, como a clonagem humana, verificou-se uma certa ineficiência no procedimento.

A polêmica foi até tema de novela. A ineficiência ficou evidenciada pela grande quantidade de óvulos utilizados para chegar ao resultado esperado. Além disso, Dolly nasceu velha... possuía artrite e morreu de infecção pulmonar, vivendo a metade de anos de uma ovelha normal.

Mas, o mais impressionante nessa história é que a morte da Dolly passou quase despercebida. Alguém se lembra por quê? Duvido...

O IMPÉRIO CONTRA ATACA!!!
Dolly morreu em fevereiro de 2003, quando as atenções do mundo estavam voltadas ao início das operações dos Estados Unidos no Iraque. A Dolly foi notícia minúscula de pé de página...

Enquanto o senhor Bush procurava convencer o planeta terra de que o Saddam representava uma ameaça à paz mundial com as suas “armas de destruição em massa” (invadiram o Iraque e não encontraram nem bombinha de São João), a clonagem fracassou e ninguém deu bola...

O que será dos filhinhos do Boi Bandido???
O Bush fará outra guerra quando os boizinhos estiverem usando bengalas?

9 de julho de 2006

As mulheres gostam de contar as coisas...


Sabe quem contou primeiro a história das Cruzadas?
Foi uma mulher!!!
Ana Comnena é considerada a primeira historiadora da Primeira Cruzada. Ela era uma bela princesa filha do imperador bizantino Aleixo. Sendo de origem nobre, Ana Comnena recebeu uma invejável educação. Leu Homero, Platão, Aristóteles, estudou matemática, teologia e medicina, coisa muito rara para uma mulher naquela época. O relato da princesa revela que a Cruzada não se tratava de um exército marchando com homens inteiramente armados liderados por um comandante. Ao contrário, a princesa caracteriza a Cruzada como uma gigantesca multidão composta de homens, mulheres e crianças. Segundo a historiadora Régine Pernoud, graças à sua história, é possível entender a Cruzada como uma grande peregrinação armada e não somente como uma guerra convencional. Um fato curioso: a jovem donzela ficou apaixonada por um dos guerreiros cruzados. Vejam o que Ana Comnena escreveu nos seus relatos sobre o normando Buemundo de Tarento:
"Esse homem, a tal ponto superior, só capitulava diante de meu pai com relação à fortuna, à eloqüência e outros dons da natureza. Jamais se viu anteriormente na terra dos bizantinos, homem semelhante a este, bárbaro ou grego, pois a visão dele gerava a admiração e sua fama, o temor... Era tão alto que ultrapassava em quase um côvado os maiores, era esbelto sem opulência, com os ombros largos, o peito desenvolvido, os braços vigorosos. Sua pessoa, no conjunto não era nem mirrada, nem corpulenta, mas de acordo, por assim dizer, com os cânones de Policleto; suas mãos eram fortes e estava solidamente plantado em seus pés, o pescoço e os ombros robustos”.
Somente uma donzela apaixonada faria uma descrição tão perfeita, não é mesmo?

Veja também:
Como começou a Primeira Cruzada
Estamos sendo invadidos!

8 de julho de 2006

Comentário inútil


Uma das coisas que eu não consigo ver nenhuma utilidade é o tal do comentarista de arbitragem. Ele olha o replay e, só então, diz se foi falta ou se “o jogador se jogou”... Diz se o juiz errou ou acertou (depois da imagem, é claro)... e ainda, “repare que no momento do passe o jogador estava um pouco à frente do zagueiro, portanto impedido, errou o juiz!” Ele só comenta o que todo mundo vê na repetição...

Escreva aqui alguma outra coisa inútil presente nesse mundão!!!

7 de julho de 2006

Mande sua mensagem de texto para...


Foi o tempo em que as promoções da TV eram feitas por meio de correspondências. Milhares de cartas eram enviadas, uma montanha de papel. Forma econômica para quem as enviava. Uma dor de cabeça para quem as recebia. Também havia as revistinhas compradas em bancas com cupons e tal.

Agora, em nosso belo mundo moderno e tecnológico, basta uma mensagem de texto para... Penso que o celular daria tema de trabalho sociológico. Quantos hábitos ele mudou... Mas o que eu quero dizer mesmo é que, por causa desse aparelhinho, qualquer campanha promocional fatura muito, mas muito mais que antigamente... Hum... isso me deu uma idéia!

PARTICIPE DA MAIOR PROMOÇÃO DE TODOS OS TEMPOS!!!

Mande mensagem de texto para 6666-666-6666 e responda a pergunta:

QUAL A IDENTIDADE SECRETA DO GAROTO GORFADINHA?

Custo da ligação: R$ 9,90 + impostos

Putz! Precisa de um prêmio...

????????

Ah!!! Concorra a um Kit SELEÇÃO BRASILEIRA!!!
Uma camisa do Ronaldinho gaúcho!!! (o melhor do mundo).
Um par de meias do Roberto Carlos (aquelas do jogo contra a França).
Um pôster do Parreira (que não estava preparado para perder).

Não... não. Prêmio ruim não dá.

Veja também:
Quem é o Garoto Gorfadinha?

4 de julho de 2006

Por que somos tão bons no futebol

O jogador francês Thierry Henry, que marcou o gol mandando o Brasil para a casa disse: "Quando eu era pequeno, ia à escola das 8h às 17h, e minha mãe não me deixava descer para jogar. Eles [os brasileiros] jogam das 8h às 18h!" Certamente, aí está a razão do por que somos tão bons no futebol.

Aí um aluno me disse hoje: "É, eles [os franceses] sabem ler, mas nós somos PENTA!"

Em pesquisa publicada na Folha, os alunos de 8a série do Brasil estão no mesmo nível que os alunos de 4a série dos países ricos, como a França. Pois é, somos penta; mas os alunos do Ensino Médio não sabem escrever HEXA...

2 de julho de 2006

As obrigações do suserano

Podemos dizer que há um certo paralelismo entre as obrigações do senhor com as obrigações do vassalo. Ele também deveria ser fiel e ajudar o vassalo. Assim, o suserano não poderia prejudicar em nada ao seu homem. Quando necessário, também dava ajuda militar ao vassalo, conselho e sustento, que seria a concessão de um feudo (benefício). Esse feudo geralmente era uma parte das terras do senhor, mas poderia ser outra forma de sustento como direto de cobrança de pedágios, impostos ou tributos etc. Um bom senhor era generoso com seus vassalos. Um suserano poderia ser vassalo de outro senhor feudal. Da mesma forma, um vassalo também poderia ser suserano de outra pessoa.

1 de julho de 2006

Allez Zidane: França 1 x 0 $#&%=<

E timinho!!! Aproveite e desabafe um pouco!!! Diga o que você pensa da nossa sensacional seleção de craques-estrelas da Copa...

Viva Portugal!!! Viva Felipão!!!

30 de junho de 2006

He-Man na Copa


Mais um brilhante comentário de minha esposa... "Tem um monte de He-Man no time da Ucrânia".
E tem mesmo... aqueles loiros com cabelos escorridos... e são vários! Apesar disso, os italianos (que não contaram com a ajuda do Esqueleto), deram um jeito neles. Tiveram de voltar mais cedo para o Castelo de Greyskull!

24 de junho de 2006

100% negro x 100% branco

Em uma prova recente, pedi para que os alunos escrevessem de que maneira o racismo está presente na sociedade brasileira. Todos responderam muito bem. Mas, um dos alunos levantou uma questão interessante: "Por que quando uma pessoa usa uma camisa escrita 100% negro ninguém vê problema, mas se alguém sair na rua usando uma camisa 100% branco será considerado racista?"

Isso me fez lembrar uma aula que tive na Universiade com um professor americano especialista em questões étnicas. Ele colocou o mesmo problema, isto é, por que uma mesma atitude pode ser considerada racista quando feita por brancos e não racista quando feita por negros? O exemplo que ele deu foi genial! "No Brasil, pode existir tranqüilamente um grupo de pagode com o nome RAÇA NEGRA, mas um grupo de pagodeiros chamado RAÇA BRANCA não seria aceito".

Bom, eu arrisco uma resposta... Deixe aqui também o seu comentário!

23 de junho de 2006

Uma Copa todo ano

Nesta semana, minha esposa soltou mais um dos seus comentários geniais: "O Brasil pára na Copa, mas tudo funciona melhor". As companhias de energia elétrica melhoram seus serviços para evitar supresas desagradáveis e todos ficarem sem TV... Há mais ônibus, afinal, todos devem chegar logo em casa... até os hospitais atendem mais rápido... tudo melhora... Solução: Copa todo ano!

15 de junho de 2006

Ronaldo fenômeno?


Após a fantástica vitória do Brasil sobre a Croácia por 1 x 0, alguns comentaristas esportivos disseram que o Brasil jogou a maior parte do tempo com 10 jogadores. Parecia que o Ronaldo não estava em campo. O médico da seleção disse que ele está estressado... A questão é se o Ronaldo deve ser mantido no time por tudo o que ele já fez para Brasil, (ele jogou mal, mas vai se superar) ou se deve ser substituído por outro jogador. Em 98 ele não tinha condição de jogar e deu no que deu...

11 de junho de 2006

História em debate: Anarquismo

“O fracasso dos sistemas de governo e das formas de poder dos diferentes países é notório. É dos governos que nascem as guerras que dizimam populações inteiras. Os Estados Nacionais, falidos pela incompetência administrativa, exploram a população cada vez mais com impostos exorbitantes e não oferecem o mínimo de educação, saúde e segurança para o povo. Em qualquer forma de governo a liberdade é sempre aparente. Sempre tem alguém que está lá decidindo por nós. Onde há governo, há corrupção. O governo, isto é, o poder, corrompe as pessoas. Não importa quem esteja nele. Os poderosos dificilmente são punidos pelos crimes que comentem. O governo injusto, corrupto e incapaz de atender aos anseios da sociedade é melhor que não exista. Mais do que nunca, os anarquistas estão com a razão”.

“O ideal anarquista de uma sociedade sem governo, sem leis e sem obediência a qualquer autoridade constituída é um sonho abstrato. É impossível conceber que o anarquismo possa existir concretamente diante da complexidade do mundo moderno. O governo é imprescindível para que a sociedade funcione de maneira organizada. Porém, é importante que um governante se estabeleça pela vontade popular. A liberdade humana é um grande bem e deve ser sempre assegurada. Mas precisamos de leis justas e também punitivas, pois em nome da liberdade muitos excessos podem ser cometidos. Como proteger uma sociedade gigantesca e heterogênea como a nossa sem leis e sem um governo para executá-las? Uma coisa é o governo. Outra coisa são os governantes. Devemos acabar com o governo pela incompetência dos governantes?”

Levando em consideração estes dois pensamentos e os grandes problemas presentes em nosso mundo, o que você pensa sobre o Anarquismo?

Leia também:
História em debate: Amizade

10 de junho de 2006

Um terror para as mulheres

Finalmente começou a Copa do Mundo! Muita gente com a tabelinha da copa fazendo questão (pelo menos no início) de marcar todos os resultados. A televisão só fala disso para o desespero das mulheres... Minha esposa não vai agüentar essa overdose de 3 jogos todos os dias. Eu acho um máximo! E neste domingo, além dos 3 jogos, há também Fórmula 1!!! Que dia fantástico! Minha esposa não vai conseguir ficar em casa...

6 de junho de 2006

As obrigações do vassalo


O vassalo jamais poderia cometer uma ação que colocasse o suserano ou seus bens em perigo. Assim ele não poderia comprometer a perda do castelo do seu senhor para algum inimigo ou fazer com que o senhor corresse risco de morte. Ele tinha de zelar pela honra do suserano.
Porém, o principal objetivo do suserano era conseguir do vassalo ajuda militar, seja para um simples serviço de guarda do castelo, seja para uma guerra contra algum inimigo.

Além da ajuda militar cabia ao vassalo fornecer ajuda material. Exemplos: pagar o resgate do senhor quando prisioneiro, arcar com as despesas do casamento da filha do senhor ou quando o filho tornava-se cavaleiro, ou ainda, quando o suserano partia para uma Cruzada.
Outra obrigação do vassalo era a de atuar como conselheiro do senhor em situações difíceis.

4 de junho de 2006

Parabéns prá você


Hoje, 4 de junho, meu filho Francesco completa 8 meses. Que menino lindo!!! Também, com um pai desses... Melhor voltar ao trabalho... sou o provedor de fraldas! Quem quiser colaborar, tamanho G.

29 de maio de 2006

A pergunta que não quer calar!

Todos estão loucos de curiosidade!
Afinal, QUAL É A IDENTIDADE SECRETA DO GAROTO GORFADINHA? Este é o mistério do século!
Em 16 de maio, Garoto Gorfadinha deu o ar da graça no carbonocatorze já dizendo porque veio.
Depois, ele teve um fantástico encontro com o Papa Urbano II que convocou a Primeira Cruzada.
E, por fim, nosso fantástico herói acabou com a epidemia de Peste Negra na França!
Uau!!! Quem é esse super garoto?
Alguém se arrisca em resolver esse intrigante dilema?

28 de maio de 2006

Garoto Gorfadinha em: Morte aos ratos!!!


Garoto Gorfadinha - Estou aqui na Ilê-de-France onde mais da metade da população já morreu pela peste. É um caos total pessoal! Quem não está vivo, está morrendo! Como fede esse lugar... Vou tentar falar com alguém.
Pô pessoal, vocês não entendem que o problema está no rato? É a pulga dele que transmite a doença!!!
Monge beneditino - Deixe de bobagem menino. Isto é um castigo de Deus pelos nossos malditos pecados. A IRA DIVINA É A CAUSA DESTE MAL!!!
Ferreiro - Que castigo nada! É coisa dos LEPROSOS que contaminaram o ar!
Comerciante - Não! São os JUDEUS que contaminaram a água que abastece a cidade!
Garoto Gorfadinha - Calma pessoal, não é nada disso...
Universitário - Eu, que estudo na Universidade de Paris, devo concluir que se trata de uma confluência cósmica. Os ASTROS...
Velha rabugenta - Cale essa boca, seu almofadinha... Me ajuda aqui com esse corpo!
Universitário - Digo a verdade, minha senhora. Júpiter, Saturno e Marte estão alinhados. Esta é a causa do grande mal...
Garoto Gorfadinha - Pessoal! Será que alguém pode me ouvir?
Monge beneditino - Quem é você?
Garoto Gorfadinha - Eu sou o Garoto Gorfadinha. Estou aqui para ajudá-los. É só acabarmos com os ratos e tudo se resolverá.
Ferreiro - Ratos? Convivemos há tanto tempo com eles e nunca tivemos problemas!
Velha rabugenta - Se acabarmos com os ratos, o que vamos comer?
Garoto Gorfadinha - Eu usarei meus super-poderes para ajudá-los! Vou atacar os ratos com minha arma secreta: SUPER JATO DE GORFO PARALISANTE ATIVAR!!!!!
Comerciante - Meu Deus! Que milagre! Os ratos viraram estátuas!
Garoto Gorfadinha - Agora é com vocês pessoal. Limpem bem esta sujeira nojenta e enterrem os cadáveres. Até a próxima!

27 de maio de 2006

Febre, espirros e tosses


Como uma medicina tão avançada não consegue dar conta da gripe? Quem ama biologia, certamente dirá algo parecido como: "é que há uma infinidade de vírus que a provoca... blá, blá, blá..."
A gripe derruba a gente... Estou amuado há 4 dias... Mas não vão ficando alegrinhos, pois eu vou dar aula do mesmo jeito e vou contaminar todos vocês... Há Há Há!!!

Então, aí eu fui pensando como que as doenças conseguem mudar a História. Todos já ouviram falar da Peste Negra, não é mesmo? Esta xilogravura é de 1522. Trata-se da visita de um médico a um paciente com peste. Repare como todos estão horrorizados com a situação do infeliz...

A Peste Negra, originária da Ásia, entrou na Europa pela Itália em 1347. Ela foi trazida pelos comerciantes genoveses. O resultado foi traumático. O rápido contágio e a morte imediata causavam pânico na população. Embora seja muito difícil especificar quantas pessoas morreram por essa doença, houve uma drástica queda demográfica na Europa. Isto acentuou a crise européia conhecida como Crise do Século XIV.

Os primeiros sintomas da Peste Negra eram febre alta, náuses e forte cansaço. Este termo Peste Negra fazia referência às hemorragias escuras que surgiam na pele. Também é conhecida como peste bubônica, pois provocava inchaços (bubos) na garganta e axilas. Havia também uma variação pulmonar da doença.

Pensando bem, esta minha gripe não é nada. Mas, que aborrece, aborrece...

19 de maio de 2006

Garoto Gorfadinha entrevista Urbano II


Garoto Gorfadinha, nosso super-herói, conseguiu entrevistar o Papa Urbano II logo após ele ter convocado uma Cruzada para o Oriente. Vejam que sensacional!

Garoto Gofadinha - Santidade, o que levou o senhor a fazer esse discurso?

Papa Urbano II - Bem, nos últimos tempos temos recebido notícias ruins a respeito dos cristão do Oriente. Os turcos muçulmanos estão ameaçando Bizâncio. Os cristão são hostilizados e os santuários invadidos por eles. As informações sobre Jerusalém também são preocupantes. Os muçulmanos profanaram os lugares santos do cristianismo. Até mesmo os peregrinos não conseguem visitar os locais sagrados pois são impedidos. Nós, cristão do Ocidente, não podemos fechar os olhos diante do sofrimento desses nossos irmãos. Além do mais, o imperador bizantino Aleixo, nos solicitou ajuda militar.

Garoto Gorfadinha - O que o senhor vai fazer?

Papa Urbano II - Como você ouviu, exortei os fiéis a marcharem para Jerusalém. É nosso dever ajudar os cristãos do Oriente com uma guerra religiosa! Temos de libertar Jerusalém por amor a Cristo! Toda a cristandade está convocada. Pobres e ricos, soldados e camponeses. O próprio Deus conduzirá a todos!

Garoto Gorfadinha - Mas Santidade, a Igreja não prega o amor e a paz? Como então fazer uma guerra agora?

Papa Urbano II - Guerra e Fé não estão tão afastadas assim, meu jovem. Várias guerras estão presentes nas Sagradas Escrituras. Israel teve de lutar para entrar na Terra Prometida. E o Rei Davi, quantas vezes não enfrentou os filisteus em suas batalhas? Jesus também disse: não vim trazer paz ao mundo, mas espada.
Contudo, a guerra não pode ser um princípio, mas uma conseqüência. Se for um princípio, ela será má. Apenas Deus pode tirar a vida. E Jesus nos mandou amar os inimigos.
Mas a guerra também pode ser uma conseqüência necessária. Quando alguma coisa nos ameaça é legítimo nos defendermos dela. É o que podemos chamar de guerra justa. Esse tipo de guerra é da vontade de Deus.
Veja bem, os barões cristãos aqui no Ocidente estão lutando entre si e se matando. A guerra religiosa unirá a todos frente a um inimigo comum.

Garoto Gorfadinha - Que benefícios terão os que partirem para o Oriente?

Papa Urbano II - O maior benefício é o de estar a serviço de Deus. Mas, os que partirem terão seus bens protegidos pelas Igrejas locais. Isso será uma garantia de que nada será roubado ou perdido. Tudo deverá ser entregue aos que voltarem. Todos os que morrerem na jornada serão absolvidos de seus pecados. Aqueles que piedosamente forem para a Terra Santa receberão as indulgências.

Garoto Gorfadinha - Indulgência? O que é isso?

Papa Urbano II - O pecado tem duas conseqüências: a pena eterna que nos priva da vida eterna e a pena temporal que são sofrimentos que decorrem do pecado em nossa vida terrena. A confissão suprime a pena eterna, mas as conseqüências do pecado em nossa vida cotidiana permanecem. A indulgência redime essa pena temporal. Mas ela só vale para os pecados já confessados!

Garoto Gorfadinha - Nossa!!! Eu pensava outra coisa! Mas, voltando a expedição para o Oriente, quando os guerreiros partirão?

Papa Urbano II - Em agosto, no verão do próximo ano, todos devem estar prontos para partir. Os guerreiros devem se encontrar em Constantinopla.

Garoto Gorfadinha - Quem não pode ir?

Papa Urbano II - Os padres e religiosos só poderão partir se receberem permissão de seus superiores. Os idosos, enfermos e crianças devem sem desencorajados, mesmo que queiram partir. Também os jovens, recém-casados, só podem ir com o consentimento de suas esposas.

Garoto Gorfadinha - O senhor vai?

Papa Urbano II - Não, não meu jovem...

18 de maio de 2006

As Cruzadas: Estamos sendo invadidos!

Por: Daniel Marques Giandoso

Os cristãos partiram para a Cruzada convictos de estarem obedecendo a vontade de Deus. É certo afirmar que o motivo da Primeira Cruzada foi religioso: retomar o túmulo de Cristo.

Porém, quando estudamos história, não devemos nos esquecer que um mesmo acontecimento provoca impactos diferentes nos grupos humanos. Assim, é sempre bom investigar a história em diferentes ângulos.

Como será que os muçulmanos reagiram diante desse acontecimento?
O que eles pensavam das Cruzadas?
Os árabes se referiam aos cruzados como invasores. Eles o chamavam de franj, já que muitos eram francos (franceses).

Os cruzados encontraram inicialmente, uma certa facilidade para realizar as suas conquistas. Isso porque não havia uma unidade entre os sultãos. Embora muçulmanos, muitos eram inimigos entre si. Então, cada sultão lutava sozinho contra o exército dos franj. Os próprios árabes demoraram cinqüenta anos para se organizarem em uma guerra de grandes proporções. Os líderes do Islã, viam nessa marcha dos cristãos, apenas mais um capítulo da rivalidade entre as duas religiões, que já havia entrado em luta em outras ocasiões.

Todas as cidades conquistadas pelos muçulmanos estavam anteriormente sob o domínio do imperador bizantino. Era de se esperar que um dia, os cristão tentariam retomá-las. É por isso que no princípio, as cruzadas não foram levadas muito a sério. Nada de tão novo estava acontecendo. É claro que os muçulmanos se enganaram.

A cada avanço dos cruzados, o temor se intensificava. Os cronistas árabes relatam com horror as batalhas. Na realidade, o que é relatado pelos cronistas sempre esteve presente em qualquer guerra. Mas a fúria com que os cristãos lutavam por sua religião causava espanto.

Os franj, a caminho de Nicéia, são acusados de realizarem grandes saques por onde passavam massacrando camponeses e queimando pessoas vivas.

A cidade de Antioquia foi incendiada. Homens, mulheres e crianças que corriam tentando fugir eram degoladas pelos cavaleiros que os alcançavam com facilidade.

Também na cidade de Maara, os árabes mencionam uma grande carnificina. Contudo, é importante lembrar que, geralmente, o número de pessoas mortas é exagerado. No caso de Maara, os franj são acusados de antropofagia.

Finalmente, em Jerusalém, os relatos dos próprios cruzados dão a dimensão do massacre ocorrido na Cidade Santa. Corpos se amontoavam e o sangue corria pelas ruas estreitas. No Templo do Jerusalém, os guerreiros cavalgavam com o sangue das vítimas até a altura de seus joelhos!
Após anos de caminhada passando por grandes sofrimentos e privações, é de esperar que os cruzados entrassem em Jerusalém com grande fúria. Os habitantes que conseguiram escapar, impressionados, chamavam os franj de fanáticos. Depois de três dias, praticamente não se via mais judeus ou muçulmanos na cidade.

17 de maio de 2006

Como começou a Primeira Cruzada

Por: Daniel Marques Giandoso

A Primeira Cruzada foi convocada durante o Concílio de Clermont realizado entre os dias 18 e 28 de novembro de 1095.
As palavras do Papa Urbano II foram relatadas por cinco cronistas: Roberto, o monge; Baudri de Dol; Fulcher de Chartres; Guiberto de Nogent; Guilherme de Malmesbury.

O problema é que todos escreveram seus relatos alguns anos após o concílio. Assim, é possível que algumas coisas tenham sido acrescentadas ao discurso do Papa mediante os primeiros resultados da cruzada. Outro problema é que as versões dos cronistas variam de uma para outra.

Porém, é certo que as palavras do papa causaram impacto e despertaram um grande entusiasmo nos ouvintes que gritavam: “Deus o quer!”
Após o discurso de Urbano II, clérigos e guerreiros ajoelharam-se diante dele pedindo permissão para participar da guerra.

O papa continuou percorrendo a Gália e proferindo sermões. Incentivava todas as pessoas a tomarem “a via do Senhor”.

Porém, a maioria das pessoas que partiram para a Cruzada não tinham ouvido o discurso do Papa. Muitos eram contagiados pelos discursos de pregadores populares, como Pedro, o eremita.

16 de maio de 2006

Garoto Gorfadinha: A Missão


Atenção pessoal!!!
É com grande satisfação que lhes apresento um novo super-herói!
GAROTO GORFADINHA!!!

Sua Missão...
A sua principal missão é impedir a propagação de alunos preguiçosos e “sem noção” pelo mundo.
Para combater os burraldos, Garoto Gorfadinha utilizará seus super poderes. Ele percorrerá todas as épocas da história e estará lá (ao vivo) contando tudinho de um jeito bem particular.
Aguardem!!!

14 de maio de 2006

Rá tim bum!!!


Hoje, fomos a uma festa de aniversário. A Kiara fez 5 anos! Provamos um belo churras, docinhos e, claro, o bolo de chocolate delicioso. Eu sou alérgico a chocolate... mas, mesmo correndo risco de morte, não resisti àquela coisa do amor...

Disso de comemorar acontecimentos importantes com bolo, acabei me lembrando de algo que uma colega de faculdade falou em um seminário sobre Religião Romana. Antes, devo dizer que, quando nos casamos, fizemos questão de não fazer bolo de noiva, o que desapontou muita gente...

Bom, mas o que eu ia dizer mesmo é, que na apresentação dessa minha colega, ela explicou o por que desse costume de comer bolo em casamento. Isso devemos aos romanos!!! Na Roma Antiga, ao formalizar o contrato de casamento, a noiva deixava de pertencer à família de seus pais e passava a pertencer à família do noivo. A maneira de ritualizar esse procedimento era mais ou menos assim: a mãe da noiva preparava uma refeição para a filha. Esta, recusava o alimento que a mãe lhe oferecia. Isso era o rompimento com a sua família.

O noivo levava sua donzela para a casa de seus pais. Lá, a sogra esperava os dois pombinhos com um bolo preparado por ela... o Bolo da Noiva. Ao chegarem, a mãe do noivo oferecia um pedaço do bolo à moça que prontamente aceitava, provando a guloseima... Ao aceitar o bolo, a noiva passava para a sua nova família.

Bom, agora vou beber meu leite antes que vire aquela crosta de nata nojenta...
Boa semana!

13 de maio de 2006

Uma llama pela Petrobras


Por um cavalo o Brasil comprou o Acre da Bolívia! Fiquei sabendo (por fontes seguras), que Evo Morales já ofereceu uma llama pela Petrobras! Na verdade, o animal já está a caminho. A simpática llama já tem endereço certo. Ficará no quintal da Palácio do Alvorada junto com as emas...

A declaração do presidente boliviano Evo Morales sobre as supostas atuações irregulares da Petrobras em seu país causou muita indignação do governo brasileiro. Bom, se Morales pautou sua campanha à Presidência da Bolívia na nacionalização do petróleo e do gás natural, nada mais justo que ele realize sua promessa. É isso que os seus eleitores esperam dele. Os bolivianos, espoliados a décadas, devem controlar e usufruir de suas riquezas naturais. E de fato, enquanto país soberano, o governo não deve dar explicações a ninguém sobre as decisões que são importantes para o povo.

Agora, que história é essa de dizer que o Acre foi trocado por um cavalo? É um absurdo histórico!

Essas intriguinhas entre nós, cucarachas sul-americanos subdesenvolvidos é bom para quem? O fato é que a tão sonhada integração latino-americana defendida por Simon Bolivar sempre foi e continua sendo conversa. Na hora do vamos ver, cada um defende o seu interesse. Isso é próprio da natureza humana. Acordos econômicos e políticos não provocam união real entre os homens...

7 de maio de 2006

Eu odeio comer verdura

Bom, toda criança se queixa de ter de comer alguma coisa. E sempre têm aquelas que fazem uma birra desgraçada. Isso ainda não acontece com o meu Francesco, que já come uma deliciosa sopinha de espinafre, mandioquinha, cenoura, batata, chuchu... uhhh... Ele ainda não fala, não pode reclamar... Mas tudo é uma questão de hábito. O problema é que muitas crianças, com a conivência dos pais, se privam de experimentar muitas coisas e emitem juízo sobre o que gostam ou que não gostam antes mesmo de sentir o sabor.

Veja bem. Não devemos experimentar tudo e qualquer coisas nesta vida. Por exemplo: a insuportável da Branca de Neve, que o Francesco assiste 4 vezes por dia, tinha de comer aquela maldita maça? Ela foi por aquilo que aparentava ser bom e se deu mal... Que o diga a Eva...

Mas nessa história das crianças deixarem de comer verduras e legumes invadiu a mídia nos últimos dias. Dentre as notícias desta semana, vimos que um (outro) Garotinho (bem diferente do Francesco) que sonha em ser Presidente da República, andou aprontando as suas birrinhas e parou de comer! A justificativa do pré-candidato à presidência pelo PMDB para a sua greve de fome é a "perseguição da mídia" (Globo e Veja) à sua pessoa. Esse jejum que beira a patetice começou após denúncias de irregularidades de doações de ONGs - contratadas a prestarem serviços ao governo do Rio de Janeiro - à candidatura de Garotinho.

De um Garotinho só se pode esperar uma atitude infantil como esta. Mas, não de alguém que quer ser Presidente do Brasil.

Muitas pessoas já fizeram greves de fome e conseguiram seus objetivos. Vejamos o exemplo de Mahatma Gandhi (1869 – 1948). Para defender a independência da Índia contra o domínio britânico, Gandhi adotou a desobediência civil, o pacifismo e praticou várias vezes greve de fome até ser ouvido. Seu sacrifício pessoal visava uma causa nobre. Mas o Garotinho, que quer ser Presidente da República, parou de comer porque falaram mal dele... Birra de criança deve ser ignorada. É só a mamãe retirar a internet dele e tudo se resolverá.

5 de maio de 2006

Cinema: um Coliseu moderno

Por: Daniel Marques Giandoso
Por que os romanos iam ao Coliseu? Para se divertirem, é claro. Mas saber que essa diversão era provocada pelo derramamento de sangue e pela violência dos gladiadores, pode nos deixar chocados. Como sentir prazer em presenciar a morte de outra pessoa? E os animais? Certamente, os ecologistas ficariam com arrepios diante dos inúmeros animais sacrificados na arena!

Bom, hoje é muito comum a TV e os jornais darem destaque à violência nas grandes cidades. Ela é tão forte que temos medo de sair nas ruas, de parar o carro nos semáforos e, tememos, até mesmo as crianças que se aproximam de nós.

Para aqueles que cometem violência esperamos punição exemplar. Quanto mais cruel o crime, mais justiça desejamos! Se nos indignamos tanto com a violência que nos rodeia, porque os romanos se divertiam com ela?

Primeiramente, é preciso pensar se a violência somente é algo próprio de monstros assassinos ou loucos desajustados. Na verdade, todos nós temos uma medida de violência e, de alguma forma contribuímos para a sua permanência.

Em segundo lugar, será que assim como os romanos antigos, também não consumimos violência? Umas das maneiras mais comuns de laser é o cinema. Os filmes nos emocionam, nos fazem rir, pensar sobre a vida e até aprender (ou desaprender) a história e a cultura de outros povos. Porém, nem sempre é essa a intenção de quem produz um filme. Muitos são feitos exclusivamente para se ganhar dinheiro. E um dos ingredientes para garantir sucesso de bilheteria é a exibição exaustiva de cenas de violência.

Transferir a crueldade, antes presente na arena do Coliseu, para a tela do cinema vende bilhete! Os filmes de ação com lutas fantásticas e inúmeras rajadas de metralhadoras nos fazem vibrar! Violência dá dinheiro e pagamos para vê-la. Geralmente, esses filmes possuem a mesma lógica: a luta do bem contra o mal. Ter a melhor arma é fundamental para vencer. E como dizia um amigo meu, sempre é a mesma coisa: o mocinho ou a heroína, após apanhar do vilão e, estando em uma difícil situação (como caído no chão), prestes a morrer, encontra uma arma e mata o malvado. E todos damos um suspiro de alívio...

É claro que Hollywood não é culpado pela violência do mundo. Mas será que esses filmes não contribuem para que haja uma cultura de violência que vamos assimilando? Será que a violência do cinema não fomenta a idéia de que basta ter uma arma e todos os problemas serão resolvidos?

Então, o cinema se transforma numa vitrine para os fabricantes de armamentos, uma espécie de propaganda para aumentar suas vendas. Será esta uma idéia louca demais? A poltrona do cinema e o assento do Coliseu não estão tão distantes assim...

4 de maio de 2006

Coliseu: eu já fui lá!!!

Por: Daniel Marques Giandoso
"Enquanto houver o Coliseu, haverá Roma; o dia em que não houver mais o Coliseu, Roma também não existirá”.
Beda, o venerável (séc. VIII).

Em 72 d.C., o Imperador Vespasiano iniciou a construção de um local para espetáculos. O Coliseu podia abrigar 50 mil pessoas. Tito inaugurou o edifício no ano 80 com uma grande festa que durou 100 dias. Nela, 5 mil feras vindas de várias partes do Império foram sacrificadas nos jogos comemorativos. Os jogos faziam parte da política dos Imperadores de fornecer alimento e diversão para conter a população. Esses espetáculos eram muito violentos e até cruéis. As lutas podiam ser entre gladiadores (geralmente escravos) que lutavam entre si ou com animais na arena. De qualquer forma, lutava-se até a morte.

Na arena do Coliseu também se simulava batalhas navais e, embora não fosse muito comum, a matança de homens e mulheres pelas feras (tigres ou leões), acontecia. Os cristãos foram martirizados dessa maneira.

A maioria da população vibrava com os jogos. Porém, homens ilustres como o filósofo Sêneca sentia uma verdadeira repulsa por eles.

Com o passar dos séculos o Coliseu foi terrivelmente danificado por incêndios e terremotos. Ele, como toda Roma antiga, era revestido de mármore. Costumava-se dizer que ao meio-dia, quando os raios do sol eram muito intensos, o reflexo da cidade era tão forte que podia cegar os olhos! Grande parte do mármore que revestia a cidade foi saqueado, destruído ou usado na construção das basílicas cristãs em Roma.

3 de maio de 2006

História em Debate: Amizade

Para os gregos e os romanos antigos, a AMIZADE é o que há de mais necessário para a vida. O ambiente escolar é muito propício para a amizade. Entretanto, para que ela exista, não basta apenas convivermos com as pessoas. você está convidado a dizer o que pensa sobre este tema e a analisar o que outras pessoas já pensaram sobre isso.

“Dos que desejam o bem do outro, dizemos que são apenas benévolos se não há o mesmo sentimento da parte do outro, pois é só quando a benevolência é recíproca que dizemos que é amizade (...). É preciso que haja benevolência recíproca e que cada um queira o bem do outro sem que isso seja desconhecido a qualquer um deles”.
Aristóteles, Ética a Nicômaco.

“Só posso exortar-vos a preferir a amizade a todas as coisas humanas, pois nada é tão conforme a natureza e tão conveniente nas diversas situações, quer favoráveis, quer adversas. Como podes viver uma vida que não se apóie na benevolência de um amigo? Pode haver algo mais doce do que ter alguém com quem ouses falar de todas as coisas tal como falas contigo mesmo? Que vantagem haveria nas coisas prósperas se não houvesse quem as desfrutasse delas como tu mesmo? E não seria difícil suportar as adversas sem alguém que sofresse com elas ainda mais do que tu? (...) A vida sem amizades é nula, ao menos se as pessoas quiserem viver de alguma forma como homens livres”.
Cícero, De amicitia.

“É próprio dos amigos querer e não querer as mesmas coisas, alegrar-se e sofrer com as mesmas coisas”
São Tomás de Aquino, Suma contra os gentios.

“A amizade é apenas secundariamente um sentimento. Os sentimentos estão no eu, ao passo que a amizade está voltada para o tu e é muito mais um fazer do que um sentir (...). A amizade é uma maneira de viver, mais do que um sentimento subjetivo”.
Manuel García Morente, Ensayos.

Agora escreva o que você pensa sobre a Amizade. Você concorda com estes autores?

2 de maio de 2006

Aonde a vaca vai, o boi vai atrás

Por: Daniel Marques Giandoso


Os portugueses, quando chegaram aqui, demoraram para povoar o interior do Brasil. Eles preferiam ficar junto ao litoral, próximos do mar, extraindo primeiramente o pau-brasil e depois, cultivando a cana-de-açúcar. Foram as vacas e os bois - que corriam atrás - que contribuíram para a entrada do europeu no sertão.

Partindo da Bahia, eles formavam fazendas de gado nas proximidades do Rio São Francisco. Outros penetravam no território a partir de Pernambuco. O vaqueiro que cuidava da fazenda, após alguns anos recebia do dono, que vivia no litoral, algumas crias como pagamento. Aí, ele solicitava ao governador um outro local para tocar seu próprio negócio. Assim, se caminhava cada vez mais para o interior da colônia.

As vacas e os bois - que corriam atrás - tinham de ficar no mínimo a 10 léguas longe da costa para não devorarem as plantações, já que os animais eram criados soltos (não havia arame farpado na época).

Esse processo se deu pela necessidade de abastecer as cidades litorâneas de carne. No início do século XVIII, 72 mil cabeças eram consumidas por ano no Brasil. Além de fornecer carne, o gado também era importante para mover os engenhos, carregar as caixas de açúcar para o porto e fornecia couro que também era exportado.

Mas as vaquinhas não morriam com o calor do nordeste? Realmente, quando a seca era forte muitos bois ficavam viúvos. No sertão nordestino a agricultura não era praticada pela falta de água. Já a pecuária, era uma atividade que valia a pena por seus baixos custos. O dono da fazenda – que não morava nela, mas arrendava a terra – não precisava preparar o solo para o gado. As vaquinhas e os bois comiam qualquer coisa. Além disso, a mão-de-obra para manter as fazendas era barata; bastava um vaqueiro e um ou outro ajudante.

Outra atividade que proporcionou a ocupação do interior foi a mineração. Mas esta é uma outra história.

1 de maio de 2006

1º de Maio: Dia do Trabalho


Na última postagem, perguntei se num feriado em homenagem ao Dia do Trabalho não deveríamos trabalhar mais. Como ninguém deseja isso, sugeri mudar o nome do feriado. Bom , o fato é que o mundo inteiro celebra este dia. E devido às grandes transformações no sistema produtivo nas últimas décadas, esta data é utilizada mais para se queixar pela falta de emprego do que para protestar contra a exploração.

O quadro de Daumier, A Insurreição, retrata um acontecimento muito comum no século XIX: protestos de trabalhadores, que organizados em associações começaram a lutar contra as péssimas condições de trabalho e de salário. Foi neste ambiente que os ideais socialistas ganharam força cada vez mais crescente. Vale lembrar que esta data é comemorada devido ao massacre dos trabalhadores que faziam um protesto no dia 1º de Maio de 1886, na cidade de Chicago.

Hoje, a razão para a data e o quadro de Daumier parece não corresponder à nossa época, ainda que as causas para Insurreição existam em muitas partes do mundo. No Brasil, por exemplo, os sindicatos tentam atrair os trabalhadores para as ruas sorteando prêmios. Trava-se uma competição entre as centrais sindicais para oferecer o melhor show. Melhor mesmo é seguir o exemplo do santo de hoje: São José. Afinal, não há exemplo maior de retidão de caráter, fidelidade, honestidade e empenho no trabalho digno.

30 de abril de 2006

Aviso aos navegantes

Este blog pretende ser um ponto de encontro para as pessoas que, de alguma forma, se sentem atraídas pela História. Alunos, professores, curiosos terão aqui um espaço para compartilhar experiências, informações e reflexões diversas. (minha esposa leu esta frase e está quase vomitando).

Não quero que este blog seja um lixo, mas minha esposa acha melhor não ser uma coisa muito formal.

Bom, hoje é domingo, final de noite, desespero de todo professor... Aulas mais ou menos preparadas e vamos começar de novo. Mas amanhã, é FERIADO!!! Aliás, o Dia do Trabalho não deveria ser para trabalhar mais? Melhor mudar o nome. Que tal: Dia Chega de Trabalho, Dia do não Agüento Mais Trabalhar, Dia do Amanhã eu Trabalho...

Espero que gostem, ou não...